segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Hoje é dia de Maria

Nestes últimos três meses, entre um TCC e outro e entre um texto de Estudos Culturais e outro de Teoria da Literatura, eu li os roteiros da 1ª e da 2ª jornada da série Hoje é dia de Maria. A obra é de Carlos Alberto Soffredini, autor de mais de vinte textos de teatro que faleceu em outubro de 2001. Os roteiros foram escritos por Luís Alberto de Abreu e de Luiz Fernando Carvalho.

A série eu vi em DVD, e só vi a primeira jornada. O livro estava em casa e depois de ser emprestado para uma aluna e ficar algum tempo fora de casa ele voltou para a prateleira. A leitura começou em ótima hora! Justamente no momento em que eu comecei as disciplinas de Estudos Culturais e Teoria Literária. Elas me fizeram ver o livro com outros olhos e o livro me ajudou a preparar o seminário de Teoria Literária.

A história é a maior maluquice. Parece literatura de cordel e também O auto da Compadecida (com menos gargalhadas). A presença de culturas que não fazem parte da brasileira é grande. Mas como diriam minhas queridas professoras é aquele local cinza do encontro entre duas culturas. Não há, em Hoje é dia de Maria, a negação da cultura europeia mas há a releitura, a apropriação da outra cultura (Hibridismo? É isso professoras?). Talvez o momento em que isso fique mais claro é o do baile (que é da própria Cinderela). Na segunda jornada por vezes fui parar em O mágico de Oz e em Alice no País das Maravilhas. Ou então vai a Karl Marx e Marshall Berman com “tudo o que é sólido desmancha no ar” (p. 454) ao falar da loucura que é o mundo moderno e, porque não (talvez realmente não seja), e a correria imposta pelo capitalismo. Além disso, há também a conversa com outras obras brasileiras como a passagem dos retirantes que lembra muito a obra de Portinari ou na passagem de um certo defunto e de um certo homem de olhar triste que me lembrou muito Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

Segundo a orelha do livro, que explica o autor “em Hoje é dia de Maria há um estudo dialetal que revela a expressão do caipira por meio de seu universo, seus causos e seu vocábulo específico, e reafirma sua busca da oralidade na dramaturgia”. E é bem isso.

Dizer que a gente passa a leitura toda torcendo por Maria parece redundante. Dizer que dá a impressão que se passa no sertão nordestino, mas ao mesmo tempo parece que é em todo o Brasil, em qualquer lugar mesmo nas “franja do mar” também. Não tem o que ser mais brasileira e mais multicultural.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Trabalhos de Conclusão de Curso

Este post é um agradecimento, um pedido de desculpas e uma reflexão. Um agradecimento aos alunos que toparam ser avaliados em suas bancas e aos que toparam se orientados por mim neste semestre. Um pedido de desculpas porque, afinal de contas, foi por conta destes TCCs que eu não escrevi mais neste espaço e, por fim, uma reflexão sobre o misterioso e temido Trabalho de Conclusão de Curso (ou monografia) presente na maioria dos cursos de graduação do país.

Neste semestre a primeira turma de Jornalismo da Faculdade Satc, de Criciúma (SC). Eu orientei dois e fui banca de outros quatro. Adorei! Dá trabalho mas se aprende muito!

Vocês devem estar se perguntando por que estou falando disso em um blog de livros? A resposta é simples: ler TCCs é como ler livro. Sério! É claro que quando a leitura é deste tipo de trabalho há um olhar de avaliador mas é inevitável aprender e descobrir coisas com eles. Foi justamente isso que falei para uma das alunas que avaliei: é muito bom ler TCC quando aprendemos alguma coisa.

Desde que entrei na vida acadêmica descobri algumas coisas sobre este assunto. A primeira é que não dá para ficar tanto tempo falando de uma coisa que não se gosta. Então, se algum dos meus leitores está na fase de começar a pensar nisso lembre-se: goste e goste muito do que irá tratar. Talvez esta seja a principal dica, o principal conselho o principal tudo que se possa para quem está pensando em um trabalho deste tipo. A relação com o orientador também conta muito. O nervosismo é normal (mais que normal, aliás), mas quem faz o trabalho não tem problema nenhum.

O fato é que já diz o ditado que sempre deixamos alguma coisa de nós no caminho dos outros e levamos conosco um pouco do outro. E isso, de certa forma fica marcado dentro destes trabalhos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Lá no alto das nuvens

Era para ser o post do Dia das Crianças, mas o feriado (e o mês) foi curto para tudo o que eu tinha (e queria) fazer. Mas como alguns os outros livros destinados ao público infanto-juvenil que já postei este pode ser lido a qualquer hora por qualquer pessoa, crianças dos oito aos oitenta.

Trata-se de Lá no alto das nuvens, de Paul McCartney, Geoff Dunbar e Philip Ardagh. No Brasil a tradução de Ruth Rocha e foi publicado pela editora Planeta.

Amei saber que o ex-beatle tinha livros para as crianças (Lá no alto das nuvens não é o único). Ele tem até filmes de animação. Dos três autores, pelo menos para mim, ele é o mais conhecido mas o currículo dos outros dois autores não é ruim . Mas antes de qualquer mal entendido gostaria de dizer que eu também não tenho esse mundarel todo de referências para afirmar isso como uma certeza pura e inquestionável.

Como quase tudo que é dirigido ao público pequeno e, normalmente também nas obras em que este público tem um presença marcante, a sensibilidade é o que me pega. Trata-se de temas fortes de maneira muitíssimo delicada. Tenho certeza que isso não é fácil (e eu já tentei). Especificamente este livro trata de animais, são eles os personagens (coisas do mundo infantil em que animais e objetos ganham vida). Eles lutam para conter a malvada Gadolfa que destrói florestas para expandir seus negócios e aprisiona animais para que trabalhem em suas indústrias. Mas há um refúgio: Animália. Uma ilha em que nem armas existem porque a paz e a alegria reinam o tempo todo.

O protagonista da história é Serelepe, um esquilinho que adora ouvir as histórias que sua mãe, Calda de Açúcar, conta sobre a ilha. Tudo vai bem até que muitos tratores invadem a floresta em que Serelepe, sua mãe e seus amigos estão. A vida desmorona neste momento. Calda de Açúcar não resiste e Serelepe fica desolado e ao invés de subir no balão do sapo Ranufo e procurar Animália, o esquilinho vai para a cidade.

Taí, um tema que eu acho que deve ser para lá de difícil de tratar com as crianças. Venho percebendo, no entanto, que ele vira e mexe aparece e que é tratado de maneira incrível. As lágrimas e a emoção próprias da sociedade ocidental (já que não são todas as sociedades do mundo que percebem a morte como algo ruim) estão presentes. A tristeza está lá e o peso também, mas também tem o alento, a força que vem de não sei onde (ou sei, de outras pessoas).

Para terminar. Como é de se esperar tem bastante ilustração em número suficiente. Em algumas páginas elas nem aparecem, mas são lindas.

sábado, 30 de outubro de 2010

Alice no País das Maravilhas

Na minha infância li muitos livros da Disney e não seria de estranhar que Alice fosse um deles. Me diverti muito com ele, mas só ouvi falar (e me dar conta) que existia um outro Alice, o original, digamos assim, já na faculdade (na segunda, é bom que se diga). Fiquei curiosa, mas não a ponto de procurá-lo em todos os lugares. Mas não tardou e estreou Alice nos cinemas, eu não vi ainda, mas, como quase sempre acontece, as livrarias ficaram cheias deste clássico infantil, em várias versões. Comprei uma, a da editora Cosacnaify, tradução de Nicolau Sevcenko, e corri para começar a ler. Mas a leitura não foi tão rápida como eu imaginava. Por vários motivos.

Nunca li uma viagem tão viagem na minha vida! Sério. Não que eu imaginasse que fosse diferente, afinal os personagens que eu lembrava não eram os mais normais deste mundo e também temos de concordar que o mundo infantil não é o mais regrado e o menos fantasioso que se tem notícias.

Talvez o melhor para mim tenha sido a parte final onde são apresentados os autores (Lewis Carroll, Nicolau Sevcenko e Luiz Zerbini) e o posfácio. Para mim os três deveriam estar no início por toda a explicação que dão da obra que foi lida.

Só um exemplo explicado no posfácio: por traz de toda a imaginação da história há a sátira ao mundo dos adultos (sua pompa, seriedade, preconceitos, intolerância, arrogância...). Lewis Carroll coloca de “ponta-cabeça a própria cultura vitoriana” (p. 152). Quando chega ao País das Maravilhas Alice tem de enfrentar personagens que representam um tipo ou uma instituição vitoriana.

Tem uma coisa que valeu muito a pena neste livro, além da viagem que o livro proporciona (aliás já deixa eu fazer uma pergunta para a minha professora: que livro não é literatura de viagem? Porque ler é viajar, certo? Eu sei já conversamos sobre isso em sala.): a ilustração, todas feitas com baralho. Segundo a apresentação do ilustrador, baralhos do mundo todo da coleção particular dele. É lindo!

sábado, 16 de outubro de 2010

A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar

Confesso que este foi o primeiro livro que fiquei em dúvida se deveria postar aqui ou no Futebol de Saias. Decidi usar aqui e lá. Minha vida, ultimamente, anda bastante cercada deste assunto: futebol.
Adoro livros de memórias. Normalmente eles registram pontos de vistas diferentes dos que vemos na mídia ou dos nossos próprios. Então os acho fantásticos. Este, A Copa que ninguém viu e a que não queremos lembrar (Companhia das Letras) foi escrito por Armando Nogueira, Jô Soares e Roberto Muylaert nas vésperas da Copa de 94. Quase simbólico isso!

Quando o peguei na biblioteca, assim na primeira olhada, tive certeza que falaria da Copa de 50 (a primeira pós-Segunda Guerra e talvez a maior tragédia do futebol brasileiro), ela é a que não queremos lembrar, mas não entendi direito a que ninguém viu. Juro que pensei deve ser a de 1946, sem me dar conta que na década de quarenta simplesmente não houve Copa por causa da Segunda Guerra. Aí na contra capa estava explicado direitinho.

As Copas em questão foram escolhidas (e a de 58 não entrou, o que pode parecer estranho) justamente porque foram as duas Copas em que os três autores estavam presentes in loco. Além disso, a de 54, para os brasileiros foi tensa por causa das expectativas e decepção geradas pela de 50.

Os registros acabam, por exemplo, com injustiças que costumamos cometer com os nossos jogadores / técnicos. Falo aqui de Barbosa. O goleiro que é, ou foi, considerado o grande culpado pela perda do título em 50. Lembra também que o capitão da Celeste, Obdulio Varela, disse que se pudesse voltaria no tempo para poder dar a vitória ao Brasil. Conta-se que ele foi em uma churrascaria carioca naquela noite e que um brasileiro veio em sua direção. Mesmo com medo ele levantou. “O sujeito chegou junto a ele, olhou-o nos olhos, abraçou-o e começou a chorar em soluços” (p. 135). Foi ai que ele percebeu “que teria sido melhor perder aquela Copa, já que o significado da derrota para o Brasil era muito maior que a maior das euforias uruguaias” (p. 136).

Claro que são abordadas questões básicas do futebol brasileiro, como Pelé, e da sociedade brasileira, como o fato de em 50 o jogo de São Paulo ter a participação exclusiva , ou quase,de atletas paulistas e os jogos do Rio terem participação de cariocas.

