terça-feira, 11 de outubro de 2011

A cabeça de Steve Jobs


"As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas" (Steve Jobs)

Li o livro tema desse post há mais de dois anos e acho que o acontecimento da última semana torna o comentário bastante pertinente. Confesso que quanto ganhei esse livro não fiquei muito entusiasmada. Acho que porque havia visto o rosto que ilustrava a capa umas poucas vezes e quase sempre sem muita atenção. Mas o entusiasmo do meu “amigo secreto”, Diego Piovesan, e do meu marido era tanto que pensei que de fato deveria ser alguém genial e que aquela leitura valeria muito a pena. No texto da contracapa essa impressão se confirmou: “Steve Jobs adotou traços de sua personalidade para conduzir a Apple ao triunfo” (mais uma pista de quem se tratava: eu já havia visto aquela marca em trilhões de filmes).

Então, A cabeça de Steve Jobs, de Leander Kahney (Editora Agir) virou meu livro de cabeceira e depois um dos mais queridos da estante. O autor diz que a obra não é apenas uma biografia e sinceramente acho que seria difícil diante de capacidade criativa e, porque não, revolucionária. Todos nós, depois da semana passada, já sabemos que depois de Steve Jobs o mundo nunca mais foi o mesmo.

O livro me ajudou a perceber que, na verdade, ele estava muito mais perto de mim do que eu, e muita gente por ai, imaginava. Com o livro me dei conta que Steve Jobs mudou a comunicação criando computadores pessoais e fazendo dele um local não apenas de trabalho mas de entretenimento. Sem falar nisso, e em tantas outras formas de computador que surgiram depois que foi possível levar o computador para a casa, Jobs também criou a Pixar que produziu o primeiro filme totalmente animado por computador: Toy Story ( acho que essa todo mundo conhece). A Disney comprou a Pixar em 2006 "pela impressionante quantia de 7,4 bilhões de dólares. Esta compra fez de Jobs o maior acionista individual da Disney e o nerd mais importante de Hollywood"(p. 11).

Não foi uma leitura muito fácil mas foi interessante. No final de cada capítulo o autor apresenta um quadro com algumas “Lições de Steve”. A grande maioria é ótima e perfeitamente aplicável. Jobs não devia ser, como posso dizer,... a pessoa mais fácil de lidar: a exigência e a intimidação iam ao limite (sendo bom ou sendo ruim era assim que funcionava). Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção no livro e na personalidade do dono da Apple é que ele, Jobs, era um apaixonado pelo que fazia e nisso de fato eu acredito: fazemos tudo melhor quando fazemos com amor, com paixão.

Ah, o autor, Leander Kahney, é editor da revista eletrônica Wired.com. Como repórter e editor cobre a Apple há mais de 12 anos (dados do próprio livro).

domingo, 31 de julho de 2011

A ratinha branca de Pé-de-vento e a bagagem de Otália

Juro que eu pensava que este livro de Jorge Amado era infantil, mas infantil igual a O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá ou A bola e o Goleiro. É, mas é menos que eu imaginava (na minha humilde classificação é infanto-juvenil. Acho que a adolescência é a mais privilegiada aqui). Isso não é bom nem ruim é apenas diferente do que imaginei, é surpreendente (na maioria das vezes gosto de ser surpreendida).De qualquer forma gostei muito de conhecer mais esta obra de Jorge Amado (Companhia das Letrinhas). Como todas as obras que o escritor dedicou a este público (já citadas anteriormente) ela pode, e deve, ser lida por todos, independente da idade.


A ratinha branca de Pé-de-vento e a bagagem de Otália não é exatamente um livro do escritor baiano mas uma adaptação que Mariana Amado Costa (neta do autor) fez do livro Os pastores da noite. Este foi o décimo segundo romance de Jorge Amado. Foi publicado em 1964. Os personagens desta história são homens e mulheres, na maioria das vezes pobres e sem emprego ou estudo que sobrevivem de bicos de todos os tipos. Mas o grupo conserva como “seu princípio moral, a amizade; sua lei, a alegria de viver” (p. 9).


A temática é bem corriqueira em Jorge Amado: Amizade (ler sobre amizade é sempre bom). É com muita graça (alegria mesmo) que este tema aparece nesta obra. E não só ele. Colaboração e respeito estão lá.


