quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quando Nietzsche chorou

Friedrich Nietzsche é um filósofo que eu só fui conhecer há uns sete, oito anos. E nem foi um conhecer que se possa chamar de profundo. Eu soube que ele existiu e que disse que “Deus está morto”, obviamente uma declaração bem bombástica.

Um pouco depois de conhecer Nietzsche desta forma eu soube da existência do livro-tema deste post: Quando Nietzsche chorou (Editora Agir). Desde então escuto falar muito bem da obra de Irvin D. Yalom. Agora, finalmente, tirei mais um livro da minha lista imensa de “quero ler” (lista infinita, diga-se de passagem).

Yalom é psiquiatra norte-americano, filho de imigrantes russos. Neste livro ele fez uma coisa que eu gosto bastante na literatura: trazer personagens reais para o mundo da ficção. Já li algumas obras com enredos que fazem esta mistura: Era no tempo do rei e Assassinatos na Academia Brasileira de Letras são apenas alguns deles. No caso da obra de Yalom estão presentes, além de Friedrich Nietzsche, Josef Breuer e Sigmund Freud (ainda um jovem médico), para citar somente os principais.

O que se pode ver, claro de maneira ficcional, é uma noção do que vem a ser a filosofia de Nietzsche e psicanálise, aqui representadas por Freud – claro - e por Breuer. O encontro que se dá é incrível (e é um encontro mesmo entre o filósofo e dr. Breuer). Na orelha do livro é possível ler algo que realmente, para mim, traduz o que acontece: “O que se estabelece entre eles é uma relação na qual as funções de médico e paciente se confundem, pois Breuer encontra na filosofia de Nietzsche algumas respostas para suas próprias dores existenciais”.

Por exemplo, o que é liberdade? Quem é realmente livre? Será que somos obrigados a fazer as coisas e a dar o rumo que damos a nossa vida? De fato em algumas situações a sociedade nos mostra que caminho seguir, algumas posições são impostas por uma sociedade que aponta os papéis que cada um deve ter dentro das relações e fugir disso nem sempre é tarefa das mais fáceis. Esta é uma das discussões que aparecem no decorrer do livro (e que ainda são muito atuais). Ela é fruto de um encontro que de fato não existiu mas que, eu acho, que se acontecesse seria muito interessante e daria um belo livro.

Além de Quando Nietzsche chorou Yalom também escreveu A cura de Schopenhauer, Mentiras no divã, Os desafios da terapia, O carrasco do amor, Mamãe e o sentido da vida e De frente para o sol.

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