Há ainda o registro do registro. Segundo Roberto Muylaert “do ponto de vista da imprensa local (da Suiça, no caso), foi de fato a Copa que ninguém viu” (p. 143) já que a divulgação foi mínima. Agora em uma coisa os três parecem concordar: a Copa de 54 foi a Copa sanduíche entre a que queremos esquecer, nossa maior tragédia :a de 50 e a nossa redenção e a que não fazemos a mínima questão de esquecer: a de 58. O livro conta curiosidades, ‘causos’ que são bem legais (particulamente aprendi muito sobre a Copa de 54). De certa forma nos faz entender um pouco mais o nosso país do futebol.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Para conhecer o Brasil um pouco melhor

Roberto DaMatta é um antropólogo brasileiro conhecido (já citei ele no post do livro Dona Flor e seus dois maridos no mês de abril). Estes dias lembrei de um livro do autor que li há uns cinco anos (mais ou menos) e fui ao resgate (sério gente, é resgate mesmo!). O nome é O que é o Brasil?(Editora Rocco) e posso dizer que ajuda, e muito, a explicar o que e quem somos. Nossas qualidades e defeitos estão todos ali e numa linguagem super gostosa.

A obra é dividida em oito tópicos / capítulos. O primeiro faz uma breve apresentação do livro. Nele o autor começa dizendo que “para entender o Brasil é preciso estabelecer uma distinção radical entre um “Brasil” escrito com letra minúscula, nome de um tipo de madeira de lei ou de uma feitoria, um conjunto doentio e condenado de raças que, misturando-se ao sabor de uma natureza exuberante e de um clima tropical, estariam fadadas à degeneração e à morte; e um Brasil com B maiúsculo – um país, cultora, local geográfico e território reconhecidos internacionalmente – e também casa, pedaço de chão calçado com o calos de nossos corpos; Brasil que é também lar, memória e consciência de um lugar com o qual se tem uma ligação especial, única, muitas vezes sagradas.

Comunidade que, de tempos em tempos, celebra eventos exclusivamente seus, como o carnaval. Sociedade com valores próprios, que a tornam uma entidade viva, dotada de auto-reflexão: algo que se alarga para o futuro e o passado” (p.7). Só por esse início já acho que o livro vale ser lido.

Dos outros seis tópicos gostei de ler especialmente três: o que fala sobre a casa e a rua, outro sobre o racismo “à brasileira” (ou vocês pensavam que não existia) e o que se refere a nossa forma de chegar a Deus. Então vamos lá. Vejamos se consigo mostrar qual o motivo me fez gostar tanto do livro e em especial destes três pontos.

1. A casa, a rua e o trabalho: a casa é o local do amor, do respeito. Onde temos um rosto e somos reconhecidos pessoalmente. Na casa o tempo para “suspenso pelas anedotas, pelos casos e pelas intrigas” (p. 17).Na rua, no trabalho, batalhamos, somos um rosto e um corpo, somos impessoais. Não há amizade, não há reconhecimento, é a mais ‘dura realidade’. Fora de casa o tempo passa (como diria um personagem de novela ‘o tempo ruge e a Sapucaí é grande’). Sabe porque este item me chamou a atenção? Porque muitas vezes confundimos estes dois ambientes. Querem ver? Quantos de nós já não viu uma pessoa varrendo a calçada, limpando o jardim ou até mesmo estendendo roupa de pijama e pantufa? Quantas pessoas já não andaram pela rua sem a dentadura ou com toucas de cabelo (aquela que nós mulheres costumamos usar para fazer hidratação ou manter os cabelos lisos). É ou não é a mistura da rua com a casa, do público com o privado? Confesso que ri algumas vezes.

2.Um racismo “à brasileira”: o autor fala que o nosso racismo não é igual aos outros racismos espalhados pelo mundo. Tem um tipo que é propriamente brasileiro. Muitas pessoas acham que não (quantos brasileiros dizem não ter preconceito? Mas suas práticas nem sempre comprovam suas teses. Nosso preconceito, segundo o autor, não é racial e sim social, “o que tecnicamente é a mesma coisa” (p. 26) e continua dizendo que “ o preconceito velado é uma forma muito mais eficiente de discriminar, desde que essas pessoas ‘saibam’ e fiquem no seu lugar” (p.26)

3.Os caminhos para Deus: não preciso nem dizer o porquê desse capítulo ter me chamado a atenção. Vamos combinar que quanto a fé nós, brasileiros, somos de fato meio esquisitos (e o texto fala isso). Fazemos uma ceia de Natal e vamos ou assistimos a Missa do Galo e uma semana depois vamos comemorar a virada do ano na praia, de branco (e outras cores que nos trazem dinheiro, amor, paixão, saúde...). Nesta mesma praia pulamos sete ondas e até recebemos umas rezas, colocamos umas flores no mar etc. trocando em miúdos apelamos para todos os santos e deuses possíveis. Em resumo “somos um povo que certamente acredita mais no outro mundo do que num Deus autoritário e justiceiro, dono de mandamentos estanques e excludentes. E o outro mundo brasileiro é um plano onde tudo finalmente faz sentido” (p. 68).

Todos os capítulos deste livro não explicam de fato o Brasil, mas ajudam bastante. Sugiro, até, que este livro e O Português que nos pariu sejam lidos próximos um do outro (pode ajudar muito). Ambos nos ajudam a ver o Brasil de uma outra forma. E ver o Brasil com outro olhar é também nos ver de maneira diferente.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Flicts: o mundo das cores

“O mundo não é uma coleção de objetos naturais, com suas formas respectivas, testemunhadas pela evidência ou pela ciência; o mundo são cores” (crônica O coração da cor, de Carlos Drummond de Andrade, publicada no lançamento de Flicts, em 1969).

Quase sempre, quando sou convidada para uma festa de criança, por exemplo, procuro levar para o pequeno anfitrião algo que nem todo mundo pensa em dar de presente de aniversário: livro. Não sei se já deu para perceber mas eu os adoro! :)

Flicts eu conheci assim. Vi a capa, o nome e o autor: Ziraldo, para mim não devia ser uma literatura ruim (afinal, um dos livros que mais marcou a minha infância foi O Menino Maluquinho). Quem me acompanhou na compra do primeiro presente deste tipo disse “realmente este livro é muito bom, fala de cores, bem interessante”. Acho que foram uns dois presentes com o mesmo título até que eu disse “agora chega! Quero um para mim!”.

Estava me enrolando para ler, não que não quisesse mas é que parecia que algumas coisas eram mais urgentes (estou falando aqui de textos teóricos mesmo). Dia desses, em uma noite mais tranqüila achei na ‘terra do nunca’, que é a minha sala de livros, o tal do Flicts olhando bem sério para mim! ‘Vais me deixar aqui muito tempo?’, ele parecia perguntar. Peguei-o. Li em menos de uma hora e foi uma experiência incrível. Não existem muitos desenhos como ilustração, são cores e formas que dão vida à história. São elas que ilustram o que as palavras dizem. Aliás, as palavras, de certa forma, também fazem parte da ilustração. Simplesmente genial! Não é a toa que encantou o editor Fernando de Castro Ferro que analisou o material levado pelo cartunista (aliás, só para comentar, a primeira de Ziraldo direcionado para o público infanto juvenil).

A edição que eu tenho (da editora Melhoramentos) comemora os quarenta anos de lançamento da obra por isso é rica em informações do livro como edições internacionais, comentários...

Uma coisa legal é que Ziraldo não esperava escrever para crianças, foi desafiado a isso. Fernando de Castro Ferro disse que publicaria uma coletânia com cartuns do artista se ele, antes, produzisse uma obra para crianças. Ziraldo disse que já tinha e que precisava de quinze dias para preparar os originais. Ele sabia que não teria tempo para preparar as ilustrações. Foi quando se deparou com um outdoor que mostrava uma foto do solo lunar (1969 ano de chegada do homem a lua). Bingo! Seis semanas depois dez mil exemplares do primeiro álbum infantil totalmente colorido do Brasil aparece para o público.

É simplesmente maravilhoso! Acho que meus presentes foram legais!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Sociedade do Espetáculo

Ufa! Afinal, tempo para escrever sobre a última obra lida. Não a mais ficcional de todas mas por vezes a vontade que eu tinha era de estar em um romance de ficção científica dos mais barras pesados, porque eu até poderia levar para a realidade mas seria apenas uma ficção. Mas não foi o que aconteceu. Não foi mesmo. A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord (Contraponto) só não foi mais real porque faltou espaço e de tão real dava um grande nervoso.

O livro trata da sociedade em que vivemos. Só que ele escreveu na década de 60, mais precisamente 1967. É impressionante a atualidade e a forma como a mídia parece se utilizar da obra do francês para produzir tudo o que é veiculado. A orelha da edição que eu li tem a seguinte citação que a meu ver diz tudo o que é necessário para a ocasião: “quanto mais o tempo passa, mais atual se torna este texto, pois, como disse Jean-Jacques Pauvert, ‘ele não antecipou 1968, antecipou o século XXI’”.

O livro é dividido em teses e cada uma é uma ‘porrada no estômago’. É estranho querer se ver fora de um sistema em que é simplesmente impossível estar fora (pelo menos eu me sinto impossibilitada de). Pelo menos agora estou um pouco mais consciente disto.

Li porque 1) fazia tempo que queria; 2) era necessário para a aula. Dele partiu uma ótima discussão na aula da professora Heloísa (e um pequeno texto no futebol de saias).

Debord, como ele próprio disse, pode se “gabar de ser um raro exemplo contemporâneo de alguém que escreveu sem ser imediatamente desmentido pelos acontecimentos. Não estou me referindo a ser desmentindo cem ou mil vezes, como os outros, mas a nem uma única vez. Não duvido que a confirmação encontrada por todas as minhas teses continue até o fim do século, e além dele”. Nossa, até nisso ele teve razão!

Guy Debord morreu em 1994, segundo informações, foi uma escolha dele. Talvez suas observações tenham lhe dado uma visão nada legal da sociedade e de seu (nosso) papel na sociedade.

É isso. Talvez os próximos textos sejam mais pesados que os outros e talvez demorem um pouco mais para serem publicados. Desde já gostaria de pedir desculpas para os que entram aqui procurando ficção mas neste momento preciso colocar a angustia de algumas teorias para fora.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Morte e vida Severina e outros poemas para vozes

Se a minha professora de Literatura dos tempos do Colégio ler os meus posts, especialmente os dos livros que eu deveria ter lido naquela época tenho certeza ela vai ter um treco. A verdade é que eu não gostava muito de ler os clássicos quando era adolescente (mas li alguns e até fiz peça de teatro e filme sobre eles, mas não eram os meus favoritos).

Lembro também que textos em versos eram menos ainda procurados por mim (esta memória me veio em uma aula em que apresentei textos em verso e uma de minhas alunas disse “odeio textos assim, não dá para entender nada do que ele fala”. P.S: Era Drummond). Não vou recriminá-la justamente pelo meu passado e por achar que a escola nem sempre dá o devido valor ao texto em verso, mas não é o caso neste texto.

O negócio é que estamos fazendo (eu e uma colega professora de Rádio) um trabalho com livros literários e isso me fez pensar em autores brasileiros para a leitura dos alunos. Matutamos, matutamos e um dos escolhidos foi Morte e Vida Severina (Editora Nova Fronteira). Este poema está inserido no livro Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes. Na minha santa ignorância eu achei que o livro todo era Morte e Vida Severina a leitura me mostrou que não e também me fez pensar um monte de coisa além, claro, de conhecer um pouquinho melhor João Cabral de Melo Neto.

Os quatro poemas (O rio, Morte e Vida Severina, Dois Parlamentos e Auto de Frade) se revelam muito atuais e emocionantes demais. É engraçado como pensamos pouco na influência dos rios em nossas vidas e na presença da morte dentro da vida.

Foi ótimo ter revisto a obra porque só lembrava (ou lembrava mais) de uma parte que dizia que ‘é a parte que te cabe neste latifúndio’ que eu decorei quando vi a adaptação para TV (ou cinema) no colégio e que muitas vezes foi utilizado na mesa na hora da ‘divisão do bife’ em casa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Europa: reportagens apaixonadas

Sempre adorei viajar mas nunca fui muito ligada em revista de turismo apesar de já ter comprado várias para ver as fotografias. Claro que todas aquelas fotos me encantavam mas nunca me ative aos textos propriamente ditos. Hoje eu acho que perdi bastante coisa não fazendo estas leituras.

