segunda-feira, 16 de junho de 2014

O futebol explica o Brasil

Quatro anos atrás, mais ou menos,  eu comecei a escrever um blog sobre futebol, e este sobre livros, – que alguns planos me fizeram dar um tempo -. Foi nesse tempo que comecei a me aprofundar em um assunto que já gostava, mas que a partir daquele momento ficou sério: Futebol. Foi justamente por isso que quando me deparei com esse livro me encantei. O futebol explica o Brasil: uma história da maior expressão popular do país, do jornalista Marcos Guterman, publicado em 2009 pela editora Contexto, é uma obra que junta a história que vemos na escola, com todos os generais e civis que construíram, ao menos oficialmente,  a república brasileira, com os zagueiros, goleiros, atacantes e cartolas e explica em que momento e de que forma todos eles se encontraram e fizeram com que esta expressão cultural contribuísse  para a formação da identidade brasileira tal qual o basquete (para não dizer a guerra) faz parte da identidade dos Estados Unidos da América (muita gente pode reclamar e não gostar disso  mas aí é outra discussão).

O primeiro capítulo, O sotaque britânico, na economia e no futebol, dá um panorama do que era o Brasil quando, no final do século XIX, o futebol chegou em terras tupiniquins e a força que a Inglaterra tinha por aqui nesse momento. Depois disso, os capítulos são divididos por décadas até chegar ao ano do penta. A obra tem pouco mais de 250 páginas que eu li bem rápido porque é muito legal! Cheio de curiosidades e relações muito interessantes do futebol no mundo  e do Brasil nesse contexto. Durante a leitura passei a admirar ainda mais  alguns atletas e a compreender outros e, de certa forma, também admirá-los.
O livro conversa com muitas outras obras, Nelson Rodrigues e Lima Barreto são apenas dois deles, que não precisam ter sido lidas mas dá vontade de fazer delas obras de cabeceira, pelo menos para quem se interessa pelo tema.
A leitura dessa obra foi ótima para uma reflexão pessoal sobre como nos formamos como nação. A forma como tratamos o futebol, de uma maneira geral, reflete um pouco de como a sociedade brasileira se vê. O livro trata um pouco disso , e a minha experiência estudando o tema também me fez ver isso: muita gente não bota fé no esporte, e no futebol de uma maneira geral. Mas nas quatro linhas está apresentado o microcosmos da sociedade brasileira com todos os nossos preconceitos, anseios, lutas...


Como é apresentado já na introdução do livro: “O que este livro mostra é que o futebol, (...), não é um mundo à parte, não é uma espécie de ‘Brasil paralelo’. É pura construção histórica, gerado como parte indissociável dos desdobramentos da vida política e econômica do Brasil. O futebol, se lido corretamente, consegue explicar o Brasil” (GUTERMAN, 2009, p.9).  Então, para os que fizerem do campeonato mundial que se inicia uma oportunidade para compreender a relação do futebol com nosso país desejo boa leitura.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mãe de dois

Então, eis que no colorido dos traços de um exame de farmácia descobri que seria mãe novamente. Foi inesperado, mas desejado. Adorei a ideia! É interessante como a segunda gravidez parece ser mais tranquila, tem menos ansiedade envolvida (só um pouquinho menos, é verdade e são diferentes também). No começo (mas não só nele) minhas leituras estavam restritas aos sites que falam sobre o desenvolvimento do bebê e coisas do tipo. Mas confesso: estava louca para ler um livro sobre o assunto, como fiz na minha primeira gravidez. Foi difícil achar porque já li muito sobre o tema.

Até que , li no facebook um post sobre um blog que virou livro. O nome era sugestivo  Mãe de dois (Ed. Civilização Brasileira), da jornalista Maria Dolores. Não contei tempo e no fim de semana fui na livraria mais próxima procurar, mas o amor pelos livros é de família e acabei indo para o cantinho infantil mostrar historinhas para o meu pequeno primogênito. Nesse meio tempo o maridão encontra o livro e ... surpresa... eu ganhei de presente (sem nem ter falado da obra, hein.)

ADOREI! Dei belas gargalhadas, me emocionei e rolou uma identificação interessante com as histórias. Tudo isso me deixou um pouco mais tranquila, aliviada. Foi ótimo encontrar alguém que passou / passa pelas angustias da segunda gravidez. 

