quarta-feira, 13 de julho de 2011

A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

Como vocês podem ver este não está sendo um ano de muitas leituras, pelo menos de obras de ficção. Meus olhos estão concentrados em teóricos nem sempre fáceis e os textos que estou produzindo são bem mais acadêmicos do que os que publico aqui. Mas digamos que entre um texto e outro estou lendo algumas coisinhas que pretendo registrar neste espaço. Vamos a uma delas.

Que vida levava aquele sujeito que é visto trôpego pelas ruas, que não trabalha e aparentemente não tem família? Quem choraria a morte deste sujeito? Entre tantas outras coisas nas páginas desta obra de Jorge Amado estas são questões que nos conduzem.

A morte e a morte que Quincas Berro Dágua (Editora Record) é uma daquelas comédias bem construídas e para lá de inteligentes. Nela a crítica social, tão presente nas obras do escritor baiano, é um elemento para lá de presente. A obra é do final da década de 50, início da de 60 e é para lá de atual. Basicamente conta a história de um funcionário público que cansou da vida certinha de mulher (uma Jararaca, segundo o próprio Quincas), filha (que trilhava o mesmo caminho da mãe), emprego estável e reconhecimento por ser um funcionário exemplar. Quando deu um basta caiu na rua e se tornou o Rei dos vagabundos da Bahia, o cachaceiro –mor de Salvador, o filósofo esfarrapado da rampa do Mercado, o senador das gafieiras (p. 31-32).Contar que Quincas morreu não é contar o final é apenas o começo...

A história tem um narrador, mas quase sempre Quincas se mete e os diálogos entre o morto e os que velam seu corpo (ou pelo menos tentam) são muito engraçados.
Para quem quiser começar pelo filme ele já está por ai. Aliás, eu primeiro vi o filme para depois ler o livro. Lembrem-se sempre que o filme é uma adaptação. O livro não é tão linear como pode parecer o filme. Mas os dois são para lá de divertidos e boas opções para as curtas férias de julho.

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