Aí, uns três ou quatro anos atrás estava numa livraria (só para variar) na prateleira de Comunicação e um livro me chamou a atenção entre tantos lá expostos: Europa: reportagens apaixonadas – o olhar de um viajante profissional por 12 cidades e 7 regiões em 12 países (Panda Books). Comprei mas na prateleira ficou. Na boa, fez parte do meu enxoval (pode rir, eu tive enxoval. Eram mais livros do que roupa de cama e camisolas, mas era o meu enxoval).

No ano passado enquanto alguns parentes viajavam para a Europa e eu sonhava com uma futura oportunidade peguei o livrinho de lombada salmão. Li num tapa. A leitura me ajudou a relembrar algumas coisas que eu já havia lido em livros de História e Geografia (sem contar os de literatura) e o que eu havia visto em outras viagens. Foi o máximo! O livro não é um guia e nem se pretende a isso (afirmativa feita ainda na Introdução, na página 15). O autor mesmo diz que pretende mudar as prioridades e transformar as viagens em um item muito mais procurado do que carros cheios de equipamentos e coisas (particularmente acho esta mudança bem interessante).

A Europa sempre me fascinou e isso é bem sério. Nossa história, por mais que não queiramos está intimamente ligada ao antigo continente e à sua história. Comportamo-nos, muitas vezes, do jeito que eles nos ensinaram então, para mim, não tem papo: a Europa merece ao menos o sonho e a vontade de conhecê-la.

O texto é simplesmente demais e dá muita vontade de conhecer cada parte deste continente. É engraçado, informativo, apaixonante (como o próprio título já diz). Com ele é possível (pelo menos o foi para mim) como conhecemos pouco de História (a nossa e a dos outros). É também uma ótima oportunidade para jovens jornalistas perceberem as possibilidades profissionais dentro de uma área que, a meu ver, muitas vezes é deixada de lado. Obviamente, Ronny Hein deve ter se metido em muita encrenca e furadas mirabolantes para fazer estas matérias mas ninguém nunca diz para um estudante de jornalismo que a vida de pessoas que correm atrás da informação é fácil (ninguém nunca me disse).

Na verdade, e é para terminar - juro -, serve para pensarmos em como é bom viajar, como se aprende com cada passeio. Claro que o autor falou de Europa, algo um tanto quanto distante para a maioria dos brasileiros, mas muitas vezes não nos dignamos em sair para conhecer a cidade vizinha. Portanto, o livro, mais do que exaltar um continente, fala das maravilhas (ou não) de viajar, de conhecer.


Ah, esqueci de dizer quem é o autor: Ronny Hein (criador das revistas Viagem e Turismo e Próxima Viagem e diretor de redação das Revistas Terra, Próxima Viagem e Relais).

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Memórias de leitura

Este post não vai falar de livros mas de uma palestra. Sou aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem (da Unisul de Tubarão). A aula inaugural falou sobre as memórias de leitura e foi ministrada pela professora Eliane Debus. Vou escrever sobre ela porque realmente ela me fez pensar em várias coisas. Foi legal me dar conta das minhas lembranças de leitura e pensar no que escrevo aqui.

Eliane Debus falou de um certo diário de memórias de leitura que, simplificando, é um lugar em que se escreve sobre como lembramos dos livros na nossa vida (infância). Os textos que ela trouxe (de grandes escritores brasileiros) mostram que quando lemos o fazemos não apenas com os olhos, mas com as mãos, os ouvidos, o nariz, com o corpo. Isso explica, por exemplo, o material com que os livros infantis são feitos, os cenários que eles montam ao serem abertos. Essa é uma ideia muito interessantes que nem sempre é pensada por nós. Por mais que gostemos de ler e que sejamos atraídos pelo toque e pelo cheiro do livro não nos demos conta que também é uma forma de leitura.

Aí pensei que talvez este seja o meu espaço de memória da leitura (será?) porque realmente não quero fazer crítica literária, nem resenha ou resumo eu quero simplesmente falar sobre o que eu leio e colocar nos meus textos as minhas sensações sobre eles.

Gostei bastante da palestra neste sentido. Mas a partir de agora o bicho vai pegar!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O filho eterno

Quando, recentemente, ouvi falar sobre Cristóvão Tezza eu pensei: não conheço. Mas é literatura catarinense, nasceu em Lages, me falou o apresentador. Mas eu não conheço, eu acho. Tá, tudo bem mas de que livro queres falar? Eu perguntei. O filho eterno (Record), finalmente me disse.

Soube o enredo da obra: síndrome de Down e semana passada me atrevi a pegar o livro na biblioteca (aliás, boa ideia: falar sobre biblioteca). A capa já nos diz: o livro é muito bom. Esta fala está implícita na quantidade de prêmios que o livro ganhou, listados na capa. Quando fui ler a orelha entendi porque achei o nome do autor conhecido mas não o identifiquei e cismei que não o conhecia. Li o livro Uma noite em Curitiba para fazer o vestibular da UFSC (muito tempo atrás).

A história começa na maternidade e o único nome que realmente fica claro é o do menino que nasce portador de síndrome de Down na tal maternidade no dia 3 de novembro de 1980: Felipe. O livro conta, basicamente, a relação do pai e do filho. É lindo, sensível, por vezes dá raiva do pai, mas ao mesmo tempo não é possível dizer que nunca pensaríamos igual ele (em plena década de 80). Portanto, discute-se o preconceito e as possibilidades de desenvolvimento de portadores desta síndrome. Muitas vezes fechei o livro ou tive que respirar mais fundo para continuar de raiva (confesso).

Além disso, existem os temas paralelos. Abertura política do Brasil, Ditadura Militar, emigração para países da Europa, Revolução dos Cravos... Nossa é tanta coisa que decidi este vai ser um livro que vou usar com meus alunos da área da saúde assim que surgir uma oportunidade. Os do jornalismo já vão usar este semestre... A atividade vai ser bem legal!

Depois de ler o livro fui procurar no site oficial a biografia do autor (www.cristovaotezza.com.br). Fiz isso porque uma coisa me deixou intrigada: durante todo o livro tinha a impressão de estar lendo sobre o autor. Muitas informações batem, mas não vou afirmar com toda a certeza do mundo.

No fim, fiquei muito orgulhosa de ver o talento catarinense. O amigo que me apresentou O filho eterno disse: depois de Cruz e Souza, lá na Bahia, o representante catarinense é Cristovão Tezza.

P.S: quem é pai e mãe sabem que os filhos, independente das dificuldades (genéticas ou não) que tenham, sempre serão eternos... Ótimo título!

domingo, 1 de agosto de 2010

Assassinatos na Academia Brasileira de Letras

Este livro do Jô Soares foi o segundo presente de dia dos namorados que ganhei do meu marido. Fazia tempo que queria ler Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Companhia das Letras) mas vocês já sabem a desculpa que eu vou dar (obras mais urgentes e obrigatórias me esperavam). Mas vou dizer me arrependi de não ter começado de ler antes.

Eu sei que o Jô tem um estilo, digamos, cheio de suspense (li para o vestibular O Xangô de Baker Street – que aliás quero ler novamente para entender melhor porque meu vestibular passou faz tempo!). Particularmente não gosto muito do estilo suspense, mas adoro ler o que (e como) o Jô Soares escreve. Esse foi mais um daqueles que para onde eu ia ele ia junto. Eu não queria perder tempo.

Acho que deu para entender bastante coisa sobre a Academia Brasileira de Letras (é claro que eu sei que nem tudo é verdade) porque sei que pesquisa é fundamental para embasar qualquer obra... então acho que aprendi bastante coisa sobre esta Academia que, ao menos para mim, ainda tem muito mistério.

Ah, é ! As impressões sobre o livro (é essa a nossa intenção, lembra Leio Enleio?). Vamos a elas então.

Os frequentes assassinatos neste local tão requintado despertam a curiosidade e a ansiedade do leitor. É simplesmente apaixonante. Tem tudo que um bom livro deve ter para prender o leitor. Um bom enredo, uma boa linguagem, personagens incríveis, cenas picantes, outras engraçadas. É muito legal!

Acho que meu marido percebeu o quanto eu goste e de aniversário ganhei O homem que matou Getúlio Vargas.

P.S: dificilmente assisto o Programa do Jô porque realmente é muito tarde para a minha rotina mas vira e mexe vou bisbilhotar no You tube algumas entrevistas.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Time dos Sonhos

Já li vários livros do Luis Fernando Veríssimo e em quase todos me quebrei de tanto rir. Comédias para ler na escola, Comédia da Vida Privada são apenas alguns exemplos das obras do autor gaúcho que li. Quando trabalhei em um colégio até fizemos adaptações para o teatro e para o vídeo (que menina multimídia eu!).

Ai, este ano (de Copa do Mundo) me atrevi a fazer um projeto de doutorado sobre futebol. Não é à toa que o futebol é o assunto do momento para mim. E foi justamente neste meu momento que, em uma das minhas visitas a uma livraria me deparo com Time dos sonhos – paixão, poesia e futebol, do Luis Fernando Veríssimo (Ed. Objetiva). Redundante dizer que me estourei de rir.

Todas as crônicas do livro foram publicadas em O Globo, Jornal do Brasil, Zero Hora e O Estado de São Paulo entre agosto de 1997 e maio de 2009. Nelas o autor, de certa forma, faz uma retrospectiva dos mundiais e de alguns campeonatos futebolístico dos quais ele participou.

Adorei o texto da orelha do livro que define muito bem a obra e o autor “com seu texto enxuto e elegante, Veríssimo examina os paradoxos do esporte, que vai do épico ao mundano na duração de um passe”. Como toda crônica os textos desta obra são curtos que nos fazem pensar Para que Serve o Futebol (que é o quarto texto e a primeira subdivisão do livro) e no fim nos levam a ideia de que “só o futebol permite que você sinta aos 60 anos exatamente o que sentia aos 6” (p. 25). Alguns textos são muito legais e bastante pertinentes como os Imarcáveis que, conforme o autor, no futebol “quer dizer difícil de marcar, não impossível de marcar” (p. 65) ou o texto que fala sobre os apelidos: já pararam para pensar que zagueiro dificilmente tem apelido – é Juan, Lúcio e não Juanzinho ou Lucinho? Este texto, aliás, pode remeter a um outro o “Zidane l’Africain” que no final lembra que depois do jogo França x Brasil na Copa de 2006 um jornal francês publicou um anúncio que trazia a lista dos jogadores franceses com um ‘inho’ no fim. Mais uma vez nos faz pensar sobre uma série de coisas do futebol atual. Aliás, são textos muito atuais mesmo quando tratam do passado. Impressionante como falou-se do Dunga e quando falou de outros técnicos parecia que era uma crítica aos críticos da última copa.

Para os que não entendem de futebol é uma boa leitura para começar a entender aliás, de maneira bem prática já que quase tudo vem do que vemos na TV e lemos nos jornais. Outras coisas temos que pesquisar. Vários temas certamente pautarão os posts no http://futeboldesaias.blogspot.com .São personagens e momentos que devem ser postados e comentados no mínimo para conhecimentos gerais.

Meu momento Dias Gomes

Confesso (como já fiz algumas vezes) que vários clássicos da literatura brasileira nunca tinham passado pelas minhas mãos (salvo, claro, os que li no Colégio). Mas ultimamente a vontade de fazer leituras destes autores está me consumindo. Por isso Jorge Amado está tão presente, Chico Buarque, Jô Soares e Dias Gomes.