A obra nem de longe se parece com um manual de instruções sobre como educar dois filhos juntos ou sobre a importância dos irmãos, da disciplina, ou qualquer coisa do tipo. Também não fica tentando ensinar como controlar as emoções que aparecem nas grávidas de sgunda barriga, nada disso. É um texto solto, quase de amiga para amiga que trata do cotidiano.  Os capítulos dos livros são os meses da gravidez e os textos vão da descoberta ao parto.
Confesso que me senti, digamos assim, mais normal.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A cabeça de Steve Jobs


"As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas" (Steve Jobs)

Li o livro tema desse post há mais de dois anos e acho que o acontecimento da última semana torna o comentário bastante pertinente. Confesso que quanto ganhei esse livro não fiquei muito entusiasmada. Acho que porque havia visto o rosto que ilustrava a capa umas poucas vezes e quase sempre sem muita atenção. Mas o entusiasmo do meu “amigo secreto”, Diego Piovesan, e do meu marido era tanto que pensei que de fato deveria ser alguém genial e que aquela leitura valeria muito a pena. No texto da contracapa essa impressão se confirmou: “Steve Jobs adotou traços de sua personalidade para conduzir a Apple ao triunfo” (mais uma pista de quem se tratava: eu já havia visto aquela marca em trilhões de filmes).

Então, A cabeça de Steve Jobs, de Leander Kahney (Editora Agir) virou meu livro de cabeceira e depois um dos mais queridos da estante. O autor diz que a obra não é apenas uma biografia e sinceramente acho que seria difícil diante de capacidade criativa e, porque não, revolucionária. Todos nós, depois da semana passada, já sabemos que depois de Steve Jobs o mundo nunca mais foi o mesmo.

O livro me ajudou a perceber que, na verdade, ele estava muito mais perto de mim do que eu, e muita gente por ai, imaginava. Com o livro me dei conta que Steve Jobs mudou a comunicação criando computadores pessoais e fazendo dele um local não apenas de trabalho mas de entretenimento. Sem falar nisso, e em tantas outras formas de computador que surgiram depois que foi possível levar o computador para a casa, Jobs também criou a Pixar que produziu o primeiro filme totalmente animado por computador: Toy Story ( acho que essa todo mundo conhece). A Disney comprou a Pixar em 2006 "pela impressionante quantia de 7,4 bilhões de dólares. Esta compra fez de Jobs o maior acionista individual da Disney e o nerd mais importante de Hollywood"(p. 11).

Não foi uma leitura muito fácil mas foi interessante. No final de cada capítulo o autor apresenta um quadro com algumas “Lições de Steve”. A grande maioria é ótima e perfeitamente aplicável. Jobs não devia ser, como posso dizer,... a pessoa mais fácil de lidar: a exigência e a intimidação iam ao limite (sendo bom ou sendo ruim era assim que funcionava). Mas uma das coisas que mais me chamou a atenção no livro e na personalidade do dono da Apple é que ele, Jobs, era um apaixonado pelo que fazia e nisso de fato eu acredito: fazemos tudo melhor quando fazemos com amor, com paixão.

Ah, o autor, Leander Kahney, é editor da revista eletrônica Wired.com. Como repórter e editor cobre a Apple há mais de 12 anos (dados do próprio livro).

domingo, 31 de julho de 2011

A ratinha branca de Pé-de-vento e a bagagem de Otália

Juro que eu pensava que este livro de Jorge Amado era infantil, mas infantil igual a O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá ou A bola e o Goleiro. É, mas é menos que eu imaginava (na minha humilde classificação é infanto-juvenil. Acho que a adolescência é a mais privilegiada aqui). Isso não é bom nem ruim é apenas diferente do que imaginei, é surpreendente (na maioria das vezes gosto de ser surpreendida).De qualquer forma gostei muito de conhecer mais esta obra de Jorge Amado (Companhia das Letrinhas). Como todas as obras que o escritor dedicou a este público (já citadas anteriormente) ela pode, e deve, ser lida por todos, independente da idade.


