sábado, 27 de março de 2010

Dia Internacional do Livro Infantil

A data será comemorada no dia 2 de abril. Vou me adiantar um pouco e postar um texto sobre um livro que li em 2009.

Para contar história é preciso ler...

Então vamos aos livros infantis. É bom explicar que sempre gostei de criança. Várias amigas já me perguntaram por que eu não fiz pedagogia e me especializei em crianças. Adoro estes pequenos! Além deles adoro as histórias feitas para eles. Quando criança adorava ouvir de meus pais (ou de quem quer que fosse) e contar para as bonecas. Depois que cresci um pouquinho comecei a contar para as minhas irmãs e era muito divertido. Apesar disso, vários ‘clássicos’ infantis eu nunca havia lido, alguns nem conhecia a história direito. Quer um exemplo: O pequeno príncipe (Editora Agir). Conhecia bem mais ou menos o enredo. As vezes alguém me lembrava que “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas” era dessa obra. Mas nunca havia lido de fato. Meu pequeno até já tem uma versão em alemão, que ganhou de uma das tias, e eu ainda não tinha lido em português. Me sentia na obrigação pelo menos para tentar contar a história na versão estrangeira sem saber a língua em questão.

Ai, com a barriga crescendo a gente se empolga com coisas de criança e o meu marido encontrou na livraria o tal livro. Comprou. Eu imediatamente pensei: hora de ler. Gostei muito. É forte, criativo e nada, nada cansativo. Em vários momentos fiquei pensando como esse livro pode ser considerado infanto-juvenil... o tema é muito adulto. Mas a abordagem é fantasiosa, lúdica. É isso que deixa o livro interessante para os mais novos e o mesmo motivo deve fazer muito adulto pensar que ‘não tem nada a ver’. Confesso que o final é meio chocante: não se espera um final daqueles em livros para os pequenos. Me fez pensar sobre um monte de coisa, rever conceitos e formas de ver o mundo. Nossa, foi tudo de bom!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Os últimos quarenta anos do Brasil 2

Com estes livros acabei entrando em outro, que já estava na minha estante a um tempo, mas outros apareciam na frente para serem lidos: A década de 80 – Brasil: quando a multidão voltou às praças (Série Princípios, Editora Ática). Na verdade fui lê-lo porque uma aluna minha do curso de jornalismo queria fazer um artigo sobre a música na década de 80. Ela queria apresentar este período como um período em que as músicas de protesto apareceram com força e abertamente, afinal a abertura política estava sendo feita, a ditadura acabava de forma ordenada, lenta e gradualmente, mas acabava. Não havia mais censura e a reunião de pessoas nas praças voltava a ser possível.

Como todos os livros da série Pincípios ele é pequeno, são 66 páginas sem contar a bibliografia comentada e sem o vocabulário crítico (que, aliás, é uma ótima ideia), também não é demorado de ler e é interessante para relembrar algumas coisas que marcaram nosso país na década da novela Vale Tudo(algumas eu lembrava, afinal os dez primeiros anos da minha vida foram passados nesta década, e outras eu misturava, já que eu era pequena quando tudo aconteceu) . O legal de ler os três livros quase na mesma época é que a cronologia ficou mais fácil e linear (parecia escola, ontem terminamos o assunto tal e hoje começaremos o seguinte, em ordem cronológica) e, por mais que para muitos isso seja o menos importante, é bom que isso aconteça em alguns momentos para percebermos que há uma ligação entre as décadas.

Os últimos quarenta anos do Brasil 1

A história está no coração. É a história do Brasil, da Europa, a Antiga, a Contemporânea. Sempre amei a disciplina de História no colégio e depois do curso de jornalismo e com a desculpa de que era essencial para a produção da minha dissertação comecei a fazer o curso de História. Me formei em 2008. Ai sempre tem aqueles livros que os professores citam, dizem que todo o historiador tem de ler ou simplesmente que é muito interessante: tenho uma lista deles (mais uma da minha vida!)! Pois é, em 2008, quase no final, vi nas livrarias dois que faziam parte desta tal lista: 1968: o ano que não acabou e 1968: o que fizemos de nós (os dois da Editora Planeta do Brasil), ambos do jornalista Zuenir Ventura. Digamos que são dois clássicos dos Anos de Chumbo. Aliás, antes de falar sobre os livros gostaria de dizer que adoro o tema: Ditadura Militar bem como Segunda Guerra Mundial, mas me apavora o que a humanidade pode fazer quando tem alguma desavença consigo mesma. Leio estes livros para não esquecer e não permitir que volte a acontecer!

Mas voltando aos livros. Sempre quis lê-los e 2008 foi o ano em que o livro comemorou quarenta anos, pelo menos o ano a que ele se referia: o ano do AI 5, portanto grande oportunidade para lê-lo. Gostei. Não que seja um tema pouco conhecido, pelo menos para os estudantes de história, mas a forma como é abordada, os personagens que aparecem (que não são de fixão, são bem reais e muitos estão por ai ainda), minha admiração por todos eles aumentou e a ligação que é possível fazer com o presente é muito legal! Sinceramente em vários momentos eu tive a impressão de estar ouvindo as histórias das próprias pessoas e me deu vontade de dar um forte abraço em todos. Os traumas pessoais de cada um que aparece no livro não foram só deles, foram da sociedade brasileira, mesmo que, muitas vezes, ela não tenha consciência disso!