Conhecia o autor de telenovelas (é só lembrar de Odorico Paraguaçu interpretado pelo querido Paulo Gracindo). Também tinha algumas ‘visões’ de José Mayer carregando a pesada cruz de O Pagador de Promessas, mas não conhecia direito a obra, o enredo (mas tinha uma foto, feita in loco, da Igreja de Santa Barbara, em Salvador - a foto deste post). Também sabia o que muita gente sabe que Alfredo de Freitas Dias Gomes foi casado com Janete Clair e que nasceu em Salvador (e morou em Cachoeira – cidade do interior da Bahia).



Ai, tempos atrás, quando trabalhava em uma escola, fui chamada pela professora de Literatura (que por acaso foi a minha e eu a amava) para registrar a encenação de um grupo de alunos de O Santo Inquérito. Amei o enredo! Ela me emprestou o livro. Quando cheguei em casa meu marido disse que tinha na nossa prateleira (veio no enxoval dele) e que além de O Santo Inquérito o volume vinha com O Pagador de Promessas. Amei a ideia e parecia que naquele mesmo instante eu o(s) devoraria. Devolvi o livro para minha professora e, acho que justamente por causa desta devolução, não fiz a leitura imediata das obras.





Mas finalmente chegou o grande dia e finalmente peguei o volume 1 da coleção Dias Gomes – Heróis Vencidos (Editora Bertrand Brasil). O livro é bem completo. Além das duas peças teatrais tem uma vasta análise que, particularmente, aconselho que seja lido depois das obras propriamente dita, já que, por vezes quebra a surpresa dos textos. Por causa desta leitura antecipada não me surpreendi com as peças teatrais que li. Mas posso dizer que fiquei angustiada. Nossa, ninguém entendia o que os personagens principais diziam e parecia tão claro.





Tanto em O Pagador de Promessas como em O Santo Inquérito a questão da intolerância religiosa fica muito clara e é óbvio que em vários momentos me perguntei sobre a validade da religião como a temos hoje. Ela parece estar no mundo para que nos sintamos seguros, mas, em muitos momentos, não é assim que nos sentimos diante dela. Aliás, minhas últimas leituras foram muito questionadoras neste sentido (o do esclarecimento e o do questionamento).





Os personagens principais eram tão simples, tão inocentes (como nem sempre podemos ser em um mundo como o nosso.





Especialmente em O Pagador de Promessa a questão da imprensa é abordada com grande primazia. O que é notícia? Como o jornalista ‘cria’ a notícia? O que é verdade? O que é realidade? Por baixo, estas são perguntas que se faz com base na figura do repórter.





Foi ótimo ter lido estas duas obras. Gostaria muito de conseguir ler O Bem-Amado e rir um pouco com “povo de Sucupira”.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

Identidade Cultural na pós-modernidade

Particularmente nunca tinha lido Stuart Hall. Meu marido começou a lê-lo no ano passado para uma prova do doutorado. O livro foi A Identidade Cultural na pós-modernidade (DP&A). Este ano, pelo mesmo motivo foi a minha vez de degustar a obra. Para os que se prendem à páginas já aviso que não é nada muito grande: noventa e sete páginas. Lembro, no entanto, que se trata de uma obra teórica.

Eu simplesmente adorei ter lido esta obra e acho que todos deveriam ler (está ficando repetitivo esta recomendação, eu sei!). Ele ajuda a entender o mundo maluco em que estamos vivendo e estas confusões de identificação e identidade que de vez em quando nos assolam. Discute globalização, movimentos sociais e tantas outras coisas que ajudaram a construir nossas identidades nos dias atuais.

Perto do outro que li para a mesma prova este livro é ‘facim-facim’. Os dois são ótimos e foram duas obras bem importantes para mim em vários sentidos. Na verdade não tenho muito o que comentar sobre este livro (e também tenho muito - contradição né?) só que ele é muito bom e tem vários conceitos muuuiiiiiiittttoooooo legais. Acho que por ter sentido tanta dificuldade na leitura deste (como senti no outro) escrever sobre ele me parece mais simples...

Tá, é isso.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Raízes do Brasil

Eu sei, não precisa falar: Raízes do Brasil (Companhia das Letras) de Sérgio Buarque de Holanda é um dos clássicos que nos explicam e por isso devíamos ler na adolescência (nossa peguei pesado agora). Isso, como já disse, eu sei o negócio é que mesmo sabendo eu não li assim cedo, até quis, mas não consegui, ainda, bater uma meta estabelecida por mim mesmo no final de 1998, para ler alguns clássicos (entre eles a obra aqui citada).


Raízes do Brasil me foi apresentado, assim pessoalmente, na faculdade de História por um dos grandes professores com quem tive a honra e o orgulho de aprender muito: professor Claudio Paz. Foi só um texto, um capítulo, para um trabalho. AMEI! Vocês não têm noção como fiquei louca para ler este livro. Mas é aquele tal negócio: sempre tem um mais urgente. Ai, terminei o curso e comprei o livro. Quando estava no final da gravidez comecei a ler e quando o bebê chegou era ele que eu estava lendo. Era engraçado, porque antes de dormir eu sempre pegava o livro para ler e lia alto e o pequeno prestava atenção (claro que não por mais de uma página). Mas posso dizer que foi a primeira historinha que ele ouviu. Quem via se matava de rir com a cena.


Mas vamos ao livro.


Ele é realmente extraordinário. EU lia e dizia: “sabe que é verdade!” Ou “Ah, ta, agora entendi!”. Nele nos vemos (pelo menos eu me vi). É muito interessante as relações que Sérgio Buarque de Holanda faz. Ele mostra que realmente a História não é só uma matéria que estudamos na escola ela é a fotografia da sociedade e por causa disso não se restringe as grandes decisões políticas (elas são apenas o ponto que parece ser o final).



Quer ver uma coisa que nunca tinha me dado conta? A sociedade do açúcar é uma sociedade essencialmente agrária já na do café vemos um Brasil mais urbano. Na primeira cultura a cidade aparecia apenas como um complemento do meio rural. Com o café as cidades “proclamaram finalmente sua vida própria e sua primazia” (p. 172). Isso dá para ver em novelas e filmes, mas nunca ninguém nos deixou claro isso e vamos dizer que, mesmo para alguns estudantes de história – e eu me incluo aqui – esta relação nem sempre é possível.


O capítulo que li na aula mesmo foi muito bom! O semeador e o Ladrilhador. Nossa como vemos esta influência nas nossas cidades! Como ainda somos tão ligados a tudo isso que nos deixara! E não adianta dizer que são apenas os que estão diretamente ligados aos antepassados portugueses, africanos e indígenas não. Somos todos nós, todos os brasileiros.



Eu já sabia, e na verdade todos os brasileiros conscientes de seu papel neste país maravilhoso sabem disso: precisamos nos conhecer, nos entender mais. Só assim podemos melhorar.




P.S: Achei nas minhas pesquisas um site que parece bem legal que fala de Sergio e Chico Buarque (pai e filho) e que os coloca como intérpretes do Brasil. Não li todo, mas acho que vale a pena uma olhadinha.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Garfield em grande forma


Sabe um livrinho divertido? É este. Garfield realmente está em grande forma neste livro da editora L&PM. A obra é de bolso e pode (e deve) ser carregado para qualquer lugar.

As tirinhas do Garfield são demais e estão no livro (que é só com elas) - são 129 páginas com tirinhas para lá de divertidas! Para quem acha que o gato em questão é só um gato preguiçoso e malandro poderá ver que o felino é extremamente crítico em relação ao mundo.

Estou me divertindo com ele. Procurei o livrinho da Mafalda também, mas ainda não achei.

Era no tempo do rei

Era no tempo do rei (Editora Alfaguara): livrinho que meu marido comprou em uma das nossas idas a uma livraria. Ele me viu lendo 1808, leu uns trechos do livro a gostou da ideia.

Explico:

Este livro de Ruy Castro está historicamente situado justamente no Rio de Janeiro da chegada da Família Real Portuguesa (mais precisamente 1810, dois aninhos depois dos portugas em terras tropicais) e tem como um dos personagens principais, advinha quem?, Bingo, Dom Pedro I.

Nosso futuro imperador era um menino levado e na companhia de alguns amigos, entre eles Leonardo. Conforme a contracapa do livro “Os personagens são nobres e plebeus que existiram de verdade e outros saídos da mais delirante imaginação. Nem tudo que você vai ler aqui aconteceu – mas podia ter acontecido”. Portanto é uma ficcção com ares de verdade.

Levei os dois para as férias e ele começou a ler Era no tempo do rei primeiro (já que o 1808 eu já estava lendo). O legal era que nós íamos lendo e conversando sobre as duas obras porque, de certa forma, uma complementava a outra.

É um livro super divertido de ler e que não dá vontade de parar. Eu já estava no final das férias quando li e o fiz em menos de uma semana. Era de rir sozinha!

Além do livro tivemos outros motivos para as gargalhadas nestas férias: eu sou louca para colocar uma rede na minha varanda. Fui lá, comprei a tal, comprei os ganchos para segurar, preguei (modo de dizer porque foi meu pai quem pregou) tudo na parede e, duas semanas depois disso feito (eu mais que feliz porque agora iria aproveitar minha varanda nas tardes quentes de verão), peguei meu livrinho e fui sentar na minha redinha. Imaginou o que aconteceu? Por acaso você disse que a rede caiu e eu fui de bumbum no chão? Como foi que você acertou? A dor foi grande e meu marido antes de se dar conta (ou depois disso) do que tinha acontecido se estourou de tanto que riu.

P.S: Quando defendi minha monografia em História dei de presente Era no tempo do rei para uma das professoras da banca (professora Eulélia). Obviamente o presente só foi entregue depois do resultado de aprovação. Quero deixar registrado aqui também que a professora em questão foi uma das minhas grandes mestras, mesmo sem ter o título de. Ela também é uma grande amiga.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Capitães da Areia

Definitivamente Jorge Amado me surpreende a cada livro que leio. Juro que quando comecei a me aventurar nas obras do escritor baiano achava que seu enredo se resumia a sexo, prostíbulos, violência e a exposição da mulher (especialmente o corpo). Aí, me apresentaram as obras infantis e eu fiquei de queixo caído, depois veio Dona Flor que me fez rir muito! Agora chegou Capitães da Areia (Companhia da Letras).




O primeiro contato que tive com a obra foi quando alguém bem próximo o leu e me contava maravilhas dele. Não necessariamente a história, mas os sentimentos que tinha com relação ao livro. Hoje, depois de terminar Capitães da Areia posso dizer que tudo que esta pessoa me contou não descreve o que senti.



Chorei muito (e ri também) com as aventuras de Pedro Bala e seus amigos. Senti a dor de cada um deles. Tentava dar ideias para o padre José Pedro e a mãe de santo Don’Aninha tirarem aqueles meninos daquela vida. Vibrava quando uma ação dava certo.



Para os que não sabem o livro em questão trata de um grupo de crianças e jovens abandonados. Eles de fato eram chamados (e se auto denominavam) Capitães da Areia e viviam em um trapiche abandonado de Salvador. Obviamente para viver roubavam. Pedro Bala era o líder do bando. Para escrever a obra, segundo Zélia Gattai, Jorge Amado foi viver com os meninos por um tempo.



Impressionante como as obras de Jorge Amado não me deixam em paz mesmo depois que as leio. Especialmente nesta não paro de pensar em questões como lealdade (os meninos podiam apanhar de quem fosse, morrer até, mas não revelavam nada do grupo). Penso também na crueldade humana porque na maior parte da leitura eu esqueci que estava lendo sobre crianças entre oito e dezesseis anos. Eles pareciam homens pelo que tinham que fazer e pelo que sofriam nas mãos da gente rica.



