quinta-feira, 18 de outubro de 2018

No seu pescoço

Já havia lido outros (poucos) livros desta autora nigeriana incrível. Mas, empolgada depois de Hibisco Roxo, comecei a ler o primeiro livro de contos de Chimamanda: No seu pescoço (publicado pela Companhia das Letras).  Minha meta era ler um conto por dia. Ao começar a ler um novo conto só repousaria o marcador de página e fecharia o livro quando terminasse aquele conto. Era a meta, mas nem sempre, durante a leitura, consegui fazer isso. Os contos são, de fato, sufocantes, e fazem juz ao título da coletânea. Por isso, sempre tinha um livro de apoio (isso mesmo, li dois livros ao mesmo tempo) para caso o sufoco fosse muuuiiito grande.

Os textos falam de migrantes nos Estados Unidos e da vida na Nigéria. Protagonistas mulheres predominam e apresentam para o leitor questões que, aparentemente, são corriqueiras, mas não deveriam, tendo em vista a violência que causam em quem passa por aquilo e, também, ouso dizer, para aquele que causa a violência. Chimamanda Ngnozi Adichie tem uma linguagem refinada e sensível. É fantástica!

Costumo me emocionar com livros, mas são poucos os que me fazem chorar. Eles costumam muito mais me deixar ansiosa, nervosa para ver como determinada situação vai terminar.  Mas esse livro me fez chorar algumas vezes (li um dos contos em sala de aula e não consegui chegar ao seu final). Tal nervosismo, que falei, também me faz parar de ler. Sério! Imaginando que o desfecho pode não ser exatamente bom, eu fecho o livro, vou tomar água. Depois volto. Nessa obra, fiz mais de uma vez.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

A longa caminhada até a liberdade - Nelson Mandela

Era uma quarta-feira à tarde. Entre um trabalho e outro, olhei para a prateleira das biografias e lá estava Nelson Mandela. Mais uma vez, peguei o livro e folheei. Parei em algumas páginas e li trechos cuidadosamente sublinhados: são inspiradores!

Naquela quarta-feira, 9 de maio de 2018, à noite, me dei conta de que fazia 24 anos que Mandela se tornara o primeiro presidente negro da África do Sul. Lembrar disso, somado ao que havia lido à tarde, me levou a voltar a esse espaço. Como convém a esse blog não vou contar todo o livro: as quase 800 páginas trazem memórias e explicações que são encantadores e revelam com delicadeza e muito sentimento, parte das barbaridades vividas pela humanidade no século XX.

Cheguei à obra por uma admiração que vem de longe. Mandela foi tema do meu primeiro trabalho acadêmico e eu estava na quinta ou sexta série, quando ele visitou pela primeira vez o Brasil. Acompanhei pela TV e pelos jornais. Com Mandela, naquele momento, aprendi a fazer resumo, citação e diagramação juntando texto e imagem nas folhas de papel almaço. Tudo escrito à mão.

Depois disso foram filmes, documentários, entrevistas… Mandela aparecia e eu parava para vê-lo. Sempre tinha o que aprender com ele. Na Copa da África do Sul, diante de sua imagem, falei para um amigo: “queria poder parar do lado dele um tempo… só para ouvir”. Depois disso, em dezembro de 2013, Mandela morreu e eu chorei.

Ler esse livro foi como poder ouvir o que ele tinha para me contar. Chorei com tanta injustiça, choro por saber que ainda hoje ela se repete em tantos lugares. Li para amigos e familiares vários trechos e ainda recorro a ele para me aconselhar, para me inspirar.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O futebol explica o Brasil

