quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Morte e vida Severina e outros poemas para vozes

Se a minha professora de Literatura dos tempos do Colégio ler os meus posts, especialmente os dos livros que eu deveria ter lido naquela época tenho certeza ela vai ter um treco. A verdade é que eu não gostava muito de ler os clássicos quando era adolescente (mas li alguns e até fiz peça de teatro e filme sobre eles, mas não eram os meus favoritos).

Lembro também que textos em versos eram menos ainda procurados por mim (esta memória me veio em uma aula em que apresentei textos em verso e uma de minhas alunas disse “odeio textos assim, não dá para entender nada do que ele fala”. P.S: Era Drummond). Não vou recriminá-la justamente pelo meu passado e por achar que a escola nem sempre dá o devido valor ao texto em verso, mas não é o caso neste texto.

O negócio é que estamos fazendo (eu e uma colega professora de Rádio) um trabalho com livros literários e isso me fez pensar em autores brasileiros para a leitura dos alunos. Matutamos, matutamos e um dos escolhidos foi Morte e Vida Severina (Editora Nova Fronteira). Este poema está inserido no livro Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes. Na minha santa ignorância eu achei que o livro todo era Morte e Vida Severina a leitura me mostrou que não e também me fez pensar um monte de coisa além, claro, de conhecer um pouquinho melhor João Cabral de Melo Neto.

Os quatro poemas (O rio, Morte e Vida Severina, Dois Parlamentos e Auto de Frade) se revelam muito atuais e emocionantes demais. É engraçado como pensamos pouco na influência dos rios em nossas vidas e na presença da morte dentro da vida.

Foi ótimo ter revisto a obra porque só lembrava (ou lembrava mais) de uma parte que dizia que ‘é a parte que te cabe neste latifúndio’ que eu decorei quando vi a adaptação para TV (ou cinema) no colégio e que muitas vezes foi utilizado na mesa na hora da ‘divisão do bife’ em casa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Europa: reportagens apaixonadas

Sempre adorei viajar mas nunca fui muito ligada em revista de turismo apesar de já ter comprado várias para ver as fotografias. Claro que todas aquelas fotos me encantavam mas nunca me ative aos textos propriamente ditos. Hoje eu acho que perdi bastante coisa não fazendo estas leituras.

Aí, uns três ou quatro anos atrás estava numa livraria (só para variar) na prateleira de Comunicação e um livro me chamou a atenção entre tantos lá expostos: Europa: reportagens apaixonadas – o olhar de um viajante profissional por 12 cidades e 7 regiões em 12 países (Panda Books). Comprei mas na prateleira ficou. Na boa, fez parte do meu enxoval (pode rir, eu tive enxoval. Eram mais livros do que roupa de cama e camisolas, mas era o meu enxoval).

No ano passado enquanto alguns parentes viajavam para a Europa e eu sonhava com uma futura oportunidade peguei o livrinho de lombada salmão. Li num tapa. A leitura me ajudou a relembrar algumas coisas que eu já havia lido em livros de História e Geografia (sem contar os de literatura) e o que eu havia visto em outras viagens. Foi o máximo! O livro não é um guia e nem se pretende a isso (afirmativa feita ainda na Introdução, na página 15). O autor mesmo diz que pretende mudar as prioridades e transformar as viagens em um item muito mais procurado do que carros cheios de equipamentos e coisas (particularmente acho esta mudança bem interessante).

A Europa sempre me fascinou e isso é bem sério. Nossa história, por mais que não queiramos está intimamente ligada ao antigo continente e à sua história. Comportamo-nos, muitas vezes, do jeito que eles nos ensinaram então, para mim, não tem papo: a Europa merece ao menos o sonho e a vontade de conhecê-la.

O texto é simplesmente demais e dá muita vontade de conhecer cada parte deste continente. É engraçado, informativo, apaixonante (como o próprio título já diz). Com ele é possível (pelo menos o foi para mim) como conhecemos pouco de História (a nossa e a dos outros). É também uma ótima oportunidade para jovens jornalistas perceberem as possibilidades profissionais dentro de uma área que, a meu ver, muitas vezes é deixada de lado. Obviamente, Ronny Hein deve ter se metido em muita encrenca e furadas mirabolantes para fazer estas matérias mas ninguém nunca diz para um estudante de jornalismo que a vida de pessoas que correm atrás da informação é fácil (ninguém nunca me disse).

Na verdade, e é para terminar - juro -, serve para pensarmos em como é bom viajar, como se aprende com cada passeio. Claro que o autor falou de Europa, algo um tanto quanto distante para a maioria dos brasileiros, mas muitas vezes não nos dignamos em sair para conhecer a cidade vizinha. Portanto, o livro, mais do que exaltar um continente, fala das maravilhas (ou não) de viajar, de conhecer.


Ah, esqueci de dizer quem é o autor: Ronny Hein (criador das revistas Viagem e Turismo e Próxima Viagem e diretor de redação das Revistas Terra, Próxima Viagem e Relais).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Memórias de leitura

Este post não vai falar de livros mas de uma palestra. Sou aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem (da Unisul de Tubarão). A aula inaugural falou sobre as memórias de leitura e foi ministrada pela professora Eliane Debus. Vou escrever sobre ela porque realmente ela me fez pensar em várias coisas. Foi legal me dar conta das minhas lembranças de leitura e pensar no que escrevo aqui.

