terça-feira, 20 de julho de 2010

Time dos Sonhos

Já li vários livros do Luis Fernando Veríssimo e em quase todos me quebrei de tanto rir. Comédias para ler na escola, Comédia da Vida Privada são apenas alguns exemplos das obras do autor gaúcho que li. Quando trabalhei em um colégio até fizemos adaptações para o teatro e para o vídeo (que menina multimídia eu!).

Ai, este ano (de Copa do Mundo) me atrevi a fazer um projeto de doutorado sobre futebol. Não é à toa que o futebol é o assunto do momento para mim. E foi justamente neste meu momento que, em uma das minhas visitas a uma livraria me deparo com Time dos sonhos – paixão, poesia e futebol, do Luis Fernando Veríssimo (Ed. Objetiva). Redundante dizer que me estourei de rir.

Todas as crônicas do livro foram publicadas em O Globo, Jornal do Brasil, Zero Hora e O Estado de São Paulo entre agosto de 1997 e maio de 2009. Nelas o autor, de certa forma, faz uma retrospectiva dos mundiais e de alguns campeonatos futebolístico dos quais ele participou.

Adorei o texto da orelha do livro que define muito bem a obra e o autor “com seu texto enxuto e elegante, Veríssimo examina os paradoxos do esporte, que vai do épico ao mundano na duração de um passe”. Como toda crônica os textos desta obra são curtos que nos fazem pensar Para que Serve o Futebol (que é o quarto texto e a primeira subdivisão do livro) e no fim nos levam a ideia de que “só o futebol permite que você sinta aos 60 anos exatamente o que sentia aos 6” (p. 25). Alguns textos são muito legais e bastante pertinentes como os Imarcáveis que, conforme o autor, no futebol “quer dizer difícil de marcar, não impossível de marcar” (p. 65) ou o texto que fala sobre os apelidos: já pararam para pensar que zagueiro dificilmente tem apelido – é Juan, Lúcio e não Juanzinho ou Lucinho? Este texto, aliás, pode remeter a um outro o “Zidane l’Africain” que no final lembra que depois do jogo França x Brasil na Copa de 2006 um jornal francês publicou um anúncio que trazia a lista dos jogadores franceses com um ‘inho’ no fim. Mais uma vez nos faz pensar sobre uma série de coisas do futebol atual. Aliás, são textos muito atuais mesmo quando tratam do passado. Impressionante como falou-se do Dunga e quando falou de outros técnicos parecia que era uma crítica aos críticos da última copa.

Para os que não entendem de futebol é uma boa leitura para começar a entender aliás, de maneira bem prática já que quase tudo vem do que vemos na TV e lemos nos jornais. Outras coisas temos que pesquisar. Vários temas certamente pautarão os posts no http://futeboldesaias.blogspot.com .São personagens e momentos que devem ser postados e comentados no mínimo para conhecimentos gerais.

Meu momento Dias Gomes

Confesso (como já fiz algumas vezes) que vários clássicos da literatura brasileira nunca tinham passado pelas minhas mãos (salvo, claro, os que li no Colégio). Mas ultimamente a vontade de fazer leituras destes autores está me consumindo. Por isso Jorge Amado está tão presente, Chico Buarque, Jô Soares e Dias Gomes.



Conhecia o autor de telenovelas (é só lembrar de Odorico Paraguaçu interpretado pelo querido Paulo Gracindo). Também tinha algumas ‘visões’ de José Mayer carregando a pesada cruz de O Pagador de Promessas, mas não conhecia direito a obra, o enredo (mas tinha uma foto, feita in loco, da Igreja de Santa Barbara, em Salvador - a foto deste post). Também sabia o que muita gente sabe que Alfredo de Freitas Dias Gomes foi casado com Janete Clair e que nasceu em Salvador (e morou em Cachoeira – cidade do interior da Bahia).



Ai, tempos atrás, quando trabalhava em uma escola, fui chamada pela professora de Literatura (que por acaso foi a minha e eu a amava) para registrar a encenação de um grupo de alunos de O Santo Inquérito. Amei o enredo! Ela me emprestou o livro. Quando cheguei em casa meu marido disse que tinha na nossa prateleira (veio no enxoval dele) e que além de O Santo Inquérito o volume vinha com O Pagador de Promessas. Amei a ideia e parecia que naquele mesmo instante eu o(s) devoraria. Devolvi o livro para minha professora e, acho que justamente por causa desta devolução, não fiz a leitura imediata das obras.





Mas finalmente chegou o grande dia e finalmente peguei o volume 1 da coleção Dias Gomes – Heróis Vencidos (Editora Bertrand Brasil). O livro é bem completo. Além das duas peças teatrais tem uma vasta análise que, particularmente, aconselho que seja lido depois das obras propriamente dita, já que, por vezes quebra a surpresa dos textos. Por causa desta leitura antecipada não me surpreendi com as peças teatrais que li. Mas posso dizer que fiquei angustiada. Nossa, ninguém entendia o que os personagens principais diziam e parecia tão claro.