Mariana Amado Costa é neta do ilustre baiano a que eu me refiro neste post. Ela, melhor do que ninguém, pode afirmar que os temas levantados na obra eram de grande valia para o avô: “a força da amizade; a compreensão de que as pessoas nunca são simplesmente boas ou más, são humanas, com as complexidades e contradições inerentes a essa condição; a celebração da vida mesmo na adversidade” (p. 8).


Os personagens são adultos mas mostram o “profundo respeito por questões que são a essência da infância: a fantasia, o sonho, a brincadeira, a diversão” (p. 8). E isso é mágico! Uma coisa que achei interessante é que este é o segundo livro em que um dos personagens se destaca pelo seu conhecimento e, justamente por isso, ganha um certo destaque. Em Capitães da areia foi o Professor neste Eduardo Ipicilone. Outros detentores do conhecimento apareceram em outras obras, mas estes dois me chamaram a atenção porque, de alguma maneira, são procurados para ensinar, tirar dúvidas, etc.


Quem ilustrou, e o fez muito bem, foi a mineira de Belo Horizonte Marilda Castanha. Já não é a primeira vez que faz ilustrações para esta editora, mas é a primeira vez que a cito aqui.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

Como vocês podem ver este não está sendo um ano de muitas leituras, pelo menos de obras de ficção. Meus olhos estão concentrados em teóricos nem sempre fáceis e os textos que estou produzindo são bem mais acadêmicos do que os que publico aqui. Mas digamos que entre um texto e outro estou lendo algumas coisinhas que pretendo registrar neste espaço. Vamos a uma delas.

Que vida levava aquele sujeito que é visto trôpego pelas ruas, que não trabalha e aparentemente não tem família? Quem choraria a morte deste sujeito? Entre tantas outras coisas nas páginas desta obra de Jorge Amado estas são questões que nos conduzem.

A morte e a morte que Quincas Berro Dágua (Editora Record) é uma daquelas comédias bem construídas e para lá de inteligentes. Nela a crítica social, tão presente nas obras do escritor baiano, é um elemento para lá de presente. A obra é do final da década de 50, início da de 60 e é para lá de atual. Basicamente conta a história de um funcionário público que cansou da vida certinha de mulher (uma Jararaca, segundo o próprio Quincas), filha (que trilhava o mesmo caminho da mãe), emprego estável e reconhecimento por ser um funcionário exemplar. Quando deu um basta caiu na rua e se tornou o Rei dos vagabundos da Bahia, o cachaceiro –mor de Salvador, o filósofo esfarrapado da rampa do Mercado, o senador das gafieiras (p. 31-32).Contar que Quincas morreu não é contar o final é apenas o começo...

A história tem um narrador, mas quase sempre Quincas se mete e os diálogos entre o morto e os que velam seu corpo (ou pelo menos tentam) são muito engraçados.
Para quem quiser começar pelo filme ele já está por ai. Aliás, eu primeiro vi o filme para depois ler o livro. Lembrem-se sempre que o filme é uma adaptação. O livro não é tão linear como pode parecer o filme. Mas os dois são para lá de divertidos e boas opções para as curtas férias de julho.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O clube do livro

Já vou começar dizendo que O clube do filme, de David Gilmour (Editora Intrinseca), é uma boa sugestão para o claquete dez. Quem comprou este livro foi meu marido e ele disse que não conhecia a obra e nem tinha ouvido falar. Comprou porque gostou do que estava escrito na contra capa (e para quem o conhece sabe o quanto isso é raro!). Depois disso ouvi grandes amigos falarem muito bem dele e ai, quando tive de escolher um livro para deixar do lado da cama para o momento “tenho que relaxar para dormir” foi ele que escolhi.
Para os que não conhecem, a temática inicial até pode parecer comum: um adolescente resolve que quer parar de estudar e diz isso para o pai (que é separado da mãe do garoto). Até ai, é bem normal, concordam? Mas eis que o pai aceita a tal proposta (isso mesmo) mas com uma condição: eles deverão ver três filmes por semana e nada de drogas. O pai sabia que tinha que dar um jeito da cabeça daquele garoto ser ocupada e, no fundo, ele queria que o filho voltasse a estudar.

A partir desta lista de filmes definida pelo pai começam as discussões sobre todos os assuntos, inclusive cinema, entre os dois.