Quatro anos atrás, mais ou menos,  eu comecei a escrever um blog sobre futebol, e este sobre livros, – que alguns planos me fizeram dar um tempo -. Foi nesse tempo que comecei a me aprofundar em um assunto que já gostava, mas que a partir daquele momento ficou sério: Futebol. Foi justamente por isso que quando me deparei com esse livro me encantei. O futebol explica o Brasil: uma história da maior expressão popular do país, do jornalista Marcos Guterman, publicado em 2009 pela editora Contexto, é uma obra que junta a história que vemos na escola, com todos os generais e civis que construíram, ao menos oficialmente,  a república brasileira, com os zagueiros, goleiros, atacantes e cartolas e explica em que momento e de que forma todos eles se encontraram e fizeram com que esta expressão cultural contribuísse  para a formação da identidade brasileira tal qual o basquete (para não dizer a guerra) faz parte da identidade dos Estados Unidos da América (muita gente pode reclamar e não gostar disso  mas aí é outra discussão).

O primeiro capítulo, O sotaque britânico, na economia e no futebol, dá um panorama do que era o Brasil quando, no final do século XIX, o futebol chegou em terras tupiniquins e a força que a Inglaterra tinha por aqui nesse momento. Depois disso, os capítulos são divididos por décadas até chegar ao ano do penta. A obra tem pouco mais de 250 páginas que eu li bem rápido porque é muito legal! Cheio de curiosidades e relações muito interessantes do futebol no mundo  e do Brasil nesse contexto. Durante a leitura passei a admirar ainda mais  alguns atletas e a compreender outros e, de certa forma, também admirá-los.
O livro conversa com muitas outras obras, Nelson Rodrigues e Lima Barreto são apenas dois deles, que não precisam ter sido lidas mas dá vontade de fazer delas obras de cabeceira, pelo menos para quem se interessa pelo tema.
A leitura dessa obra foi ótima para uma reflexão pessoal sobre como nos formamos como nação. A forma como tratamos o futebol, de uma maneira geral, reflete um pouco de como a sociedade brasileira se vê. O livro trata um pouco disso , e a minha experiência estudando o tema também me fez ver isso: muita gente não bota fé no esporte, e no futebol de uma maneira geral. Mas nas quatro linhas está apresentado o microcosmos da sociedade brasileira com todos os nossos preconceitos, anseios, lutas...


Como é apresentado já na introdução do livro: “O que este livro mostra é que o futebol, (...), não é um mundo à parte, não é uma espécie de ‘Brasil paralelo’. É pura construção histórica, gerado como parte indissociável dos desdobramentos da vida política e econômica do Brasil. O futebol, se lido corretamente, consegue explicar o Brasil” (GUTERMAN, 2009, p.9).  Então, para os que fizerem do campeonato mundial que se inicia uma oportunidade para compreender a relação do futebol com nosso país desejo boa leitura.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mãe de dois

Então, eis que no colorido dos traços de um exame de farmácia descobri que seria mãe novamente. Foi inesperado, mas desejado. Adorei a ideia! É interessante como a segunda gravidez parece ser mais tranquila, tem menos ansiedade envolvida (só um pouquinho menos, é verdade e são diferentes também). No começo (mas não só nele) minhas leituras estavam restritas aos sites que falam sobre o desenvolvimento do bebê e coisas do tipo. Mas confesso: estava louca para ler um livro sobre o assunto, como fiz na minha primeira gravidez. Foi difícil achar porque já li muito sobre o tema.

Até que , li no facebook um post sobre um blog que virou livro. O nome era sugestivo  Mãe de dois (Ed. Civilização Brasileira), da jornalista Maria Dolores. Não contei tempo e no fim de semana fui na livraria mais próxima procurar, mas o amor pelos livros é de família e acabei indo para o cantinho infantil mostrar historinhas para o meu pequeno primogênito. Nesse meio tempo o maridão encontra o livro e ... surpresa... eu ganhei de presente (sem nem ter falado da obra, hein.)

ADOREI! Dei belas gargalhadas, me emocionei e rolou uma identificação interessante com as histórias. Tudo isso me deixou um pouco mais tranquila, aliviada. Foi ótimo encontrar alguém que passou / passa pelas angustias da segunda gravidez. 