Tanto em O Pagador de Promessas como em O Santo Inquérito a questão da intolerância religiosa fica muito clara e é óbvio que em vários momentos me perguntei sobre a validade da religião como a temos hoje. Ela parece estar no mundo para que nos sintamos seguros, mas, em muitos momentos, não é assim que nos sentimos diante dela. Aliás, minhas últimas leituras foram muito questionadoras neste sentido (o do esclarecimento e o do questionamento).





Os personagens principais eram tão simples, tão inocentes (como nem sempre podemos ser em um mundo como o nosso.





Especialmente em O Pagador de Promessa a questão da imprensa é abordada com grande primazia. O que é notícia? Como o jornalista ‘cria’ a notícia? O que é verdade? O que é realidade? Por baixo, estas são perguntas que se faz com base na figura do repórter.





Foi ótimo ter lido estas duas obras. Gostaria muito de conseguir ler O Bem-Amado e rir um pouco com “povo de Sucupira”.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Identidade Cultural na pós-modernidade

Particularmente nunca tinha lido Stuart Hall. Meu marido começou a lê-lo no ano passado para uma prova do doutorado. O livro foi A Identidade Cultural na pós-modernidade (DP&A). Este ano, pelo mesmo motivo foi a minha vez de degustar a obra. Para os que se prendem à páginas já aviso que não é nada muito grande: noventa e sete páginas. Lembro, no entanto, que se trata de uma obra teórica.

Eu simplesmente adorei ter lido esta obra e acho que todos deveriam ler (está ficando repetitivo esta recomendação, eu sei!). Ele ajuda a entender o mundo maluco em que estamos vivendo e estas confusões de identificação e identidade que de vez em quando nos assolam. Discute globalização, movimentos sociais e tantas outras coisas que ajudaram a construir nossas identidades nos dias atuais.

Perto do outro que li para a mesma prova este livro é ‘facim-facim’. Os dois são ótimos e foram duas obras bem importantes para mim em vários sentidos. Na verdade não tenho muito o que comentar sobre este livro (e também tenho muito - contradição né?) só que ele é muito bom e tem vários conceitos muuuiiiiiiittttoooooo legais. Acho que por ter sentido tanta dificuldade na leitura deste (como senti no outro) escrever sobre ele me parece mais simples...

Tá, é isso.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Raízes do Brasil

Eu sei, não precisa falar: Raízes do Brasil (Companhia das Letras) de Sérgio Buarque de Holanda é um dos clássicos que nos explicam e por isso devíamos ler na adolescência (nossa peguei pesado agora). Isso, como já disse, eu sei o negócio é que mesmo sabendo eu não li assim cedo, até quis, mas não consegui, ainda, bater uma meta estabelecida por mim mesmo no final de 1998, para ler alguns clássicos (entre eles a obra aqui citada).


Raízes do Brasil me foi apresentado, assim pessoalmente, na faculdade de História por um dos grandes professores com quem tive a honra e o orgulho de aprender muito: professor Claudio Paz. Foi só um texto, um capítulo, para um trabalho. AMEI! Vocês não têm noção como fiquei louca para ler este livro. Mas é aquele tal negócio: sempre tem um mais urgente. Ai, terminei o curso e comprei o livro. Quando estava no final da gravidez comecei a ler e quando o bebê chegou era ele que eu estava lendo. Era engraçado, porque antes de dormir eu sempre pegava o livro para ler e lia alto e o pequeno prestava atenção (claro que não por mais de uma página). Mas posso dizer que foi a primeira historinha que ele ouviu. Quem via se matava de rir com a cena.


Mas vamos ao livro.


Ele é realmente extraordinário. EU lia e dizia: “sabe que é verdade!” Ou “Ah, ta, agora entendi!”. Nele nos vemos (pelo menos eu me vi). É muito interessante as relações que Sérgio Buarque de Holanda faz. Ele mostra que realmente a História não é só uma matéria que estudamos na escola ela é a fotografia da sociedade e por causa disso não se restringe as grandes decisões políticas (elas são apenas o ponto que parece ser o final).



Quer ver uma coisa que nunca tinha me dado conta? A sociedade do açúcar é uma sociedade essencialmente agrária já na do café vemos um Brasil mais urbano. Na primeira cultura a cidade aparecia apenas como um complemento do meio rural. Com o café as cidades “proclamaram finalmente sua vida própria e sua primazia” (p. 172). Isso dá para ver em novelas e filmes, mas nunca ninguém nos deixou claro isso e vamos dizer que, mesmo para alguns estudantes de história – e eu me incluo aqui – esta relação nem sempre é possível.


O capítulo que li na aula mesmo foi muito bom! O semeador e o Ladrilhador. Nossa como vemos esta influência nas nossas cidades! Como ainda somos tão ligados a tudo isso que nos deixara! E não adianta dizer que são apenas os que estão diretamente ligados aos antepassados portugueses, africanos e indígenas não. Somos todos nós, todos os brasileiros.



Eu já sabia, e na verdade todos os brasileiros conscientes de seu papel neste país maravilhoso sabem disso: precisamos nos conhecer, nos entender mais. Só assim podemos melhorar.




P.S: Achei nas minhas pesquisas um site que parece bem legal que fala de Sergio e Chico Buarque (pai e filho) e que os coloca como intérpretes do Brasil. Não li todo, mas acho que vale a pena uma olhadinha.