A falta de tudo também é impressionante assim como o trabalho em equipe e o respeito as características de cada um (porque como todo mundo eles são pessoas diferentes umas das outras). Também, não posso deixar de falar, que pensei muito sobre os regimes políticos e econômicos vigentes em nosso mundo e do papel da Igreja diante de tudo isso que acontece com os marginalizados (pensei, penso e questiono muito toda a história da instituição).



Para terminar não posso deixar de dizer que a descrição de um dos personagens me lembrou o próprio autor. O Professor, que depois ficará conhecido como o artista João José, me pareceu de início Jorge Amado: “desde o dia em que furtara um livro de histórias numa estante de uma casa da Barra, se tornara perito nestes furtos. (...) João José era o único que lia corretamente entre eles e, no entanto, só estivera na escola ano e meio. Mas o treino diário da leitura despertara completamente sua imaginação e talvez fosse ele o único que tivesse uma certa consciência do heróico de suas vidas. Aquele saber, aquela vocação para contar histórias, fizera-o respeitado entre os Capitães da Areia, se bem fosse franzino, magro e triste, o cabelo moreno caindo sobre os olhos (...). A pergunta que me ficou foi: Será que eles ainda existem? Quase que imediatamente acho que posso responder: Sim, com outros nomes, sem o romantismo da obra e da época em que foi escrita (1937).



Não tenho dúvidas, é um livro que vale a pena, vale cada segundo, cada página de leitura.





Li algumas coisas que comparam Capitães da Areia a Jubiabá (dois anos mais velho) talvez seja meu próximo livro de Jorge Amado.




Também fiquei sabendo que o livro está sendo adaptado para o cinema. A diretora é Cecília Amado. Aguardo ansiosa pela estréia.


O trailer já está disponível no YouTube. Confira o link

http://www.brothersoft.com/download-vdownloader-62293.html

terça-feira, 22 de junho de 2010

Duzentos anos depois

Comprei 1808 (Editora Planeta) no final de 2007 porque no ano seguinte estaríamos comemorando duzentos anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil. Comprei porque parecia bom (o subtítulo é: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil – vê se não dá vontade de ler?) e porque queria saber um pouco mais sobre o assunto. Levei de férias.

Não é exatamente o que a maioria das pessoas faria. Afinal, são 351 páginas de um texto que não é ficção. Mas vou dizer: Laurentino Gomes escreve muito bem! O livro é resultado de dez anos de investigação jornalística do autor que é jornalista formado na Universidade Federal do Paraná. O livro é engraçado, sério, colorido (tem imagem sim, mas as cores vão além delas) é muito bom. Vamos combinar que não é todo historiador que consegue fazer um texto assim.

O autor explica cada movimento deste, digamos, evento, que fez com que o rei português fosse o único monarca europeu a governar da América, para isso o Brasil saiu da condição de colônia e passou a Reino Unido. De fato tudo isso fez com o nosso país, mero coadjuvante naquela época, se tornasse assunto e rodas nunca antes imaginadas. Depois disso passamos a país independente.
Claro que Joãozinho pode ter adiado uma série de decisões que nós, brasileiros, podíamos ter feito. Mas isso nós só saberemos se voltarmos no tempo e mudarmos a história. Particularmente sai deste livro com uma outra visão de D. João VI. Hoje posso dizer que, apesar dos pesares, tenho grande respeito por ele.

Outra coisa que me tornou fã do autor foi a rapidez com que ele respondeu um e-mail meu sobre a versão juvenil da obra. Me senti, de fato, muito próxima do autor. O site pelo qual entrei em contato foi http://www.laurentinogomes.com.br

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Para entrar no clima da Copa

Adoro esportes. Adoro praticar exercícios. Por tudo isso, para os que não sabem, tenho como objeto de estudo um esporte: o futebol. Por causa disso acabei de terminar de ler Futebol 10 (Editora ARX). Comprei este livro porque estou entrando em mais um projeto futibolístico e, confesso, porque achei lindo! O azul e o amarelo me lembraram o segundo uniforme da Seleção Brasileira e como é época de copa fui fazer a leitura.

É rápido ler este livro. Isso pode acontecer por dois motivos (a meu ver): 1. Tem bastante figura. São ilustrações bem bacanas com a história, as regras, as seleções, as federações, as torcidas, frases de grandes jogadores falando da importância deste esporte que está no meio de sua maior festa. O motivo 2 é que quem lê o livro já conhece um pouco do que está sendo dito. Os dois motivos juntos deixam a leitura bem dinâmica e gostosa.

Não é um livro chato e técnico. Serve para quem conhece e para quem não conhece (quem conhece só terá um pouco mais de facilidade na leitura, mas nada de grave para os que não conhecem). O livro tem glossário, uma relação com os principais atletas (do mundo todo) e uma pequena ficha técnica de cada um.

O livro também serve, especialmente para os que acham futebol uma bobagem, um bom momento para repensar alguns conceitos. Lá vai uma frase do Michel Platini, ex-jogador francês e presidente da UEFA: “Numa época em que a Europa procura se definir, nada contribui mais para essa busca do que seu amor por nosso esporte” (p. 30). Na verdade a reflexão serve para o futebol mas também para todos os esportes que, de uma maneira ou de outra servem de integradores nacionais.

Ah, outra coisa bem legal é que este livro dedica uma parte para o futebol feminino. É interessante conhecer a história de um esporte entre as mulheres. Temos ai a questão do gênero.
Como eu adoro o tema sou suspeita de falar. É uma leitura recomendada para homens e mulheres, especialmente em tempos de Copa do Mundo.

P.S: Os autores do livro são Martin Cloake, Glenn Dakin, Adam Powley, Aidan Radnegee Catherine Saunders.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Depois dele descobri que não sou tão esclarecida assim

Taí um livrinho pesado para se ler no feriadão: Dialética do Esclarecimento (Editora Zahar). Mas foi justamente em um destes que eu encarei meus amigos Adorno e Horkheimer (muito corajosa!). Confesso, na primeira leitura entendi, mas foi puxado. Para entender melhor (pelo menos eu acho que consegui) tive que pegar material complementar e claro fazer uma segunda leitura. Vou tentar dizer aqui do que se trata esta obra filosófica. Mas antes um esclarecimento (rsrsrsr) posso dizer que esta foi a primeira grande obra filosófica que li de cabo a rabo. Outras passaram pela minha vida em partes apenas. Por falar em partes, decidi que vou escrever mais de um post sobre este livro porque tem muita coisa para falar sobre ele. Assim, eu também dou uma estudada.

A obra foi escrita na década de quarenta (isso mesmo, em plena Segunda Guerra) nos Estados Unidos, onde os autores estavam exilados. Os fundadores do Instituto de Pesquisas Sociais da Escola de Frankfurt viviam em um mundo totalitário em que os veículos de comunicação de massa (e por consequência a Indústria Cultural) ganhava cada vez mais força. Neste turbilhão nasceu o livro que me fez ficar em casa enquanto a família viajava.

Para começar vamos a pergunta que não quer calar: O que é esclarecimento em Dialética do Esclarecimento? Os autores dizem que esse tal esclarecimento é a tentativa do homem de sair das trevas do desconhecido (e isso é também no senso comum). Mas para os autores o tal esclarecimento é isso mas um pouquinho diferente. Explico: Adorno e Horkheimer dizem que o esclarecimento que temos nos é imposto, portanto tem mão única e, por causa disso, não há um esclarecimento total. Quanto mais os homens buscam o racionalismo para se libertarem da escuridão que a natureza desconhecida lhes impõem (esclarecimento, portanto, é o domínio da natureza) mais ‘forças ocultas’ reagem e recolocam a dominação, justamente porque o tal esclarecimento segue em mão única e não em um diálogo para de fato esclarecer. Os mitos, por exemplo, são uma forma de esclarecimento que foi superado pela ciência que, por sua vez criou outros mitos e, portanto, ficamos encobertos mais uma vez.

Digamos que esta é a primeira parte do livro. Os dois excursos que seguem tratam de mitos: Ulisses (que discute o mito e o esclarecimento) e Juliette (que discute o esclarecimento e a moral). Logo em seguida temos a Indústria Cultural (que é a parte que a maioria das pessoas conhece destes dois autores) e o Anti-Semitismo (muito pertinente para a época mas que continua extremamente atual).

Na boa gente, a tal da obra é difícil, bem difícil. Mas particularmente acho que qualquer um, independente da área de interesse, deve tentar ler. Confesso que me senti, digamos assim, um pouquinho burrinha. É que as tais forças poderosas, que os autores falam, fazem o que eles fazem e a gente não percebe. É de se pensar! Juro que pensei em falar desta obra em mais de um post, mas desisti. A ideia do blog não é fazer um resumo e sim dar um gostinho da obra.

P.S: Foi por causa de Adorno e Horkheimer que fiquei tanto tempo sem postar. Desculpem, mas agora estou de volta.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ensaio sobre a cegueira

Nunca entendi direito esta coisa de Nobel. Lembro que quando José Saramago ganhou o Nobel de Literatura em 1998 me pensei: tá, legal, mas qual foi o livro que ele escreveu que fez ele ganhar? Tempos depois entendi que quando alguém ganha um prêmio destes ele é contemplado pelo conjunto das obras e não por uma específica (e normalmente é pelo que ele já fez e não pelo que mostra ter vontade de fazer, mas isso é outra discussão que não cabe aqui).

A única coisa que sabia de Saramago era que ele é português e que entre as obras mais conhecidas dele estava o tal Ensaio sobre a cegueira (Companhia das Letras) que aliás, como muitas obras de muitos autores por ai, tem um nome estranho e que nos faz pensar sobre o que se trata, como é o enredo. Há uns quatro anos recebi esta obra em casa, ela chegou nas minhas prateleiras pelo ‘enxoval’ do meu marido (quando casa-se junta-se as escovas de dentes, ganhamos problemas que não tínhamos antes mas também cresce o acervo bibliográfico).

Mas foi só depois que vi que o filme tinha sido lançado que me empolguei para ler o livro.

A obra é muito boa! É angustiante, densa, mas muito boa. Não tinha vontade de parar de ler. É extremamente intrigante. Afinal, porque apenas uma pessoa enxerga? Por que tanta gente está cega? Será que é cegueira física ou será que é uma cegueira moral, uma metáfora para dizer: o pior cego é o que não quer ver?

Na obra portuguesa percebi também (claro que eu já tinha percebido isso na vida real, mas parece que em ficção as coisas ganham outras proporções) que realmente para estados de emergência, de catástrofes, pandemias e tudo o que traga pânico, o Estado não está preparado para agir. Não há um grupo de gerenciamento de crises, um grupo que saiba como agir quando tudo parece fugir do controle. Estamos, nestes momentos, entregues a própria sorte.

Confesso que em alguns momentos (e nã foram um ou dois, foram vários) parei de ler no meio da página. Isso acontecia porque alguns momentos da obra são muito fortes (mesmo sendo descritos com alguma delicadeza). Eu sentia uma mistura de revolta, vontade de chorar e socar o travesseiro (para não dizer uma personagem do livro) ai, eu levantava e ia tomar água, comer uma maçã ou fazer qualquer coisa que me tirasse dali momentaneamente. E acho que esta é uma das mágicas dos livros: nos transportam para um lugar tão distante que pode ser lindo e ao mesmo tempo horroroso, mas de lá sempre podemos voltar.

Agora o mais engraçado: por ser uma obra portuguesa (de antes da reforma ortográfica) não tem tradução (obvio!) mas o texto é muito diferente do nosso português. As pessoas gramaticais, os ‘c’s em lugares que nós, brasileiros, não usamos faz tempo. Depois dele entendi perfeitamente a necessidade de se reformar tudo e dar um padrão para ela (mesmo sabendo que jamais falaremos e escreveremos igual aos cidadãos de nossa antiga metrópole).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Culinária: um tema delicioso

A cozinha não é o lugar que mais gosto de estar, pelo menos não quando a pia está super lotada. Mas tenho que confessar que cozinhar, para mim, é tão bom quanto ler um bom livro, ver um bom filme... Por isso sempre olho sites e programas que tratam do assunto. Tenho um caderno de receitas e alguns livros.