A obra nem de longe se parece com um manual de instruções sobre como educar dois filhos juntos ou sobre a importância dos irmãos, da disciplina, ou qualquer coisa do tipo. Também não fica tentando ensinar como controlar as emoções que aparecem nas grávidas de sgunda barriga, nada disso. É um texto solto, quase de amiga para amiga que trata do cotidiano.  Os capítulos dos livros são os meses da gravidez e os textos vão da descoberta ao parto.
Confesso que me senti, digamos assim, mais normal.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A cabeça de Steve Jobs


"As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas" (Steve Jobs)

Li o livro tema desse post há mais de dois anos e acho que o acontecimento da última semana torna o comentário bastante pertinente. Confesso que quanto ganhei esse livro não fiquei muito entusiasmada. Acho que porque havia visto o rosto que ilustrava a capa umas poucas vezes e quase sempre sem muita atenção. Mas o entusiasmo do meu “amigo secreto”, Diego Piovesan, e do meu marido era tanto que pensei que de fato deveria ser alguém genial e que aquela leitura valeria muito a pena. No texto da contracapa essa impressão se confirmou: “Steve Jobs adotou traços de sua personalidade para conduzir a Apple ao triunfo” (mais uma pista de quem se tratava: eu já havia visto aquela marca em trilhões de filmes).

Então, A cabeça de Steve Jobs, de Leander Kahney (Editora Agir) virou meu livro de cabeceira e depois um dos mais queridos da estante. O autor diz que a obra não é apenas uma biografia e sinceramente acho que seria difícil diante de capacidade criativa e, porque não, revolucionária. Todos nós, depois da semana passada, já sabemos que depois de Steve Jobs o mundo nunca mais foi o mesmo.

O livro me ajudou a perceber que, na verdade, ele estava muito mais perto de mim do que eu, e muita gente por ai, imaginava. Com o livro me dei conta que Steve Jobs mudou a comunicação criando computadores pessoais e fazendo dele um local não apenas de trabalho mas de entretenimento. Sem falar nisso, e em tantas outras formas de computador que surgiram depois que foi possível levar o computador para a casa, Jobs também criou a Pixar que produziu o primeiro filme totalmente animado por computador: Toy Story ( acho que essa todo mundo conhece). A Disney comprou a Pixar em 2006 "pela impressionante quantia de 7,4 bilhões de dólares. Esta compra fez de Jobs o maior acionista individual da Disney e o nerd mais importante de Hollywood"(p. 11).

Não foi uma leitura muito fácil mas foi interessante. No final de cada capítulo o autor apresenta um quadro com algumas “Lições de Steve”. A grande maioria é ótima e perfeitamente aplicável. Jobs não devia ser, como posso dizer,... a pessoa mais fácil de lidar: a exigência e a intimidação iam ao limite (sendo bom ou sendo ruim era assim que funcionava). Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção no livro e na personalidade do dono da Apple é que ele, Jobs, era um apaixonado pelo que fazia e nisso de fato eu acredito: fazemos tudo melhor quando fazemos com amor, com paixão.

Ah, o autor, Leander Kahney, é editor da revista eletrônica Wired.com. Como repórter e editor cobre a Apple há mais de 12 anos (dados do próprio livro).

domingo, 31 de julho de 2011

A ratinha branca de Pé-de-vento e a bagagem de Otália

Juro que eu pensava que este livro de Jorge Amado era infantil, mas infantil igual a O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá ou A bola e o Goleiro. É, mas é menos que eu imaginava (na minha humilde classificação é infanto-juvenil. Acho que a adolescência é a mais privilegiada aqui). Isso não é bom nem ruim é apenas diferente do que imaginei, é surpreendente (na maioria das vezes gosto de ser surpreendida).De qualquer forma gostei muito de conhecer mais esta obra de Jorge Amado (Companhia das Letrinhas). Como todas as obras que o escritor dedicou a este público (já citadas anteriormente) ela pode, e deve, ser lida por todos, independente da idade.


