terça-feira, 22 de março de 2011

O livro das virtudes

Este foi um livro que durante anos ficou na cabeceira da minha cama esperando uma oportunidade de ser lido. Aliás, o livro que eu li nem era meu e é até uma vergonha admitir ainda está comigo. Como o Diário de Anne Frank , dei este livro de presente para uma das minhas irmãs. Passado um tempo peguei emprestado, demorei para ler e, agora, está na minha prateleira. Não faço isso sempre tá gente! Eu juro!

Mas vamos ao livro. Na verdade é um compilado de textos de diversos autores que tratam das virtudes que o ser humano deve ter/desenvolver. É, então, uma antologia organizada por William J. Bennett para os leitores americanos. No Brasil, a editora responsável pela publicação foi Nova Fronteira. Ela recebeu autorização para incluir textos em português e foi nessa leva que entraram escritores como Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Luis de Camões entre outros. Aqui foram editadas 524 páginas lindas.

Esta antologia vai da poesia à prosa. Passa por muitos lugares. Isso é legal porque nos permite, pelo menos eu tive esta sensação, conhecer um pouco, certamente bem pouco, de histórias que outros povos contam. Segundo o editor brasileiro “o livro das virtudes é um tesouro de histórias que ajudam a compreender algumas qualidades essenciais à formação ética de cidadãos. São histórias eternas que vêm de diversas épocas, dos mais variados lugares, das mais diferentes culturas. (...) A grande maioria faz parte do acervo da civilização ocidental” (p.07)

Em alguns momentos os textos são ótimos em outros fica um pouco cansativo, mas na verdade isso acontece em qualquer livro. No geral o livro é ótimo. Inicialmente pode parecer auto-ajuda mas pensando bem em tempos que respeito, amor e amizade parecem não fazer parte do vocabulário de muita gente não custa nada relembrar tais temas. O mundo está precisando de sentimentos bons e que construam coisas boas. Os textos estão divididos nas seguintes modalidades: disciplina, compaixão, responsabilidade, amizade, trabalho, coragem, perseverança, honestidade, lealdade e fé.

Todas as modalidades começam com uma breve explicação e todos os textos também têm uma pequena explicação, em alguns apenas o nome do autor e em outros o lugar de onde vem etc.

Pela própria estrutura não é um livro que precise ser lido todo de uma vez. Mas eu não tinha me dado conta disso quando coloquei na minha cabeceira. Aliás, não é porque chegou ao fim a leitura que deve ser esquecido. É bom voltar a ele, especialmente naqueles dias em que se acha que a humanidade enlouqueceu.

domingo, 6 de março de 2011

Formando equipes vencedoras: lições de liderança e motivação: do esporte aos negócios

Juro que peguei este livro (da Editora BestSeller) na biblioteca porque em uma de minhas disciplinas falo sobre Trabalho em Equipe e acho que o esporte é uma grande fonte de inspiração para isso. Digo isso porque, apesar do Parreira ter trazido o tetra sempre achei ele meio sério demais, meio sem emoção demais. Não que eu não gostasse, simpatizo com ele, mas era uma impressão que eu tinha. Também pesei que fosse um daqueles auto ajuda que trazem os mesmos conselhos de sempre e que nem sempre estamos dispostos a escutar, no caso ler. Ah, e tinha um outro conceito pré estabelecido por mim: o de que o livro iria contar a vida de Carlos Alberto Parreira, até que contou mas não no tom biográfico que eu esperava.
Dito isso posso dizer que me surpreendi, que passei a achar o Parreira mais simpático e a entender melhor porque a falta de sorriso (gente não é só quando trabalha que é assim, no livro não tem quase nenhuma foto dele sorrindo! Nem ao lado da mãe!) é o jeito dele e, claro, num cargo de tanta responsabilidade quanto o de um treinador nem sempre muito sorriso é bom.
O livro traz muitas dicas legais que Carlos Alberto Parreira aprendeu ao longo da vida e não apenas na seleção brasileira, como pode pensar algum desavisado como eu (tetra campeonato mesmo só no final do último capítulo). Ou seja, o livro fala de momentos que foram fundamentais para que o técnico pudesse desenvolver bem o trabalho no comando da Seleção Canarinho. Vamos a alguns:
1. Parreira morou grande parte da vida no subúrbio carioca, estudou em escola pública, nunca quis ser jogador de futebol, mas queria trabalhar com futebol, não era militar, como muitos acham, incluo ai meu marido, e queria conhecer o mundo.
2. A determinação fez com que ele se formasse em Educação Física em uma das únicas escolas do país e fizesse uma especialização em técnico de futebol. Ah, fez também um curso de inglês. O bom desempenho na academia e no emprego , na Secretaria Estadual de Fazendo no Rio, lhe abriu portas, já que construiu bons relacionamentos nestes locais. Isso o fez ir para Gana, treinar a seleção de lá. Com estes dois pontos ele já ensina que disciplina e determinação são tudo para se chegar ao sucesso.
3. Sonhar é ótimo, mas o sonho tem que ser planejado para se realizar e as pessoas têm de entender que para realizá-los quase sempre se paga um preço. Por mais que só vejamos o lado positivo do negócio toda e qualquer profissão ou escolha tem um preço que se paga.
Acho que só estes três já ajudam a entender o espírito do livro. É claro que todas a dicas, toques ou seja lá como você chame vem com exemplos do Oriente Médio, do Brasil, da Ásia e da Europa, lugares por onde Parreira passou. É bom para entender um pouco de futebol? É, mas não para entender de regras, para entender de equipes. Ah, tem outra coisinha sucesso não precisa ser sinônimo de pop star. Como disse uma colega minha uma vez: “ainda bem que o meu sucesso não é o mesmo do teu, do da Ivete Sangalo ou do Parreira – este último fui eu que coloquei – porque se não viveríamos frustrados”. O que ela e o Parreira, no livro, querem dizer é que o conceito de sucesso é um para cada pessoa.
O livro também traz três frases que achei bem legal e vou colocar aqui:
1.”É melhor se preparar e a oportunidade não surgir do que a oportunidade surgir e você perdê-la por não estar preparado” (p. 39)
2. Esta é do José Saramago: “ O que as vitórias têm de ruim é que elas não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que elas não são definitivas” (p. 61)
3.” Quem conquista quase nunca lembra da conquista, mas do processo”. (p. 97)

Ah, agora uma revelação: li este livro em algumas horas, para falar a verdade 12 horas. Não terminei antes porque outras atividades interromperam. Em vários momentos me emocionei. Amei esta experiência de carnaval.