segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Hoje é dia de Maria

Nestes últimos três meses, entre um TCC e outro e entre um texto de Estudos Culturais e outro de Teoria da Literatura, eu li os roteiros da 1ª e da 2ª jornada da série Hoje é dia de Maria. A obra é de Carlos Alberto Soffredini, autor de mais de vinte textos de teatro que faleceu em outubro de 2001. Os roteiros foram escritos por Luís Alberto de Abreu e de Luiz Fernando Carvalho.

A série eu vi em DVD, e só vi a primeira jornada. O livro estava em casa e depois de ser emprestado para uma aluna e ficar algum tempo fora de casa ele voltou para a prateleira. A leitura começou em ótima hora! Justamente no momento em que eu comecei as disciplinas de Estudos Culturais e Teoria Literária. Elas me fizeram ver o livro com outros olhos e o livro me ajudou a preparar o seminário de Teoria Literária.

A história é a maior maluquice. Parece literatura de cordel e também O auto da Compadecida (com menos gargalhadas). A presença de culturas que não fazem parte da brasileira é grande. Mas como diriam minhas queridas professoras é aquele local cinza do encontro entre duas culturas. Não há, em Hoje é dia de Maria, a negação da cultura europeia mas há a releitura, a apropriação da outra cultura (Hibridismo? É isso professoras?). Talvez o momento em que isso fique mais claro é o do baile (que é da própria Cinderela). Na segunda jornada por vezes fui parar em O mágico de Oz e em Alice no País das Maravilhas. Ou então vai a Karl Marx e Marshall Berman com “tudo o que é sólido desmancha no ar” (p. 454) ao falar da loucura que é o mundo moderno e, porque não (talvez realmente não seja), e a correria imposta pelo capitalismo. Além disso, há também a conversa com outras obras brasileiras como a passagem dos retirantes que lembra muito a obra de Portinari ou na passagem de um certo defunto e de um certo homem de olhar triste que me lembrou muito Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Segundo a orelha do livro, que explica o autor “em Hoje é dia de Maria há um estudo dialetal que revela a expressão do caipira por meio de seu universo, seus causos e seu vocábulo específico, e reafirma sua busca da oralidade na dramaturgia”. E é bem isso.

Dizer que a gente passa a leitura toda torcendo por Maria parece redundante. Dizer que dá a impressão que se passa no sertão nordestino, mas ao mesmo tempo parece que é em todo o Brasil, em qualquer lugar mesmo nas “franja do mar” também. Não tem o que ser mais brasileira e mais multicultural.

2 comentários:

  1. deu vontade de ler. minto. de rever a mini-série.

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  2. Que bom Phil. Gostei da sua visita! Volte sempre! Juro que voltarei a escrever! Abraços

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