terça-feira, 20 de julho de 2010

Meu momento Dias Gomes

Confesso (como já fiz algumas vezes) que vários clássicos da literatura brasileira nunca tinham passado pelas minhas mãos (salvo, claro, os que li no Colégio). Mas ultimamente a vontade de fazer leituras destes autores está me consumindo. Por isso Jorge Amado está tão presente, Chico Buarque, Jô Soares e Dias Gomes.



Conhecia o autor de telenovelas (é só lembrar de Odorico Paraguaçu interpretado pelo querido Paulo Gracindo). Também tinha algumas ‘visões’ de José Mayer carregando a pesada cruz de O Pagador de Promessas, mas não conhecia direito a obra, o enredo (mas tinha uma foto, feita in loco, da Igreja de Santa Barbara, em Salvador - a foto deste post). Também sabia o que muita gente sabe que Alfredo de Freitas Dias Gomes foi casado com Janete Clair e que nasceu em Salvador (e morou em Cachoeira – cidade do interior da Bahia).



Ai, tempos atrás, quando trabalhava em uma escola, fui chamada pela professora de Literatura (que por acaso foi a minha e eu a amava) para registrar a encenação de um grupo de alunos de O Santo Inquérito. Amei o enredo! Ela me emprestou o livro. Quando cheguei em casa meu marido disse que tinha na nossa prateleira (veio no enxoval dele) e que além de O Santo Inquérito o volume vinha com O Pagador de Promessas. Amei a ideia e parecia que naquele mesmo instante eu o(s) devoraria. Devolvi o livro para minha professora e, acho que justamente por causa desta devolução, não fiz a leitura imediata das obras.





Mas finalmente chegou o grande dia e finalmente peguei o volume 1 da coleção Dias Gomes – Heróis Vencidos (Editora Bertrand Brasil). O livro é bem completo. Além das duas peças teatrais tem uma vasta análise que, particularmente, aconselho que seja lido depois das obras propriamente dita, já que, por vezes quebra a surpresa dos textos. Por causa desta leitura antecipada não me surpreendi com as peças teatrais que li. Mas posso dizer que fiquei angustiada. Nossa, ninguém entendia o que os personagens principais diziam e parecia tão claro.





Tanto em O Pagador de Promessas como em O Santo Inquérito a questão da intolerância religiosa fica muito clara e é óbvio que em vários momentos me perguntei sobre a validade da religião como a temos hoje. Ela parece estar no mundo para que nos sintamos seguros, mas, em muitos momentos, não é assim que nos sentimos diante dela. Aliás, minhas últimas leituras foram muito questionadoras neste sentido (o do esclarecimento e o do questionamento).





Os personagens principais eram tão simples, tão inocentes (como nem sempre podemos ser em um mundo como o nosso.





Especialmente em O Pagador de Promessa a questão da imprensa é abordada com grande primazia. O que é notícia? Como o jornalista ‘cria’ a notícia? O que é verdade? O que é realidade? Por baixo, estas são perguntas que se faz com base na figura do repórter.





Foi ótimo ter lido estas duas obras. Gostaria muito de conseguir ler O Bem-Amado e rir um pouco com “povo de Sucupira”.



4 comentários:

  1. Maravilhoso post... O pagador de promessas, na parte em que Dias Gomes fala do repórter, tudo a ver com as teorias construcionistas do Jornalismo, que veem as notícias como uma construção social.
    Hoje lerei O Santo Inquérito, se a Celesc permitir (episódio da falta de luz que contei, lembra)?
    Beijo!!!!

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  2. Verdade Marília. A imprensa está muito presente nesta obra. Leia O Santo Inquérito, vais gostar e depois apareça por aqui. Um abraço

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  3. Só faltou divulgar que nesta mesma escadaria o músico baiano Gerônimos faz, todas as terças, o seu show O pagador de promessas. Vale a pena conferir! Muito bom o texto e a leitura também. Beijos

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  4. Guto Geraldes, não coloquei porque esqueci o nome do show e assim tinha um motivo para mais um cmentário. Obrigada pela visita e volte sempre.

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