Custei, mas acabei comprando o Mais Você 10 anos (Editora Globo) que reúne cerca de cem receitas apresentadas ao longo dos dez anos de programa da apresentadora Ana Maria Braga na Rede Globo. Já coloquei vários marcadores de página para lembrar as que pretendo fazer primeiro. Não pretendo fazer um Projeto Mais Você como o Gabriel Barone mas provavelmente farei algumas sim.

Além das receitas outra coisa que me chamou a atenção foram os textos que falam sobre o ano do programa. Ana Maria conta como foi cada ano do programa, dela própria, do Brasil. Para quem ama história como eu isso é legal porque mostra um lado da sociedade que nem sempre é encontrado em um livro didático ou em uma aula tradicional.

Posso dizer que chorei em dois momentos: 1) quando Ana Maria fala da descoberta e do tratamento do câncer e 2) quando ela fala das enchentes de Santa Catarina, nossa lembrei de tanta coisa! Só gostaria de fazer uma observação: em Santa Catarina não foi apenas uma semana de chuva que causou todo aquele estrago (a chuva daquela semana de novembro pode ter sido a mais forte). Foram dois meses de chuva. Sério, chuva praticamente todo dia.

No mais este fim de semana pretendo experimentar uma receitinha do livro.

Bota distância nisso!

Adoro quando pego um livro gostoso, em que a leitura flui e mesmo não sendo o tema mais legal do mundo o enredo leva a imaginação longe e nos tira do mundo real. Mas vamos combinar que não é todo livro que é assim!

O último que li que me deixou um pouco frustrada foi A distância entre nós (Editora Nova Fronteira). Não que seja ruim, a história é boa, mas o ritmo dele cansa! (pelo menos para mim). Dormi muitas vezes lendo este livro.

A história se passa na Índia e mostra bem a questão das castas e preconceitos existentes ainda nos dias de hoje por lá. Engraçado como, um tempo depois de ter lido, começou a novela da Rede Globo Caminho das Índias. Imediatamente lembrei das teorias da comunicação que estudo: os veículos de comunicação são dialógicos, eles conversam entre si e um prepara os caminhos para os outros. Também lembrei de uma palestra que fui em que a palestrante lembrou que a pesquisa na emissora em questão é levada a sério e fundamental para os programas, em especial nas novelas.

Cansei com o livro, mas vi as teorias na prática!

P.S: Esta é uma opinião pessoal, não sou crítica de literatura, sou apenas apaixonada por livros e mesmo os que eu não gosto muito faço questão de terminar!

sábado, 22 de maio de 2010

CONFESSO QUE VIVI

Pablo Neruda (nascido Nefatli Ricardo Reyes Basoalto) foi um dos grandes poetas/escritores do século XX. Nascido no Chile, morre na terra natal em 23 de setembro de 1973 dias depois da queda do Governo da Unidade Popular e da morte do presidente Salvador Allende (Lembrando que a ditadura chilena tem como principal representante o general Augusto Pinochet). Lembro que uma das primeiras vezes que escutei falar de sua poesia foi no clássico do cinema italiano O Carteiro e o Poeta (por falar no filme chegou na minha prateleira um livro chamado Neruda por Skármeta. Antonio Skármeta é autor de O Carteiro e o Poeta).

Anos mais tarde, já fazendo o curso de História entrei em contato com um texto de uma linguagem sensível e apaixonante. O texto foi utilizado pelo professor Claudio Damaceno para mostrar como utilizar a linguagem literária, cinematográfica, musical e histórica para contar um mesmo fato, como uma aula assim pode ficar gostosa! O tema proposto era a Ditadura Chilena. Para ilustrar a aula uma música, um curta metragem, um texto histórico de formato bem tradicional, digamos assim, e parte do livro Confesso que Vivi (Editora Bertrand Brasil).

Depois de tudo bem discutido, lido e relido e, claro compreendido, fiquei com muita vontade de ler o livro. Aquele texto sobre a Ditadura foi fascinante! E, quando o professor mostrou a capa da obra, o sorriso de Neruda me cativou e assim que encontrei o livro comprei-o. Trata-se de uma obra autobiográfica que, como todas elas, misturam um pouco da história e geografia dos lugares por onde a pessoa que conta sua história passou. É muito gostoso ver que pessoas conhecidas como Pablo Neruda possuem lembranças da infância como nós. Que lhes encanta os cheiros e sabores de um tempo que já não volta mais. Não há também a dureza de textos didáticos que não trazem o sentimento de uma nação, de uma época (e este é um dos motivos pelos quais adoro auto biografias ou livro de memórias – como queiram chamar). Outra coisa que falta em obras como esta é a frieza quase sempre existente em biografias em que o autor não tem o devido envolvimento com a pessoa biografada ou com os momentos vividos por ela. A linguagem aqui é própria do texto literário. Impossível não se encantar. Quase como um diário secreto em que o autor diz que viveu tudo com a intensidade própria de cada período. Para quem lê e se sente envolvido com a obra há realmente a sensação de confessionário.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Neste mundo somos cartas quaisquer ou curingas?

Há muito tempo li O mundo de Sofia, não lembro direito dele e para escrever sobre terei de ler novamente, mas depois dele vi o lançamento de O dia do Curinga (Cia. Das Letras), do mesmo autor. Sempre quis ler, mas nunca dava certo. Nestas férias decidi que seria a hora. Encontrei-o em uma das bibliotecas que freqüento e não perdi tempo. Mas entre um livro técnico e Dona Flor e seus dois maridos não consegui nem pegar na mão O dia do Curinga que voltou para a mesma prateleira. Dois meses depois fui procurá-lo e desta vez para valer. Acabei ontem a leitura.

Nunca nem imaginei o motivo do nome. Um colega uma vez me disse que se tratava de filosofia (como O mundo de Sofia), mas nunca consegui fazer a relação entre um curinga e a filosofia. Agora posso dizer: só lendo o livro para entender.
A história do mundo dos baralhos e a diferença entre as cinquenta e duas cartas e o curinga são fantásticas. Durante a história uma coisa que me perguntei muito foi: o que eu sou neste mundo: Um curinga? Com que carta me pareço? Quem é deus (ou Deus)? Será que precisamos de alguma fórmula para nos sentirmos vivos ou tudo que tomamos que nos tira deste mundo simplesmente nos faz esquecer a realidade? Isso tudo enquanto lia sobre filosofia (aliás, esta é uma das características do conhecimento filosófico: o questionamento). E pensa que foi difícil? Nada, foi fácil e maravilhoso. A única coisa que me complicou um pouco foi quando Hans – Thomas lê sobre as divisões de tempo com os baralhos (é, a matemática nunca foi o meu forte!).

Por falar em tempo esta foi uma boa discussão do livro: “O tempo não passa, Hans – Thomas, e não é um relógio. Nós passamos e são os nossos relógios que fazem tique-taque. O tempo vai devorando tudo através da história, silenciosa e inexoravelmente, como o sol se levanta no Leste e se põe no oeste. Ele destrói civilizações, corrói antigos monumentos e engole gerações atrás de gerações. Por isso é que falamos dos ‘dentes da engrenagem do tempo’: o tempo mastiga, mastiga... e somos nós que estamos no meio de seus dentes”.
Na obra de Jostein Gaarder é possível como o próprio Hans – Thomas falas nas páginas finais ter a “sensação de ter passado os olhos em toda a história da humanidade. Isso era a grande paciência”. Se em algum momento eu achei que não dava para aprender filosofia sem ler livros chatos esta foi uma impressão que já não existe mais desde O mundo de Sofia e confirmada agora com O dia do Curinga.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Pensa que diário não serve para nada?

Já perceberam que eu estou na fase LIVROS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL? Digamos que foi praticamente inevitável isso. Um livro me lembrou outro e um texto levou a outro. Vamos então ao livro do momento.

Tenho o livro O Diário de Anne Frank (Editora Record) há muito tempo. Na verdade ele nem é meu, é da minha irmã, mas foi um presente meu. Escutei falar dele quando estava no fim do Ensino Médio, início da faculdade (faz tempo!). Nunca nenhum professor me falou dele, escutei em uma matéria de televisão (era sobre uma reedição da obra). Na primeira oportunidade comprei para minha irmã de aniversário. Sinceramente acho que livro é sempre um bom presente, mas fico triste ao perceber que poucas pessoas pensam desta forma. Mas voltemos ao livro...

Minha irmã leu (eu acho) e minha mãe também. Aliás, ela demorou a ler porque não conseguia ler antes de dormir, ela achava muito forte. A obra estava na minha estante, separadinha (como quase todos) para uma futura leitura (em primeiro lugar sempre vinham os obrigatórios para a aula e para o trabalho. Mas um belo dia, já na faculdade de História, um dos meus grandes mestres passou um trabalho em que deveríamos ler um livro (ele sugeriu um monte mas nos deixou a vontade para procurar outros) e apresentá-lo de maneira criativa. Uma das minhas colegas, iluminada, apresentou a proposta do Diário de Anne Frank. Na hora comprei a ideia e convencemos o pessoal. Ideia aceita, hora de ler. O livro me acompanhou em vários lugares, lia em qualquer espaço de tempo, esperando, viajando, antes de dormir (aliás como faço até hoje)Então, vamos a ele:

Uma menina de doze anos tem que se esconder junto com a família atrás de um fundo falso do armário de um escritório. Lá dentro ficam um total de oito pessoas. Anne ganhou o diário de aniversário, antes de ir para o esconderijo. Ah, para os que não sabem as pessoas que estavam escondidas no tal lugar eram judias e o diário foi escrito na década de 1940 no auge da Segunda Guerra. Naquele mundinho, quase um big brother sem câmeras, digamos assim, a vida deles segue com todos os conflitos e descobertas que podem ser imaginadas quando as pessoas não podem sair do lugar em que elas estão e vivem um clima tenso. O legal é que a guerra é o pano de fundo, mas o que vem a tona no diário são as descobertas de uma adolescente que, como qualquer outra, descobre o amor, a sexualidade, briga com a irmã e com os pais.

Como trata do cotidiano é interessante perceber algumas coisas. A primeira é a importância da escola (mais uma vez). Neste caso o pai de Anne é o principal responsável pelas ‘aulas’ que os menores frequentavam (digamos assim). Os livros estavam sempre presentes nesta casa. Todos ali trabalhavam com a perspectiva do fim do conflito e quando isso acontecesse os pequenos deveriam estar em condições de voltar aos estudos. Quando fizemos nossa apresentação nosso professor fez uma observação quanto a isto. Ele disse que os judeus de uma maneira geral dão muito valor ao conhecimento (pensem em Freud, Einstein...) e isso acontece porque este povo, durante toda a sua história foi muito perseguido e sabe que os bens materiais são facilmente tomados, mas o conhecimento não (aqui não quero dizer que eles não procuram os bens materiais, vamos combinar que todos os seres humanos procuram o conforto e a qualidade de vida que a matéria pode trazer.). A segunda coisa é mais hipotética, mas que em outras famílias deve ter acontecido: e se tivesse criança pequena? Bebê de colo mesmo que não sabe que tem que fazer silêncio, que não sabe que tem que controlar a fome, a dor e a tristeza? Na boa, só de pensar na angústia destes pais e no desespero em salvar-se e salvar o filho me dá uma inquietação quase insuportável. Nesses momentos agradeço por estar vivendo no Brasil de hoje.