A ratinha branca de Pé-de-vento e a bagagem de Otália não é exatamente um livro do escritor baiano mas uma adaptação que Mariana Amado Costa (neta do autor) fez do livro Os pastores da noite. Este foi o décimo segundo romance de Jorge Amado. Foi publicado em 1964. Os personagens desta história são homens e mulheres, na maioria das vezes pobres e sem emprego ou estudo que sobrevivem de bicos de todos os tipos. Mas o grupo conserva como “seu princípio moral, a amizade; sua lei, a alegria de viver” (p. 9).


A temática é bem corriqueira em Jorge Amado: Amizade (ler sobre amizade é sempre bom). É com muita graça (alegria mesmo) que este tema aparece nesta obra. E não só ele. Colaboração e respeito estão lá.


Mariana Amado Costa é neta do ilustre baiano a que eu me refiro neste post. Ela, melhor do que ninguém, pode afirmar que os temas levantados na obra eram de grande valia para o avô: “a força da amizade; a compreensão de que as pessoas nunca são simplesmente boas ou más, são humanas, com as complexidades e contradições inerentes a essa condição; a celebração da vida mesmo na adversidade” (p. 8).


Os personagens são adultos mas mostram o “profundo respeito por questões que são a essência da infância: a fantasia, o sonho, a brincadeira, a diversão” (p. 8). E isso é mágico! Uma coisa que achei interessante é que este é o segundo livro em que um dos personagens se destaca pelo seu conhecimento e, justamente por isso, ganha um certo destaque. Em Capitães da areia foi o Professor neste Eduardo Ipicilone. Outros detentores do conhecimento apareceram em outras obras, mas estes dois me chamaram a atenção porque, de alguma maneira, são procurados para ensinar, tirar dúvidas, etc.


Quem ilustrou, e o fez muito bem, foi a mineira de Belo Horizonte Marilda Castanha. Já não é a primeira vez que faz ilustrações para esta editora, mas é a primeira vez que a cito aqui.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

Como vocês podem ver este não está sendo um ano de muitas leituras, pelo menos de obras de ficção. Meus olhos estão concentrados em teóricos nem sempre fáceis e os textos que estou produzindo são bem mais acadêmicos do que os que publico aqui. Mas digamos que entre um texto e outro estou lendo algumas coisinhas que pretendo registrar neste espaço. Vamos a uma delas.

Que vida levava aquele sujeito que é visto trôpego pelas ruas, que não trabalha e aparentemente não tem família? Quem choraria a morte deste sujeito? Entre tantas outras coisas nas páginas desta obra de Jorge Amado estas são questões que nos conduzem.

A morte e a morte que Quincas Berro Dágua (Editora Record) é uma daquelas comédias bem construídas e para lá de inteligentes. Nela a crítica social, tão presente nas obras do escritor baiano, é um elemento para lá de presente. A obra é do final da década de 50, início da de 60 e é para lá de atual. Basicamente conta a história de um funcionário público que cansou da vida certinha de mulher (uma Jararaca, segundo o próprio Quincas), filha (que trilhava o mesmo caminho da mãe), emprego estável e reconhecimento por ser um funcionário exemplar. Quando deu um basta caiu na rua e se tornou o Rei dos vagabundos da Bahia, o cachaceiro –mor de Salvador, o filósofo esfarrapado da rampa do Mercado, o senador das gafieiras (p. 31-32).Contar que Quincas morreu não é contar o final é apenas o começo...

A história tem um narrador, mas quase sempre Quincas se mete e os diálogos entre o morto e os que velam seu corpo (ou pelo menos tentam) são muito engraçados.
Para quem quiser começar pelo filme ele já está por ai. Aliás, eu primeiro vi o filme para depois ler o livro. Lembrem-se sempre que o filme é uma adaptação. O livro não é tão linear como pode parecer o filme. Mas os dois são para lá de divertidos e boas opções para as curtas férias de julho.