Depois de ler estes livros fica ainda mais inconcebível achar ou ter um vago pensamento de que aqueles foram anos tranquilos ou que aquelas pessoas faziam parte de grupos ‘terroristas’. Fica também a pergunta: o que a minha geração está fazendo para melhorar essa realidade? O que queremos deixar para os nossos filhos? A geração dos nossos pais fez alguma coisa por mim, por nós, mas e agora? Depois deles? Todos os dias aparecem casos de corrupção em todas as esferas e ninguém vai preso e as vezes até ganham eleições com grande votação. Cadê a juventude deste país? Cadê a indignação do brasileiro?

quarta-feira, 17 de março de 2010

VIDAS SECAS

Sempre quis ler este livro. Meu primeiro encontro com ele foi ainda no Ensino Médio, nas aulas de Literatura. Não o li, mas descobri mais ou menos do que se tratava. Mas uma coisa é saber mais ou menos do que a obra fala e outra bem diferente é entrar nos meandros da história que é narrada nas páginas de um livro.

Finalmente, em 2009, li Vidas Secas, de Graciliano Ramos (editora Record) um clássico da literatura brasileira. Para os que se apegam ao número de páginas não é assustador. Mas seu conteúdo... ah, o conteúdo! Não é um livro difícil de ler, mas é denso. Trata da vida de uma maneira incrível: nem todas as personagens têm nome (a mais conhecida é a cachorra Baleia, que foi lembrada nos primeiros capítulos da novela da Rede Globo Senhora do Destino, e o pai da família: Fabiano), o lugar geográfico é seco (e confesso que quando escutei falar da obra lá no Ensino Médio achava que era só o lugar que era seco) e a vida das personagens da trama é extremamente seca.

Tudo isso me fez pensar nas várias vidas que passam por este mundo de maneira seca. Nada a questionar, nenhum diálogo a ser travado com quem quer que seja, só a sequidão dos monossílabos. Nem lágrimas, nem sorrisos.

O livro me disse que a busca por água e comida vai muito além do material e me lembrou Titãs: ‘a gente não quer só comida’ para o corpo, a gente quer comida para a alma também! Confesso que no início achei chato, mas não porque a linguagem era chata, mas porque me deixava triste... mas a literatura e a obra de arte de uma maneira geral são assim: não nos mostra apenas a alegria também reflete a tristeza de uma sociedade. Então, fica a sugestão.

domingo, 14 de março de 2010

Um livro

"Um livro não é apenas um fragmento do mundo, ele próprio é um pequeno mundo. O livro é uma miniaturização do mundo, que o leitor habita. [...] benjamin evoca o seu êxtase de criança: 'Não líamos apenas os livros; morávamos, habitávamos entre suas linhas.'" (Susan Sontag apud Jum Nakao em A costura do Invisível)

Podemos costurar o invisível?



Uns cinco anos atrás fui em uma palestra com o estilista Jum Nakao. Ela foi simplesmente demais! Não só com respeito ao que Jum Nakao dizia sobre a criação da coleção, mas também o formato da apresentação que ele ministrava em Tubarão, tudo foi demais! Depois disso descobri que a editora Senac havia publicado o livro A costura do Invisível, na época não consegui comprar. Mas semana passada fui em uma biblioteca e a bibliotecária me mostrou uns livros que haviam acabado de chegar, entre eles estava A costura do invisível. Preciso dizer que não mais que correndo peguei o livro e não vi a hora de chegar em casa para começar a ler?
Acabei de terminar e não tenho palavras para dizer o que é este livro. Tinha tudo para ser apenas um livro técnico que descrevia de onde vieram as inspirações para a coleção, como foram feitos as modelagens com o papel ou como ele foi costurado. Não é nada disso e é tudo isso ao mesmo tempo!


Até que o livro segue uma ordem inicial previsível: tem sumário, tem a nota dos editores, agradecimentos, mas a partir de Cartografia do invisível escrito por Jum Nakao (que parece a introdução) tudo muda.... O texto dele é demais. Uma das coisas que ele coloca no texto: “Papel: lugar do esboço, das anotações e parte do processo criativo, matéria frágil, transitória e sensível à ação do tempo. Uma obra branca, inacabada, vazia, apta a ser impregnada de significados, de poesia, da leveza necessária para a obra fluir”. O que explica o uso do papel para esta coleção. Depois disso são recortes de vários textos, de vários autores que nos levam a pensar o que é o invisível: a respiração, o zero, o silêncio... O que é o invisível na moda? Ele nos faz refletir sobre isso que parece tão real.