Normalmente os filmes exibidos marcaram a história do cinema de alguma maneira mas não há necessidade de ter visto os filmes (acho que seria melhor mas alguns nem pensar, pelo menos para mim) para entender o propósito de cada “aula”.

O interessante do filme é que mostra, mesmo sem querer – talvez- e sem parecer aqueles manuais de relacionamento entre pai e filho, ou livro de auto ajuda que esta relação de fato não é fácil e que dúvidas todos os pais do planeta possuem. Ao mesmo tempo perceber em que momento o jovem está e o que ele está precisando escutar e fazer pode ajudar muita gente a evitar conflitos e a permitir que aquele sujeito cresça (em todos os sentidos).
É então uma bela dica para pais e professores (porque de maneira geral a condução das discussões e a forma como os filmes são escolhidos é muito interessante para esta classe profissional).

Para terminar uma frase da página 187 que, na minha opinião serve para várias indicações que fazemos ao longo da vida:

“Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga”.

sábado, 16 de abril de 2011

UBUNTU

Que ai já viu o filme Invictus? Quem não viu tem que ver. É simplesmente demais! Para dar uma canjinha trata da história da chegada de Nelson Mandela à presidência da África do Sul. Quem já viu certamente deve ter pensado como ele tinha aquela percepção de mundo. Como alguém que sofreu o que sofreu nas mãos dos brancos conseguia fazer aquilo (por mais que ele explicasse no decorrer da história)? Particularmente eu entendia a visão dele mas não conseguia entender. Ops, este não é um blog de filmes. Deixo esta missão para minha amiga Marília. Mas trouxe isso para poder falar de um livro que li e que é inspirado em uma filosofia africana que Mandela seguia.

Ubuntu: uma história inspiradora sobre uma tradição africana de trabalho em equipe e colaboração (Editora Saraiva) é uma ficção que se passa em uma grande empresa americana. A direção percebe que existem conflitos e que o clima organizacional não está muito bom. Existem várias iniciativas para motivar os funcionários e uma é um prêmio que vai levar os funcionários destaques da instituição juntamente com seus chefes para a África do Sul.

Um dos vencedores é um sul africano, Simon, que antes mesmo de vencer a competição começa a mostrar para seu superior a importância de confiar e conhecer o ser humano que está a nossa volta. Isso é o Ubuntu. O livro, no meio da história, vem trazendo frases que definem esta filosofia. Uma delas é que o Ubuntu “é uma filosofia que leva em consideração o sucesso do grupo acima do sucesso do indivíduo” (p. 46).

A história que Stephen Lundin e Bob Nelson colocaram no papel não é nada de outro mundo, é bem simples. Mas é na simplicidade que está o segredo. Este é um dos melhores livros que eu já li. Juro que quando meu marido ganhou de alguns colegas eu achei que fosse ser mais um daqueles livros de auto ajuda (nada contra, mas eles parecem se repetir) e não é só isso. Não é como eu posso vencer e sim como nós podemos (ninguém é uma ilha, era o que tinha no meu livro de Educação Moral e Cívica). No fim das contas, e é o que Mandela mostrava em Invictus e explica na frase, “Somos humanos apenas pela humanidade dos outros”.

É ideal para empreendedores, gestores, consultores e estudantes de todas as áreas.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Time do meu coração

Pelo que entendi a editora Leitura tem um projeto de editar livros de bolso (os pockets) sobre os principais clubes do país. O que eu li tratava do Clube de Regatas Flamengo. Este, Time do meu coração, foi organizados por Carlos Mansur e Luciano Ribeiro.

Não é um livro muito complicado de ler. Parece muito com um manual sobre o time de futebol em questão. Tem vitórias, principais jogos, amistosos com a seleção brasileira e com outras seleções. Lógico que tem também a história, os principais ídolos coisas que fazem os flamenguistas (ou o torcedor que ler o do seu time) se sentirem mais flamenguistas ainda já que trabalha com as memórias (e de certa forma com os esquecimentos) deste grupo de pessoas e muitas, muitas curiosidades.

Quando li pensei no filme Romeu e Julieta, com Marco Ricca e Luana Piovani. Alguém mais viu? É um em que o Romeu é palmerense e a Julieta é corintiana. O máximo. Ele se faz do corintiano e tem que passar informações sobre o time da segunda maior torcida do país. O problema é que ele não sabe, ele não conhece nada sobre o Corinthians. Este manual serviria muito bem para ele. Tem tudo que alguém que precisa conhecer o tal time precisa.