Eliane Debus falou de um certo diário de memórias de leitura que, simplificando, é um lugar em que se escreve sobre como lembramos dos livros na nossa vida (infância). Os textos que ela trouxe (de grandes escritores brasileiros) mostram que quando lemos o fazemos não apenas com os olhos, mas com as mãos, os ouvidos, o nariz, com o corpo. Isso explica, por exemplo, o material com que os livros infantis são feitos, os cenários que eles montam ao serem abertos. Essa é uma ideia muito interessantes que nem sempre é pensada por nós. Por mais que gostemos de ler e que sejamos atraídos pelo toque e pelo cheiro do livro não nos demos conta que também é uma forma de leitura.

Aí pensei que talvez este seja o meu espaço de memória da leitura (será?) porque realmente não quero fazer crítica literária, nem resenha ou resumo eu quero simplesmente falar sobre o que eu leio e colocar nos meus textos as minhas sensações sobre eles.

Gostei bastante da palestra neste sentido. Mas a partir de agora o bicho vai pegar!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O filho eterno

Quando, recentemente, ouvi falar sobre Cristóvão Tezza eu pensei: não conheço. Mas é literatura catarinense, nasceu em Lages, me falou o apresentador. Mas eu não conheço, eu acho. Tá, tudo bem mas de que livro queres falar? Eu perguntei. O filho eterno (Record), finalmente me disse.

Soube o enredo da obra: síndrome de Down e semana passada me atrevi a pegar o livro na biblioteca (aliás, boa ideia: falar sobre biblioteca). A capa já nos diz: o livro é muito bom. Esta fala está implícita na quantidade de prêmios que o livro ganhou, listados na capa. Quando fui ler a orelha entendi porque achei o nome do autor conhecido mas não o identifiquei e cismei que não o conhecia. Li o livro Uma noite em Curitiba para fazer o vestibular da UFSC (muito tempo atrás).

A história começa na maternidade e o único nome que realmente fica claro é o do menino que nasce portador de síndrome de Down na tal maternidade no dia 3 de novembro de 1980: Felipe. O livro conta, basicamente, a relação do pai e do filho. É lindo, sensível, por vezes dá raiva do pai, mas ao mesmo tempo não é possível dizer que nunca pensaríamos igual ele (em plena década de 80). Portanto, discute-se o preconceito e as possibilidades de desenvolvimento de portadores desta síndrome. Muitas vezes fechei o livro ou tive que respirar mais fundo para continuar de raiva (confesso).

Além disso, existem os temas paralelos. Abertura política do Brasil, Ditadura Militar, emigração para países da Europa, Revolução dos Cravos... Nossa é tanta coisa que decidi este vai ser um livro que vou usar com meus alunos da área da saúde assim que surgir uma oportunidade. Os do jornalismo já vão usar este semestre... A atividade vai ser bem legal!

Depois de ler o livro fui procurar no site oficial a biografia do autor (www.cristovaotezza.com.br). Fiz isso porque uma coisa me deixou intrigada: durante todo o livro tinha a impressão de estar lendo sobre o autor. Muitas informações batem, mas não vou afirmar com toda a certeza do mundo.

No fim, fiquei muito orgulhosa de ver o talento catarinense. O amigo que me apresentou O filho eterno disse: depois de Cruz e Souza, lá na Bahia, o representante catarinense é Cristovão Tezza.

P.S: quem é pai e mãe sabem que os filhos, independente das dificuldades (genéticas ou não) que tenham, sempre serão eternos... Ótimo título!

domingo, 1 de agosto de 2010

Assassinatos na Academia Brasileira de Letras

Este livro do Jô Soares foi o segundo presente de dia dos namorados que ganhei do meu marido. Fazia tempo que queria ler Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Companhia das Letras) mas vocês já sabem a desculpa que eu vou dar (obras mais urgentes e obrigatórias me esperavam). Mas vou dizer me arrependi de não ter começado de ler antes.

Eu sei que o Jô tem um estilo, digamos, cheio de suspense (li para o vestibular O Xangô de Baker Street – que aliás quero ler novamente para entender melhor porque meu vestibular passou faz tempo!). Particularmente não gosto muito do estilo suspense, mas adoro ler o que (e como) o Jô Soares escreve. Esse foi mais um daqueles que para onde eu ia ele ia junto. Eu não queria perder tempo.

Acho que deu para entender bastante coisa sobre a Academia Brasileira de Letras (é claro que eu sei que nem tudo é verdade) porque sei que pesquisa é fundamental para embasar qualquer obra... então acho que aprendi bastante coisa sobre esta Academia que, ao menos para mim, ainda tem muito mistério.

Ah, é ! As impressões sobre o livro (é essa a nossa intenção, lembra Leio Enleio?). Vamos a elas então.

Os frequentes assassinatos neste local tão requintado despertam a curiosidade e a ansiedade do leitor. É simplesmente apaixonante. Tem tudo que um bom livro deve ter para prender o leitor. Um bom enredo, uma boa linguagem, personagens incríveis, cenas picantes, outras engraçadas. É muito legal!

Acho que meu marido percebeu o quanto eu goste e de aniversário ganhei O homem que matou Getúlio Vargas.

P.S: dificilmente assisto o Programa do Jô porque realmente é muito tarde para a minha rotina mas vira e mexe vou bisbilhotar no You tube algumas entrevistas.