A experiência deste livro é indescritível. Ele é ousado, lindo, poético, criativo, contemporâneo e gostoso de ser lido. No final ainda traz como o Playmobil foi inventado (por causa do aumento do petróleo). Na passarela foi usado para dar o tom lúdico e recordar a infância. Quem tiver a chance leia, é demais. Agora quero ver o DVD.

sábado, 6 de março de 2010

Sombra, livro e Barcelona



Estava passeando pelo olivreiro.com.br e vi uma lista de comentário/discussão sobre o livro A sombra do vento. Me deu vontade de reler, como isso fica um pouco difícil neste momento decidi relembrá-lo escrevendo sobre este livro. Então lá vai...


Dois mil e oito foi um ano em que li muita coisa boa, na verdade poderia dizer que ‘devorei’ muita coisa legal. A literatura correu solta na minha mesa de cabeceira, principalmente nos primeiros meses do ano. Uma delas foi 'A sombra do vento', de Carlos Ruiz Zafon (Editora Suma de Letras). Sabe aquele encantamento em que o mundo ao redor para? Pois é, foi isso que aconteceu entre eu e este livro. Ganhei este livro de formatura da família de um dos meus tios. Parece que eles adivinharam. Adoro histórias que contam um pouco de História, que fazem relação mesmo. E essa narrativa escrita em um ritmo eletrizante e de maneira envolvente e contagiante com graça, drama, suspense e aventura tem bem esta característica.


Tudo acontece na Barcelona franquista da primeira metade do século XX, entre a alegria do modernismo e as trevas do pós-guerra. O ano em que tudo começa é 1945. Daniel Sempere está completando 11 anos. Seu pai, ao ver o filho triste por já não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe falecida, lhe dá um presente inesquecível: A visita a um lugar misterioso, onde estão reunidas obras abandonadas. O lugar fica no centro histórico da cidade. O Cemitério dos Livros Esquecidos é conhecido de poucos barceloneses. É uma biblioteca secreta e cheia de labiritos. Lá as obras ficam à espera de que alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de 'A Sombra do Vento', do também barcelonês Julián Carax. Daniel fica encantado com o livro e começa a fazer grandes descobertas sobre o autor, inclusive que tem gente que queimando todos os seus exemplares.


Entre uma ida e outra a biblioteca a história de Daniel também nos leva a conhecer um pouco mais dos horrores desse período da história da humanidade e da história da Espanha. Ele anda por tantos lugares, as descrições são tão bem feitas que eu tinha a impressão de estar em Barcelona, hoje diria que eu parecia com os bonequinhos do Backardigans porque minha casa, ou qualquer outro lugar em que eu estivesse se transformava em Barcelona. Adoro livros assim! Não foi a toa que logo em seguida li outros dois livros com grandes referências históricas: A menina que roubava livros (Editora Intrínseca) e Era no tempo do rei (Alfaguara). Outro dia conto como foram estas experiências...

Lista de Livros

Durante a faculdade de jornalismo uma professora solicitou uma redação falando sobre cada um de nós, cada um tinha que se descrever, dizer se trabalhava, onde, onde morava estas coisas que os professores pedem quando querem conhecer os alunos nos primeiros dias de aula. Entre outras coisas disse que adorava ler e, por alto, disse quantos livros havia lido naquele ano, mesmo trabalhando muitas horas por dia, estudando e ainda namorando, foram muitos livros. Juro, me espantei comigo mesmo. Mas nunca parei para contar e para escrever quantos e quais livros já havia lido. Eu lia e quando alguém comentava, eu comentava junto...

Ai, um dia, fazendo uma lista de supermercado na casa da minha mãe, comentei dois ou três livros que havia lido (sabe aqueles assuntos que pedem para você dizer: ‘pois é, li isso estes dias...’). Então coloquei o nome dos tais livros do outro lado da folha da lista de compras. Se não me engano isso foi no fim de 2007. Essas listas já não existem mais, nem a de compras nem a de livros. Em 2008 comecei a anotar na agenda. Na verdade eu fiquei curiosa em saber quantos livros eu conseguiria ler em um ano. Foram 20. Achei que poderia aumentar esta meta. E, ai entramos na lista de 2009 que ficou em 30.

Cada livro virava um assunto de família. Eu comentava com a minha mãe, com o meu marido, com as minhas irmãs e a lista ficava lá escondida eu só dizia que já tinha lido tantos, normalmente quando eu terminava mais um, porque vamos combinar terminar um livro é muito bom, sensação de dever cumprido e as vezes um vazio que pede outro livro. Um dia me perguntaram como eu sabia dos números. Falei da lista. Meu marido disse: nossa que legal, assim dá para fazer o comentário sobre ele, como um fichamento e resgatar as suas impressões quando for reler ou coisa assim. Eu nunca tinha pensado nisso e achava que não ia conseguir fazer isso nunca.

Mas sabe quando a cabeça começa a pensar demais nas coisas que se lê e se vê? Pois é. Estou nesse estágio. Preciso escrever porque se não haja amigo imaginário para tanto papo! Meu marido sozinho não iria aguentar. Ai, decidi que iria por no papel, ou na tela, um pouco das minhas impressões sobre os tais livros. Não pretendo que eles estejam na ordem lida e nem que sejam consideradas críticas literárias. São apenas impressões. Vamos ver o que sai.