Ah, antes de terminar só uma explicação: o Flamengo não surgiu do Fluminense. O Flamengo foi fundado em 1895 e o Fluminense em 1902. O time de futebol sim veio de um grupo que veio do tricolor carioca. Mas o líder do grupo,Alberto Borgerth, segundo o livro (p.12), já era remador do clube rubro-negro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quando Nietzsche chorou

Friedrich Nietzsche é um filósofo que eu só fui conhecer há uns sete, oito anos. E nem foi um conhecer que se possa chamar de profundo. Eu soube que ele existiu e que disse que “Deus está morto”, obviamente uma declaração bem bombástica.

Um pouco depois de conhecer Nietzsche desta forma eu soube da existência do livro-tema deste post: Quando Nietzsche chorou (Editora Agir). Desde então escuto falar muito bem da obra de Irvin D. Yalom. Agora, finalmente, tirei mais um livro da minha lista imensa de “quero ler” (lista infinita, diga-se de passagem).

Yalom é psiquiatra norte-americano, filho de imigrantes russos. Neste livro ele fez uma coisa que eu gosto bastante na literatura: trazer personagens reais para o mundo da ficção. Já li algumas obras com enredos que fazem esta mistura: Era no tempo do rei e Assassinatos na Academia Brasileira de Letras são apenas alguns deles. No caso da obra de Yalom estão presentes, além de Friedrich Nietzsche, Josef Breuer e Sigmund Freud (ainda um jovem médico), para citar somente os principais.

O que se pode ver, claro de maneira ficcional, é uma noção do que vem a ser a filosofia de Nietzsche e psicanálise, aqui representadas por Freud – claro - e por Breuer. O encontro que se dá é incrível (e é um encontro mesmo entre o filósofo e dr. Breuer). Na orelha do livro é possível ler algo que realmente, para mim, traduz o que acontece: “O que se estabelece entre eles é uma relação na qual as funções de médico e paciente se confundem, pois Breuer encontra na filosofia de Nietzsche algumas respostas para suas próprias dores existenciais”.

Por exemplo, o que é liberdade? Quem é realmente livre? Será que somos obrigados a fazer as coisas e a dar o rumo que damos a nossa vida? De fato em algumas situações a sociedade nos mostra que caminho seguir, algumas posições são impostas por uma sociedade que aponta os papéis que cada um deve ter dentro das relações e fugir disso nem sempre é tarefa das mais fáceis. Esta é uma das discussões que aparecem no decorrer do livro (e que ainda são muito atuais). Ela é fruto de um encontro que de fato não existiu mas que, eu acho, que se acontecesse seria muito interessante e daria um belo livro.

Além de Quando Nietzsche chorou Yalom também escreveu A cura de Schopenhauer, Mentiras no divã, Os desafios da terapia, O carrasco do amor, Mamãe e o sentido da vida e De frente para o sol.

terça-feira, 22 de março de 2011

O livro das virtudes

Este foi um livro que durante anos ficou na cabeceira da minha cama esperando uma oportunidade de ser lido. Aliás, o livro que eu li nem era meu e é até uma vergonha admitir ainda está comigo. Como o Diário de Anne Frank , dei este livro de presente para uma das minhas irmãs. Passado um tempo peguei emprestado, demorei para ler e, agora, está na minha prateleira. Não faço isso sempre tá gente! Eu juro!

Mas vamos ao livro. Na verdade é um compilado de textos de diversos autores que tratam das virtudes que o ser humano deve ter/desenvolver. É, então, uma antologia organizada por William J. Bennett para os leitores americanos. No Brasil, a editora responsável pela publicação foi Nova Fronteira. Ela recebeu autorização para incluir textos em português e foi nessa leva que entraram escritores como Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Luis de Camões entre outros. Aqui foram editadas 524 páginas lindas.

