domingo, 14 de março de 2010

Podemos costurar o invisível?



Uns cinco anos atrás fui em uma palestra com o estilista Jum Nakao. Ela foi simplesmente demais! Não só com respeito ao que Jum Nakao dizia sobre a criação da coleção, mas também o formato da apresentação que ele ministrava em Tubarão, tudo foi demais! Depois disso descobri que a editora Senac havia publicado o livro A costura do Invisível, na época não consegui comprar. Mas semana passada fui em uma biblioteca e a bibliotecária me mostrou uns livros que haviam acabado de chegar, entre eles estava A costura do invisível. Preciso dizer que não mais que correndo peguei o livro e não vi a hora de chegar em casa para começar a ler?
Acabei de terminar e não tenho palavras para dizer o que é este livro. Tinha tudo para ser apenas um livro técnico que descrevia de onde vieram as inspirações para a coleção, como foram feitos as modelagens com o papel ou como ele foi costurado. Não é nada disso e é tudo isso ao mesmo tempo!


Até que o livro segue uma ordem inicial previsível: tem sumário, tem a nota dos editores, agradecimentos, mas a partir de Cartografia do invisível escrito por Jum Nakao (que parece a introdução) tudo muda.... O texto dele é demais. Uma das coisas que ele coloca no texto: “Papel: lugar do esboço, das anotações e parte do processo criativo, matéria frágil, transitória e sensível à ação do tempo. Uma obra branca, inacabada, vazia, apta a ser impregnada de significados, de poesia, da leveza necessária para a obra fluir”. O que explica o uso do papel para esta coleção. Depois disso são recortes de vários textos, de vários autores que nos levam a pensar o que é o invisível: a respiração, o zero, o silêncio... O que é o invisível na moda? Ele nos faz refletir sobre isso que parece tão real.


A experiência deste livro é indescritível. Ele é ousado, lindo, poético, criativo, contemporâneo e gostoso de ser lido. No final ainda traz como o Playmobil foi inventado (por causa do aumento do petróleo). Na passarela foi usado para dar o tom lúdico e recordar a infância. Quem tiver a chance leia, é demais. Agora quero ver o DVD.

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