sexta-feira, 14 de maio de 2010

Neste mundo somos cartas quaisquer ou curingas?

Há muito tempo li O mundo de Sofia, não lembro direito dele e para escrever sobre terei de ler novamente, mas depois dele vi o lançamento de O dia do Curinga (Cia. Das Letras), do mesmo autor. Sempre quis ler, mas nunca dava certo. Nestas férias decidi que seria a hora. Encontrei-o em uma das bibliotecas que freqüento e não perdi tempo. Mas entre um livro técnico e Dona Flor e seus dois maridos não consegui nem pegar na mão O dia do Curinga que voltou para a mesma prateleira. Dois meses depois fui procurá-lo e desta vez para valer. Acabei ontem a leitura.

Nunca nem imaginei o motivo do nome. Um colega uma vez me disse que se tratava de filosofia (como O mundo de Sofia), mas nunca consegui fazer a relação entre um curinga e a filosofia. Agora posso dizer: só lendo o livro para entender.
A história do mundo dos baralhos e a diferença entre as cinquenta e duas cartas e o curinga são fantásticas. Durante a história uma coisa que me perguntei muito foi: o que eu sou neste mundo: Um curinga? Com que carta me pareço? Quem é deus (ou Deus)? Será que precisamos de alguma fórmula para nos sentirmos vivos ou tudo que tomamos que nos tira deste mundo simplesmente nos faz esquecer a realidade? Isso tudo enquanto lia sobre filosofia (aliás, esta é uma das características do conhecimento filosófico: o questionamento). E pensa que foi difícil? Nada, foi fácil e maravilhoso. A única coisa que me complicou um pouco foi quando Hans – Thomas lê sobre as divisões de tempo com os baralhos (é, a matemática nunca foi o meu forte!).

Por falar em tempo esta foi uma boa discussão do livro: “O tempo não passa, Hans – Thomas, e não é um relógio. Nós passamos e são os nossos relógios que fazem tique-taque. O tempo vai devorando tudo através da história, silenciosa e inexoravelmente, como o sol se levanta no Leste e se põe no oeste. Ele destrói civilizações, corrói antigos monumentos e engole gerações atrás de gerações. Por isso é que falamos dos ‘dentes da engrenagem do tempo’: o tempo mastiga, mastiga... e somos nós que estamos no meio de seus dentes”.
Na obra de Jostein Gaarder é possível como o próprio Hans – Thomas falas nas páginas finais ter a “sensação de ter passado os olhos em toda a história da humanidade. Isso era a grande paciência”. Se em algum momento eu achei que não dava para aprender filosofia sem ler livros chatos esta foi uma impressão que já não existe mais desde O mundo de Sofia e confirmada agora com O dia do Curinga.

6 comentários:

  1. Mais um livro que vai para minha lista de aquisições. Fiquei muito curiosa! Tenho que aprender a controlar esses impulsos ou minha conta bancária não vai resistir hehehehe

    Já que o assunto é Filosofia. Minha leitura de final de semana (se tudo correr bem) é "A Filosfia de Andy Warhol". Depois te conto o que achei.

    beijão e bom final de semana

    ResponderExcluir
  2. Ai, já vi este livro algumas vezes na livraria, mas como você tenho que controlar meus impulsos, se não lá se vai conta bancária!

    Um abraço e bom fim de fim de semana!

    ResponderExcluir
  3. Que bom Atitude: substantivo feminino! Esta é a ideia, gerar a curiosidade e a vontade de ler. Um super abraço!

    ResponderExcluir
  4. Amei, Clau... o Dia do Coringa está na minha lista. Por enquanto, estou me divertindo, e muito, com as aventuras (e desventuras) de Dona Flor e seus dois maridos... Leitura deliciosa!
    Beijo!!

    ResponderExcluir
  5. Que bom Marília. O livro que estais lendo é realmente muito legal! Quando terminares não esqueça de comentar aqui no Leio Enleio. Volte sempre! Um forte abraço.

    ResponderExcluir