sábado, 22 de maio de 2010

CONFESSO QUE VIVI

Pablo Neruda (nascido Nefatli Ricardo Reyes Basoalto) foi um dos grandes poetas/escritores do século XX. Nascido no Chile, morre na terra natal em 23 de setembro de 1973 dias depois da queda do Governo da Unidade Popular e da morte do presidente Salvador Allende (Lembrando que a ditadura chilena tem como principal representante o general Augusto Pinochet). Lembro que uma das primeiras vezes que escutei falar de sua poesia foi no clássico do cinema italiano O Carteiro e o Poeta (por falar no filme chegou na minha prateleira um livro chamado Neruda por Skármeta. Antonio Skármeta é autor de O Carteiro e o Poeta).

Anos mais tarde, já fazendo o curso de História entrei em contato com um texto de uma linguagem sensível e apaixonante. O texto foi utilizado pelo professor Claudio Damaceno para mostrar como utilizar a linguagem literária, cinematográfica, musical e histórica para contar um mesmo fato, como uma aula assim pode ficar gostosa! O tema proposto era a Ditadura Chilena. Para ilustrar a aula uma música, um curta metragem, um texto histórico de formato bem tradicional, digamos assim, e parte do livro Confesso que Vivi (Editora Bertrand Brasil).

Depois de tudo bem discutido, lido e relido e, claro compreendido, fiquei com muita vontade de ler o livro. Aquele texto sobre a Ditadura foi fascinante! E, quando o professor mostrou a capa da obra, o sorriso de Neruda me cativou e assim que encontrei o livro comprei-o. Trata-se de uma obra autobiográfica que, como todas elas, misturam um pouco da história e geografia dos lugares por onde a pessoa que conta sua história passou. É muito gostoso ver que pessoas conhecidas como Pablo Neruda possuem lembranças da infância como nós. Que lhes encanta os cheiros e sabores de um tempo que já não volta mais. Não há também a dureza de textos didáticos que não trazem o sentimento de uma nação, de uma época (e este é um dos motivos pelos quais adoro auto biografias ou livro de memórias – como queiram chamar). Outra coisa que falta em obras como esta é a frieza quase sempre existente em biografias em que o autor não tem o devido envolvimento com a pessoa biografada ou com os momentos vividos por ela. A linguagem aqui é própria do texto literário. Impossível não se encantar. Quase como um diário secreto em que o autor diz que viveu tudo com a intensidade própria de cada período. Para quem lê e se sente envolvido com a obra há realmente a sensação de confessionário.

11 comentários:

  1. Que legal. Neruda também tinha seus "cheiros de borracha"... ah infância...

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  2. Também adoro biografias, mas concordo que algumas são frias e sinto falta do punho do autor.

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  3. Obrigada pela visita J.Colin. Realmente os "cheiros de borracha" estão na infância de muita gente.

    Atitude:substantivo feminino: que bom te ver por aqui novamente! Sinceramente acho que todo biógrafo deveria se envolver mais com o biografado, para que esta distância fosse menos aparente!

    Um forte abraço

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  4. Confesso...
    confesso que amei teu comentário... Neruda é deveras especial. Os "cheiros de borracha" por ele valorizados fazem parte da vida de todos nós. Da minha, da sua, da vida da personagem Amélie Poulain, de quem falo no post de meu blog nesta semana.
    Forte abraço e continue prestigiando o Claquete dez.
    Beijos

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  5. Obrigada pelo comentário Marília. Neruda é muito bom e este livro é especial para mim. Pode deixar que vira e mexe estarei no claquetedez.blogspot.com

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  6. Oi Cláudia!!!Que belas sugestões de leitura!Já li "A menina que roubava livros" e "O menino do pijama listrado",amei os dois!!Leio muito também e o último livro que li foi "O castelo de vidro".Conta a história real da vida de uma jornalista. Ela mesma escreve o livro.Vale a pena!!Beijos!!Rosana

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  7. Oi Rosana, que visita boa. Os livros que lesse também estão por aqui e ficaria feliz com os teus comentários sobre eles. Venha sempre. Obrigada pela dica.Ela está anotada. Um abraço cheio de saudades.

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  8. Adorei essa sugestão. Conheço muito pouco a obra do Neruda. Bj

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  9. Eu também não conhecia muito e depois de Confesso que vivi quero ler mais sobre ele. Fiquei super fã. Bjos e venha sempre.

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  10. Olá amiga, adorei seu espaço, cheio de informações interessantes.Um beijo grande, fiquei feliz det~e-la como amiga

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  11. Que bom que gostasse do espaço Luciana. Venha sempre que quiser. Vira e mexe estarei lá no seu espaço. Um abraço.

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