Só para terminar... Certa vez li em uma revista que podemos conhecer a história dos conflitos por três lados: a dos vencedores(que quase sempre aparecem nos livros didáticos ou quaisquer outros, afinal eles são os primeiros a gritar que ganharam), a dos que estão vivos (eu citaria O que é isso companheiro ou 1968 – o ano que não terminou) e a dos que morreram (que é o caso deste livro). Achei isso interessante, nunca havia visto desta forma. Claro que estamos falando de escritos ou mensagens escritas, faladas ou fotografadas antes da morte dos indivíduos. Mas esta visão, a dos que morreram, é interessante e nem sempre lembrada. Pelo pequeno exemplo de Anne podemos imaginar, sem ficção, como era a vida de todos os perseguidos pelo regime nazista. Como já anunciei, a menina morre de tifo, pouco tempo antes de tropas inglesas tomarem o campo de concentração em que ela estava (Bergen-Belsen próximo de Hannover, na Alemanha). Seus escritos foram entregues ao pai por uma das funcionárias do escritório depois que tudo acabou. É ele quem toma a decisão de publicar, com ressalvas é claro. Mas vira e mexe tem uma edição nova com algum texto diferente.

sábado, 8 de maio de 2010

Em época que faltava tanta coisa roubou-se livros


“Quando a morte conta uma história, você deve parar para ler”. Esta frase está na contracapa do livro A menina que roubava livros (Editora Intrinseca). Com estas palavras o possível leitor pode ter duas reações: 1. Não ler, porque só pode ser coisa ruim (vindo da morte parece óbvio) ou 2. Realmente ler para ver o que a morte tem para dizer, o que ela quer contar. Eu escolhi a segunda opção, mesmo temendo que o livro fosse tratar destas coisas de espírito que, particularmente, eu não gosto. É bom lembrar que eu não conhecia a obra (comprei pela capa, pelo título e pela frase – mais um!).


No início a morte explica porque resolveu contar aquela história, o que já bem legal! Em resumo ela diz que tentou levar a menina por três vezes e não conseguiu e serão estes encontros que serão registrados na obra. Aliás, registrados com maestria!


Bom, depois da morte contar porque ela contava esta história passasse a apresentação da personagem principal que, como o nome disse, roubava livros. Cada roubo era uma aventura. Quando o primeiro ‘furto’ aconteceu a personagem principal enterrava seu irmão e surrupiou um manual do coveiro, detalhe: ela ainda não sabia ler. Nessas aventuras aparecem os preconceitos e as atrocidades da época. Duas cenas, especialmente, me marcaram muito nesse livro. Uma foi o momento em que foram reunidos, em praça pública, livros, centenas deles. Todos foram queimados, exceto um que foi roubado nem preciso dizer por quem.


Também há uma grande lição de gratidão e de, como mesmo imerso em um mundo de horrores, o ser humano pode enfrentar seus medos e ajudar o outro. O livro é consideravelmente grande, quatrocentas e noventa e quatro páginas (já li maiores), o deve assustar os que se apegam a estes detalhes. No entanto, a leitura flui, mesmo que no começo não pareça.


No final, como em qualquer livro, está o resumo da biografia do autor: Markus Zusak nasceu na Austrália. É filho de pai austríaco e mãe alemã. Na boa, quando li isso fiquei imaginando o quanto não se falou de Segunda Guerra na casa deste homem! Deve ser por isso que a leitura flui de uma maneira incrível!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Primeiro o livro depois o filme

O menino do pijama listrado (Companhia das Letras): foi um dos livros que comprei pela capa. Aliás, este eu comprei dois: um para mim e um para minha amiga Maitê (http://www.pensoemtudo.com.br/) de aniversário. Não sabia do que se tratava, mas sinceramente achei a capa interessante e diferente. Demorei um pouco para ler porque, na época em 2008, estava numa correria profissional sem fim. A Maitê gostou do livro, mas acho que quis me matar quando descobriu o tema do enredo: a Segunda Guerra Mundial. Foi só com isso que eu descobri que ela tinha se prometido não mais ler ou ver nada que falasse sobre isso. O fato é que ela leu, gostou e depois que me disse eu fiquei louca para ler também. Na época ela comentou que estavam fazendo o filme. Aliás este foi um de uma série sobre Segunda Guerra e eventos paralelos que li (ver o post sobre A sombra do Vento).

O livro é realmente muito bom eu devorei as cento e noventa e duas páginas em poucos dias. Mas o que a obra tem de boa, tem de triste. Trata de um menino, Bruno, que se muda com a família (o pai é soldado alemão) para uma área afastada que mais tarde ele vai descobrir que é um campo de concentração. Lá ele conhece um menino que usa um pijama listrado com um número. Os dois estão separados por uma cerca que cruza a área onde Bruno mora. Em principio tudo parece um jogo, para o menino alemão, mas com o tempo o clima ingênuo vai saindo e dando lugar para uma atmosfera tensa, própria do período. Mesmo com todo mundo dizendo, por exemplo, que os judeus não são gente, Bruno descobre que do lado de lá da cerca estão pessoas boas e que foram retiradas de sua rotina, sua vida de maneira abrupta.

Além disso, existem coisas que aparecem em vários livros que tratam de crianças durante a Segunda Guerra (O diário de Anne Frank é outro exemplo disso). Aliás, se pensarmos em qualquer conflito e na relação da criança/jovem com o tema acabamos chegamos no tema: a necessidade da escola. A instituição de ensino, além do local em que se descobre assuntos que marcaram a humanidade, é o lugar em que há o relacionamento entre as crianças, aprendendo assim os conhecimentos práticos e teóricos de maneira lúdica e própria de cada idade.

Aí, em um fim de semana desses, fui à locadora e não é que encontrei a adaptação para o cinema? Não contei tempo e aluguei. Sempre achei bem complicado comparar a mesma obra em duas linguagens diferentes, mas quem sabe eu consiga fazer sem me expressar mal. O filme é lindo e obviamente triste, mas conhecendo a história acho que faltou um pouco da sutileza do livro, tudo acontece muito rápido. Em noventa e quatro minutos o diretor Mark Herman conseguiu colocar o resumo da obra, mas acho que faltou um pouco do clima e, reforçando, da sutileza nas descobertas de Bruno, que no filme é interpretado por Asa Butterfield. Mas é o que eu sempre digo: são linguagens diferentes e o livro nos dá a livre interpretação (que aliás o diretor do filme também tem a sua e colocou na obra que produziu).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O português que nos pariu

Esta semana temos um feriadinho. Vinte e um de abril, Dia de Tiradentes. Mas não é sobre esta data que quero falar. O livro de hje não tem nada a ver com Joaquim José da Silva Xaviér.

Em comemoração ao nosso aniversário. Quem lembra que 22 de abril é dia do aniversário do Brasil levanta a mão! O livro que quero comentar para lembrar todo mundo desse fato é O português que nos pariu (esse eu não comprei pela capa, foi pelo título mesmo). Lá vai:

Muito engraçado e, mesmo assim, altamente didático. São textos curtos que mostram de onde viemos com relações possíveis e nunca antes imaginadas. Como historiadores e pensadores deste país bem sabem nossos problemas atuais não começaram neste ou naquele governo já estavam presentes no nosso nascimento. Somos filhos de uma pátria desenvolvida (Portugal o era nos idos dos séculos XV e XVI), extremamente católica (por nada capitais como Salvador são cheias de igrejas) e que não queria ficar por aqui, o negócio era pegar o que interessava e se mandar

O português que nos apresentou ao mundo ‘civilizado’ está no livro O português que nos pariu (Editora Record). São vinte textos, escritos por Angela Dutra de Menezes, que nos mostram um pouco de quem nos ‘deu a luz’ oficialmente: o povo português. São textos extremamente didáticos, no sentido da linguagem fácil, compreensível, que podem tranquilamente ser utilizados em sala de aula ou, quem sabe, como referência bibliográfica de algum trabalho, mas é bom que se lembre que é o olhar de uma brasileira sobre os portugueses. Ah, e antes que eu esqueça, Angela Dutra de Menezes, além de escritora, é jornalista fato que, pela própria função do jornalista, provavelmente contribui para que a linguagem do livro corra de maneira solta.

Nestes textos a autora explica por exemplo as cores da nossa bandeira. O negócio, que é muito legal, é que ela não diz apenas que o verde é a cor da família Bragança e o amarelo da família Habsburgo, de onde vem D. Leopoldina (primeira esposa de D. Pedro I). Angela explica como a nossa dinastia surgiu, sempre lembrando passagens interessantes como o fato de, a partir de um determinado momento, os reis portugueses não usarem a coroa na cabeça, mas embaixo do braço (segundo eles a única com direito a usar a coroa era Nossa Senhora). Isso vai acontecer até D. Pedro I. Uma observação sobre este texto: no fim a autora dá um panorama geral do que está acontecendo com a nossa família real hoje, muito legal!

E tem muito mais: a necessidade de fazer o império crescer e por isso mesmo ‘misturar o sangue’, a sorte, ou azar, de Pedro Álvares Cabral, as questões religiosas, herdadas pelos brasileiro em vários sentidos: arquitetônico e sentimental, digamos assim. Então, quer conhecer a história do Brasil e de Portugal de maneira bem divertida, leiam este livro. São duzentas e quatro páginas que passam ‘num tapa’.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Li no Twitter e gostei

"Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas". (Mário Quintana)

O pequeno príncipe dos meus alunos

Olá pessoal. Os meus alunos do curso de Jornalismo da Satc (Criciúma) fizeram uma adaptação para o rádio da história do Pequeno Príncipe. Aqui está o link (eles colocaram imagens)

http://www.youtube.com/watch?v=JhzWzceGD38 Parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=zszW0FaqS8M parte 3Valeu Elizangela pelos links!

domingo, 11 de abril de 2010

Divertido, místico e sensual

Por causa dos livros infanto-juvenis de Jorge Amado resolvi que iria ler tudo o que pudesse do autor. Aqui em casa temos um grande número de obras deste escritor e, portanto, não custa nada começar. A única visão que tinha de sua bibliografia era a mostrada por filmes, minisséries e novelas (algumas adaptações eu nunca vi apenas sei que existem). Que visão era essa? Sexo, muito sexo, pelo menos era o que o público que nunca tinha lido Jorge Amado podia pensar. Talvez por isso me surpreendeu existirem três obras dedicadas ao público infanto-juvenil (duas delas já comentadas).

Ai, nas últimas férias, comecei a ler Dona Flor e seus dois maridos (Companhia das Letras). A trama é ambientada entre as décadas de 1930 e 1940.

Gostei muito do livro! O início é muito engraçado, aliás o tom de humor está presente em toda a obra, senti isso mesmo quando Vadinho morreu. Tem também o nome de dona Flor, que na minha cabeça era Flor mesmo, mas não é. O nome dela é Florípedes. Tá, tudo bem....
As receitas são de verdade (tem até um livro, escrito por Paloma Jorge Amado - filha do autor-, que traz as receitas das obras do escritor. O título é: Comida baiana de Jorge Amado) e dão água na boca, principalmente para quem conhece um pouquinho da culinária baiana. Tem também a sensualidade, própria das obras de Jorge Amado, mas é uma sensualidade que, para mim não é uma coisa assustadora, não é sexo explícito (vamos colocar assim) e era esta a visão que eu tinha.

Mas por baixo deste tom engraçado e sensual existem coisas muito sérias que nos são apresentadas. Coisas que pertencem a nossa sociedade mesmo setenta anos após o momento vivido pela trama. Tem preconceito, tem aquela preocupação de ‘o que os outros vão falar de mim’, tem a vontade de subir na escala social, tem a necessidade do casamento e tantas outras coisas. Ah, e, se prestar atenção, tem muita história, fala-se de Freud, de Dorival Caymmi (que é personagem do livro!). É um retrato da sociedade brasileira, não se restringe a Bahia.