Esta antologia vai da poesia à prosa. Passa por muitos lugares. Isso é legal porque nos permite, pelo menos eu tive esta sensação, conhecer um pouco, certamente bem pouco, de histórias que outros povos contam. Segundo o editor brasileiro “o livro das virtudes é um tesouro de histórias que ajudam a compreender algumas qualidades essenciais à formação ética de cidadãos. São histórias eternas que vêm de diversas épocas, dos mais variados lugares, das mais diferentes culturas. (...) A grande maioria faz parte do acervo da civilização ocidental” (p.07)

Em alguns momentos os textos são ótimos em outros fica um pouco cansativo, mas na verdade isso acontece em qualquer livro. No geral o livro é ótimo. Inicialmente pode parecer auto-ajuda mas pensando bem em tempos que respeito, amor e amizade parecem não fazer parte do vocabulário de muita gente não custa nada relembrar tais temas. O mundo está precisando de sentimentos bons e que construam coisas boas. Os textos estão divididos nas seguintes modalidades: disciplina, compaixão, responsabilidade, amizade, trabalho, coragem, perseverança, honestidade, lealdade e fé.

Todas as modalidades começam com uma breve explicação e todos os textos também têm uma pequena explicação, em alguns apenas o nome do autor e em outros o lugar de onde vem etc.

Pela própria estrutura não é um livro que precise ser lido todo de uma vez. Mas eu não tinha me dado conta disso quando coloquei na minha cabeceira. Aliás, não é porque chegou ao fim a leitura que deve ser esquecido. É bom voltar a ele, especialmente naqueles dias em que se acha que a humanidade enlouqueceu.

domingo, 6 de março de 2011

Formando equipes vencedoras: lições de liderança e motivação: do esporte aos negócios

Juro que peguei este livro (da Editora BestSeller) na biblioteca porque em uma de minhas disciplinas falo sobre Trabalho em Equipe e acho que o esporte é uma grande fonte de inspiração para isso. Digo isso porque, apesar do Parreira ter trazido o tetra sempre achei ele meio sério demais, meio sem emoção demais. Não que eu não gostasse, simpatizo com ele, mas era uma impressão que eu tinha. Também pesei que fosse um daqueles auto ajuda que trazem os mesmos conselhos de sempre e que nem sempre estamos dispostos a escutar, no caso ler. Ah, e tinha um outro conceito pré estabelecido por mim: o de que o livro iria contar a vida de Carlos Alberto Parreira, até que contou mas não no tom biográfico que eu esperava.
Dito isso posso dizer que me surpreendi, que passei a achar o Parreira mais simpático e a entender melhor porque a falta de sorriso (gente não é só quando trabalha que é assim, no livro não tem quase nenhuma foto dele sorrindo! Nem ao lado da mãe!) é o jeito dele e, claro, num cargo de tanta responsabilidade quanto o de um treinador nem sempre muito sorriso é bom.
O livro traz muitas dicas legais que Carlos Alberto Parreira aprendeu ao longo da vida e não apenas na seleção brasileira, como pode pensar algum desavisado como eu (tetra campeonato mesmo só no final do último capítulo). Ou seja, o livro fala de momentos que foram fundamentais para que o técnico pudesse desenvolver bem o trabalho no comando da Seleção Canarinho. Vamos a alguns:
1. Parreira morou grande parte da vida no subúrbio carioca, estudou em escola pública, nunca quis ser jogador de futebol, mas queria trabalhar com futebol, não era militar, como muitos acham, incluo ai meu marido, e queria conhecer o mundo.
2. A determinação fez com que ele se formasse em Educação Física em uma das únicas escolas do país e fizesse uma especialização em técnico de futebol. Ah, fez também um curso de inglês. O bom desempenho na academia e no emprego , na Secretaria Estadual de Fazendo no Rio, lhe abriu portas, já que construiu bons relacionamentos nestes locais. Isso o fez ir para Gana, treinar a seleção de lá. Com estes dois pontos ele já ensina que disciplina e determinação são tudo para se chegar ao sucesso.
3. Sonhar é ótimo, mas o sonho tem que ser planejado para se realizar e as pessoas têm de entender que para realizá-los quase sempre se paga um preço. Por mais que só vejamos o lado positivo do negócio toda e qualquer profissão ou escolha tem um preço que se paga.
Acho que só estes três já ajudam a entender o espírito do livro. É claro que todas a dicas, toques ou seja lá como você chame vem com exemplos do Oriente Médio, do Brasil, da Ásia e da Europa, lugares por onde Parreira passou. É bom para entender um pouco de futebol? É, mas não para entender de regras, para entender de equipes. Ah, tem outra coisinha sucesso não precisa ser sinônimo de pop star. Como disse uma colega minha uma vez: “ainda bem que o meu sucesso não é o mesmo do teu, do da Ivete Sangalo ou do Parreira – este último fui eu que coloquei – porque se não viveríamos frustrados”. O que ela e o Parreira, no livro, querem dizer é que o conceito de sucesso é um para cada pessoa.
O livro também traz três frases que achei bem legal e vou colocar aqui:
1.”É melhor se preparar e a oportunidade não surgir do que a oportunidade surgir e você perdê-la por não estar preparado” (p. 39)
2. Esta é do José Saramago: “ O que as vitórias têm de ruim é que elas não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que elas não são definitivas” (p. 61)
3.” Quem conquista quase nunca lembra da conquista, mas do processo”. (p. 97)

