sábado, 16 de abril de 2011

UBUNTU

Que ai já viu o filme Invictus? Quem não viu tem que ver. É simplesmente demais! Para dar uma canjinha trata da história da chegada de Nelson Mandela à presidência da África do Sul. Quem já viu certamente deve ter pensado como ele tinha aquela percepção de mundo. Como alguém que sofreu o que sofreu nas mãos dos brancos conseguia fazer aquilo (por mais que ele explicasse no decorrer da história)? Particularmente eu entendia a visão dele mas não conseguia entender. Ops, este não é um blog de filmes. Deixo esta missão para minha amiga Marília. Mas trouxe isso para poder falar de um livro que li e que é inspirado em uma filosofia africana que Mandela seguia.

Ubuntu: uma história inspiradora sobre uma tradição africana de trabalho em equipe e colaboração (Editora Saraiva) é uma ficção que se passa em uma grande empresa americana. A direção percebe que existem conflitos e que o clima organizacional não está muito bom. Existem várias iniciativas para motivar os funcionários e uma é um prêmio que vai levar os funcionários destaques da instituição juntamente com seus chefes para a África do Sul.

Um dos vencedores é um sul africano, Simon, que antes mesmo de vencer a competição começa a mostrar para seu superior a importância de confiar e conhecer o ser humano que está a nossa volta. Isso é o Ubuntu. O livro, no meio da história, vem trazendo frases que definem esta filosofia. Uma delas é que o Ubuntu “é uma filosofia que leva em consideração o sucesso do grupo acima do sucesso do indivíduo” (p. 46).

A história que Stephen Lundin e Bob Nelson colocaram no papel não é nada de outro mundo, é bem simples. Mas é na simplicidade que está o segredo. Este é um dos melhores livros que eu já li. Juro que quando meu marido ganhou de alguns colegas eu achei que fosse ser mais um daqueles livros de auto ajuda (nada contra, mas eles parecem se repetir) e não é só isso. Não é como eu posso vencer e sim como nós podemos (ninguém é uma ilha, era o que tinha no meu livro de Educação Moral e Cívica). No fim das contas, e é o que Mandela mostrava em Invictus e explica na frase, “Somos humanos apenas pela humanidade dos outros”.

É ideal para empreendedores, gestores, consultores e estudantes de todas as áreas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Time do meu coração

Pelo que entendi a editora Leitura tem um projeto de editar livros de bolso (os pockets) sobre os principais clubes do país. O que eu li tratava do Clube de Regatas Flamengo. Este, Time do meu coração, foi organizados por Carlos Mansur e Luciano Ribeiro.

Não é um livro muito complicado de ler. Parece muito com um manual sobre o time de futebol em questão. Tem vitórias, principais jogos, amistosos com a seleção brasileira e com outras seleções. Lógico que tem também a história, os principais ídolos coisas que fazem os flamenguistas (ou o torcedor que ler o do seu time) se sentirem mais flamenguistas ainda já que trabalha com as memórias (e de certa forma com os esquecimentos) deste grupo de pessoas e muitas, muitas curiosidades.

Quando li pensei no filme Romeu e Julieta, com Marco Ricca e Luana Piovani. Alguém mais viu? É um em que o Romeu é palmerense e a Julieta é corintiana. O máximo. Ele se faz do corintiano e tem que passar informações sobre o time da segunda maior torcida do país. O problema é que ele não sabe, ele não conhece nada sobre o Corinthians. Este manual serviria muito bem para ele. Tem tudo que alguém que precisa conhecer o tal time precisa.

Ah, antes de terminar só uma explicação: o Flamengo não surgiu do Fluminense. O Flamengo foi fundado em 1895 e o Fluminense em 1902. O time de futebol sim veio de um grupo que veio do tricolor carioca. Mas o líder do grupo,Alberto Borgerth, segundo o livro (p.12), já era remador do clube rubro-negro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quando Nietzsche chorou

Friedrich Nietzsche é um filósofo que eu só fui conhecer há uns sete, oito anos. E nem foi um conhecer que se possa chamar de profundo. Eu soube que ele existiu e que disse que “Deus está morto”, obviamente uma declaração bem bombástica.

Um pouco depois de conhecer Nietzsche desta forma eu soube da existência do livro-tema deste post: Quando Nietzsche chorou (Editora Agir). Desde então escuto falar muito bem da obra de Irvin D. Yalom. Agora, finalmente, tirei mais um livro da minha lista imensa de “quero ler” (lista infinita, diga-se de passagem).

Yalom é psiquiatra norte-americano, filho de imigrantes russos. Neste livro ele fez uma coisa que eu gosto bastante na literatura: trazer personagens reais para o mundo da ficção. Já li algumas obras com enredos que fazem esta mistura: Era no tempo do rei e Assassinatos na Academia Brasileira de Letras são apenas alguns deles. No caso da obra de Yalom estão presentes, além de Friedrich Nietzsche, Josef Breuer e Sigmund Freud (ainda um jovem médico), para citar somente os principais.

O que se pode ver, claro de maneira ficcional, é uma noção do que vem a ser a filosofia de Nietzsche e psicanálise, aqui representadas por Freud – claro - e por Breuer. O encontro que se dá é incrível (e é um encontro mesmo entre o filósofo e dr. Breuer). Na orelha do livro é possível ler algo que realmente, para mim, traduz o que acontece: “O que se estabelece entre eles é uma relação na qual as funções de médico e paciente se confundem, pois Breuer encontra na filosofia de Nietzsche algumas respostas para suas próprias dores existenciais”.

Por exemplo, o que é liberdade? Quem é realmente livre? Será que somos obrigados a fazer as coisas e a dar o rumo que damos a nossa vida? De fato em algumas situações a sociedade nos mostra que caminho seguir, algumas posições são impostas por uma sociedade que aponta os papéis que cada um deve ter dentro das relações e fugir disso nem sempre é tarefa das mais fáceis. Esta é uma das discussões que aparecem no decorrer do livro (e que ainda são muito atuais). Ela é fruto de um encontro que de fato não existiu mas que, eu acho, que se acontecesse seria muito interessante e daria um belo livro.

Além de Quando Nietzsche chorou Yalom também escreveu A cura de Schopenhauer, Mentiras no divã, Os desafios da terapia, O carrasco do amor, Mamãe e o sentido da vida e De frente para o sol.