O misticismo fica por conta da volta de Vadinho. Jorge Amado procurou especialistas na área para fazer com que a trama não parecesse loucura por quem conhece os mistérios do além. Nesse sentido não poderia faltar o Candomblé e a presença de Exu, orixá do escritor (vira e mexe se coloca para o leitor). Esta parte, misteriosa, normalmente me impressiona bastante, me dá medo mesmo, mas em Dona Flor a coisa acontece de uma maneira tão engraçada e surpreendente que esse medo não rondou minha leitura.

Na edição que eu li, quando a história termina, tem um texto da Zélia Gattai que conta como o autor mudou o fim da história: Primeiro a professora de culinária iria junto com o primeiro marido caso ele se fosse para sempre. Zélia conta que ficou triste com esta decisão. Mas durante a noite uma mudança inesperada e Jorge fala para a esposa: “Essa sua amiga, hein, dona Zélia... Revelou-se uma descarada!”. É Dona Flor não se “subjugou ao autor” diz a escritora...

Depois deste texto tem um posfácio de Roberto DaMatta. Maravilhoso! Ele lembra que se dona Flor tivesse escolhido um dos dois maridos e não os dois ela seria tão infeliz quanto outras heroínas e cita como exemplo Julieta. E entre mitos e ‘otras cositas mas’ DaMatta vai fazendo uma análise da obra que, principalmente para quem está iniciando a leitura de Jorge Amado, é bem proveitosa.

Ih, gente, acho que contei o final! Todo mundo diz para eu me controlar, mas as vezes não consigo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

JORGE AMADO PARA MENORES

O dia nacional do livro infantil é só no dia 18 de abril, mas estava louca para colocar este post. Adorei estes livros e, claro, recomendo.

No post anterior falei sobre o O pequeno príncipe. Logo em seguida escrevi este, por isso começa desta forma:


Saindo dos autores internacionais em 2009 passei pelos nacionais também. Afinal de contas a literatura infantil brasileira é muito boa. Li O gato Malhado e a andorinha Sinhá (Companhia das Letrinhas), de Jorge Amado. Sim, ele tem obras dedicadas aos pequenos (na última viagem para a Bahia descobri que são três. Tem também A Ratinha Branca de Pé-de-Vento e A Bagagem de Otália, também da Companhia das Letrinhas, e que ainda não está na minha prateleira) ou, como disse Tatiana Belinky no posfácio do livro “para crianças excepcionalmente inteligentes de todas as idades”. O livro foi escrito para o seu filho, João Jorge, quando este tinha um ano de idade e o autor baiano não queria que fosse publicado. O pequeno encontrou os escritos do pai anos mais tarde. Organizou e pediu para o artista plástico e amigo da família Carybé ilustrar. Depois de convencer o pai o livro foi publicado. Adorei ter lido este livro por uma série de motivos: 1) Trata de um amor impossível, quase um Romeu e Julieta dos bichos e no meio disso tudo fala de amor, preconceito, respeito as diferenças e educação. Como todo livro infantil de maneira muito fantasiosa; 2) Tem palavras diferentes que podem melhorar e muito o vocabulário de crianças e adultos; 3) Descobri, no texto de João Jorge, depois do posfácil, que a Zélia Gatai herdou da mãe, Angelina (coincidência, nome da minha bisavó), o hábito de guardar tudo (e isso se parece muito comigo!) e foi por conta desta mania que o livro ficou guardado e foi encontrado por João Jorge: “quem tem, procura e acha”, palavras de dona Angelina (a sogra de Jorge Amado). Aliás, no texto que João Jorge escreveu aparecem raridades como a certidão de batismo dele. O batizado foi feito em um quarto de hotel de Paris no dia 8 de maio de 1949, além da certidão tem também um desenho que registra a noite em que a cerimônia aconteceu. Estou louca para contar esta historinha para o meu pequeno!

A história foi escrita em Paris, em 1948. A primeira edição foi publicada em 1976. Acho que todos os livros de Jorge Amado devem ser assim: envolventes. Não dá vontade de parar de ler O gato Malhado e a andorinha Sinhá. Deve ser por isso que Jorge Amado foi durante muito tempo o escritor brasileiro mais lido no exterior, membro da Academia Brasileira de Letras... uma referência.

Nunca havia lido Jorge Amado. Suas histórias eu só conhecia das adaptações para a televisão. Este livro chegou em nossas prateleiras porque meu marido, baiano e apaixonado por literatura, resolveu fazer a coleção de Jorge Amado (temos até uma lista, olha elas novamente em minha vida, para não correr o risco de comprar repetidas). Ela não estava a venda nas bancas mas sempre que encontrava uma obra do conterrâneo ele comprava. E ai encontrou as duas raridades para o público menor.

Pois é, eu disse que Jorge Amado tem duas obras para o público infanto-juvenil. O outro é A bola e o goleiro (Companhia das Letrinhas). Que já está devidamente lido. Este é mais um caso de amor impossível: a bola se apaixona pelo goleiro e vice-versa. Ele é divertido e envolvente (estou me repetindo). E além de uma série de valores que traz, que eu nem sei se o autor queria passar mesmo (pode ser coisa da minha cabeça!) ele fala da relação de carinho que a maioria dos brasileiros tem por este objeto sem lados que é a bola. Em ano de Copa do Mundo (eu li em 2009, mas este texto está sendo escrito em 2010 = Copa da África do Sul) essa paixão fica mais acesa, digamos assim. Tempos atrás eu diria que o brasileiro é apaixonado somente pela bola de futebol, hoje já posso dizer que, apesar de ser ainda campeão, a bola de futebol ganhou companheiros como o vôlei e o basquete. O goleiro, bem o goleiro pode ser um ser iluminado ou não. Depende do time em que se joga ele pode estar apaixonado pela bola ou não.

Muito provavelmente foi a paixão pelo futebol que fez Jorge Amado escrever um texto tão legal sobre esta paixão entre a bola Fura-Redes e o goleiro Cerca-Frango. Ah, os desenhos são de Kiko Farkas e são muito legais e divertidos!

Depois de tantos livros infantis resolvi ler Jorge Amado para adultos, mas esta é uma outra história.

sábado, 27 de março de 2010

Dia Internacional do Livro Infantil

A data será comemorada no dia 2 de abril. Vou me adiantar um pouco e postar um texto sobre um livro que li em 2009.

Para contar história é preciso ler...

Então vamos aos livros infantis. É bom explicar que sempre gostei de criança. Várias amigas já me perguntaram por que eu não fiz pedagogia e me especializei em crianças. Adoro estes pequenos! Além deles adoro as histórias feitas para eles. Quando criança adorava ouvir de meus pais (ou de quem quer que fosse) e contar para as bonecas. Depois que cresci um pouquinho comecei a contar para as minhas irmãs e era muito divertido. Apesar disso, vários ‘clássicos’ infantis eu nunca havia lido, alguns nem conhecia a história direito. Quer um exemplo: O pequeno príncipe (Editora Agir). Conhecia bem mais ou menos o enredo. As vezes alguém me lembrava que “Tu és eternamente responsável por aquilo que cativas” era dessa obra. Mas nunca havia lido de fato. Meu pequeno até já tem uma versão em alemão, que ganhou de uma das tias, e eu ainda não tinha lido em português. Me sentia na obrigação pelo menos para tentar contar a história na versão estrangeira sem saber a língua em questão.

Ai, com a barriga crescendo a gente se empolga com coisas de criança e o meu marido encontrou na livraria o tal livro. Comprou. Eu imediatamente pensei: hora de ler. Gostei muito. É forte, criativo e nada, nada cansativo. Em vários momentos fiquei pensando como esse livro pode ser considerado infanto-juvenil... o tema é muito adulto. Mas a abordagem é fantasiosa, lúdica. É isso que deixa o livro interessante para os mais novos e o mesmo motivo deve fazer muito adulto pensar que ‘não tem nada a ver’. Confesso que o final é meio chocante: não se espera um final daqueles em livros para os pequenos. Me fez pensar sobre um monte de coisa, rever conceitos e formas de ver o mundo. Nossa, foi tudo de bom!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Os últimos quarenta anos do Brasil 2

Com estes livros acabei entrando em outro, que já estava na minha estante a um tempo, mas outros apareciam na frente para serem lidos: A década de 80 – Brasil: quando a multidão voltou às praças (Série Princípios, Editora Ática). Na verdade fui lê-lo porque uma aluna minha do curso de jornalismo queria fazer um artigo sobre a música na década de 80. Ela queria apresentar este período como um período em que as músicas de protesto apareceram com força e abertamente, afinal a abertura política estava sendo feita, a ditadura acabava de forma ordenada, lenta e gradualmente, mas acabava. Não havia mais censura e a reunião de pessoas nas praças voltava a ser possível.

Como todos os livros da série Pincípios ele é pequeno, são 66 páginas sem contar a bibliografia comentada e sem o vocabulário crítico (que, aliás, é uma ótima ideia), também não é demorado de ler e é interessante para relembrar algumas coisas que marcaram nosso país na década da novela Vale Tudo(algumas eu lembrava, afinal os dez primeiros anos da minha vida foram passados nesta década, e outras eu misturava, já que eu era pequena quando tudo aconteceu) . O legal de ler os três livros quase na mesma época é que a cronologia ficou mais fácil e linear (parecia escola, ontem terminamos o assunto tal e hoje começaremos o seguinte, em ordem cronológica) e, por mais que para muitos isso seja o menos importante, é bom que isso aconteça em alguns momentos para percebermos que há uma ligação entre as décadas.

Os últimos quarenta anos do Brasil 1

A história está no coração. É a história do Brasil, da Europa, a Antiga, a Contemporânea. Sempre amei a disciplina de História no colégio e depois do curso de jornalismo e com a desculpa de que era essencial para a produção da minha dissertação comecei a fazer o curso de História. Me formei em 2008. Ai sempre tem aqueles livros que os professores citam, dizem que todo o historiador tem de ler ou simplesmente que é muito interessante: tenho uma lista deles (mais uma da minha vida!)! Pois é, em 2008, quase no final, vi nas livrarias dois que faziam parte desta tal lista: 1968: o ano que não acabou e 1968: o que fizemos de nós (os dois da Editora Planeta do Brasil), ambos do jornalista Zuenir Ventura. Digamos que são dois clássicos dos Anos de Chumbo. Aliás, antes de falar sobre os livros gostaria de dizer que adoro o tema: Ditadura Militar bem como Segunda Guerra Mundial, mas me apavora o que a humanidade pode fazer quando tem alguma desavença consigo mesma. Leio estes livros para não esquecer e não permitir que volte a acontecer!

Mas voltando aos livros. Sempre quis lê-los e 2008 foi o ano em que o livro comemorou quarenta anos, pelo menos o ano a que ele se referia: o ano do AI 5, portanto grande oportunidade para lê-lo. Gostei. Não que seja um tema pouco conhecido, pelo menos para os estudantes de história, mas a forma como é abordada, os personagens que aparecem (que não são de fixão, são bem reais e muitos estão por ai ainda), minha admiração por todos eles aumentou e a ligação que é possível fazer com o presente é muito legal! Sinceramente em vários momentos eu tive a impressão de estar ouvindo as histórias das próprias pessoas e me deu vontade de dar um forte abraço em todos. Os traumas pessoais de cada um que aparece no livro não foram só deles, foram da sociedade brasileira, mesmo que, muitas vezes, ela não tenha consciência disso!

Depois de ler estes livros fica ainda mais inconcebível achar ou ter um vago pensamento de que aqueles foram anos tranquilos ou que aquelas pessoas faziam parte de grupos ‘terroristas’. Fica também a pergunta: o que a minha geração está fazendo para melhorar essa realidade? O que queremos deixar para os nossos filhos? A geração dos nossos pais fez alguma coisa por mim, por nós, mas e agora? Depois deles? Todos os dias aparecem casos de corrupção em todas as esferas e ninguém vai preso e as vezes até ganham eleições com grande votação. Cadê a juventude deste país? Cadê a indignação do brasileiro?