Ah, agora uma revelação: li este livro em algumas horas, para falar a verdade 12 horas. Não terminei antes porque outras atividades interromperam. Em vários momentos me emocionei. Amei esta experiência de carnaval.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sucupira: ame-a ou deixe-a

... venturas e desventuras de Zeca Diabo e sua gente na terra de Odorico, o Bem-Amado (Editora Bertrand Brasil). Nem preciso dizer em quem pensei quando peguei este livro: Paulo Gracindo. Não lembro direito da novela que passou na Rede Globo (O Bem-Amado), mas foi dele que lembrei quando peguei este livro na biblioteca.

O livro consiste em sete episódios da peça de Dias Gomes chamada O Bem-Amado. Mario da Silva Brito fala o seguinte na orelha do livro que estava em minhas mãos:

“Sucupira é o Brasil visto pelo lado contrário do binóculo. Não para amesquinhar a visão, mas, apenas, para transformar um imenso universo num minimundo, num microcosmo onde cabem, reduzidas, miniaturizadas, mas nem por isso escamoteadas, as mazelas, imposturas, mareteiras, malandragens, enfim a comédia do mundo maior: este país de propalado progresso e escondidas misérias.”

Realmente este baiano de Salvador conseguia, tanto na tragédia como na comédia, fazer pensar. Foi realmente muito bom reler Dias Gomes e quem sabe “para frentemente”, como diria senhor Odorico, ele não venha a enriquecer algumas aulas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Comer, Rezar, Amar

Este livro foi o último do ano de 2010. Estou postando agora porque no dia seguinte eu estava de férias e o computador também tirou férias. O livro virou filme (e particularmente eu preferi o livro, que eu li primeiro) e muita gente já deve saber do que se trata.

Para os que não sabem Comer, rezar, amar, de Elizabeth Gilbert (Editora Objetiva) conta a história da autora em busca de si mesma, coisa que muitas pessoas, especialmente as mulheres, fazem. Não acho que seja um livro próprio para meninos porque simplesmente a procura da autora não é exatamente uma procura comum para homens e mulheres. Por isso seu apelido para mim é ‘livro de meninas’.

A busca se dá em três países com I, que em inglês é o pronome Eu, Itália, Índia e Indonésia. Preciso dizer que na Itália ela foi para Comer, na Índia foi para Rezar e na Indonésia ela encontrou o Amor, que é um brasileiro? Os três países possuem o mesmo número de histórias, trinta e seis cada, o que dá um total de 108 o número de contas do japa mala, um cordão muito utilizado em comunidades da Índia.

Confesso que a parte mais chata foi a da Índia. Para mim foi realmente a parte mais cansativa. Mas ainda sou obrigada a concordar com Elle Macpherson: “Toda mulher deve lê-lo”.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A volta das férias

Quem acompanhou este espaço durante as férias sabe que eu simplesmente não escrevi nada, o que não quer dizer que eu não tenha lido. Isso não quer dizer, por sua vez, que eu tenha lido muito. Realmente li muito menos do que eu esperava. Completos mesmo foram dois: Sucupira: ame-a ou deixe-a e Comer, Rezar e Amar. A sorte que eu não publiquei a lista que eu esperava ler.

Obviamente isso não foi por falta de opção de leitura: estou com algumas pilhas de livros esperando para finalmente serem desbravados. Mas definitivamente nestas férias eu me atrapalhei demais, demais mesmo, e a leitura não fluiu.

Então é isso. Espero que eu consiga me organizar melhor durante o ano e que este blog receba muitos posts.