A ratinha branca de Pé-de-vento e a bagagem de Otália não é exatamente um livro do escritor baiano mas uma adaptação que Mariana Amado Costa (neta do autor) fez do livro Os pastores da noite. Este foi o décimo segundo romance de Jorge Amado. Foi publicado em 1964. Os personagens desta história são homens e mulheres, na maioria das vezes pobres e sem emprego ou estudo que sobrevivem de bicos de todos os tipos. Mas o grupo conserva como “seu princípio moral, a amizade; sua lei, a alegria de viver” (p. 9).


A temática é bem corriqueira em Jorge Amado: Amizade (ler sobre amizade é sempre bom). É com muita graça (alegria mesmo) que este tema aparece nesta obra. E não só ele. Colaboração e respeito estão lá.


Mariana Amado Costa é neta do ilustre baiano a que eu me refiro neste post. Ela, melhor do que ninguém, pode afirmar que os temas levantados na obra eram de grande valia para o avô: “a força da amizade; a compreensão de que as pessoas nunca são simplesmente boas ou más, são humanas, com as complexidades e contradições inerentes a essa condição; a celebração da vida mesmo na adversidade” (p. 8).


Os personagens são adultos mas mostram o “profundo respeito por questões que são a essência da infância: a fantasia, o sonho, a brincadeira, a diversão” (p. 8). E isso é mágico! Uma coisa que achei interessante é que este é o segundo livro em que um dos personagens se destaca pelo seu conhecimento e, justamente por isso, ganha um certo destaque. Em Capitães da areia foi o Professor neste Eduardo Ipicilone. Outros detentores do conhecimento apareceram em outras obras, mas estes dois me chamaram a atenção porque, de alguma maneira, são procurados para ensinar, tirar dúvidas, etc.


Quem ilustrou, e o fez muito bem, foi a mineira de Belo Horizonte Marilda Castanha. Já não é a primeira vez que faz ilustrações para esta editora, mas é a primeira vez que a cito aqui.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

Como vocês podem ver este não está sendo um ano de muitas leituras, pelo menos de obras de ficção. Meus olhos estão concentrados em teóricos nem sempre fáceis e os textos que estou produzindo são bem mais acadêmicos do que os que publico aqui. Mas digamos que entre um texto e outro estou lendo algumas coisinhas que pretendo registrar neste espaço. Vamos a uma delas.

Que vida levava aquele sujeito que é visto trôpego pelas ruas, que não trabalha e aparentemente não tem família? Quem choraria a morte deste sujeito? Entre tantas outras coisas nas páginas desta obra de Jorge Amado estas são questões que nos conduzem.

A morte e a morte que Quincas Berro Dágua (Editora Record) é uma daquelas comédias bem construídas e para lá de inteligentes. Nela a crítica social, tão presente nas obras do escritor baiano, é um elemento para lá de presente. A obra é do final da década de 50, início da de 60 e é para lá de atual. Basicamente conta a história de um funcionário público que cansou da vida certinha de mulher (uma Jararaca, segundo o próprio Quincas), filha (que trilhava o mesmo caminho da mãe), emprego estável e reconhecimento por ser um funcionário exemplar. Quando deu um basta caiu na rua e se tornou o Rei dos vagabundos da Bahia, o cachaceiro –mor de Salvador, o filósofo esfarrapado da rampa do Mercado, o senador das gafieiras (p. 31-32).Contar que Quincas morreu não é contar o final é apenas o começo...

A história tem um narrador, mas quase sempre Quincas se mete e os diálogos entre o morto e os que velam seu corpo (ou pelo menos tentam) são muito engraçados.
Para quem quiser começar pelo filme ele já está por ai. Aliás, eu primeiro vi o filme para depois ler o livro. Lembrem-se sempre que o filme é uma adaptação. O livro não é tão linear como pode parecer o filme. Mas os dois são para lá de divertidos e boas opções para as curtas férias de julho.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O clube do livro

Já vou começar dizendo que O clube do filme, de David Gilmour (Editora Intrinseca), é uma boa sugestão para o claquete dez. Quem comprou este livro foi meu marido e ele disse que não conhecia a obra e nem tinha ouvido falar. Comprou porque gostou do que estava escrito na contra capa (e para quem o conhece sabe o quanto isso é raro!). Depois disso ouvi grandes amigos falarem muito bem dele e ai, quando tive de escolher um livro para deixar do lado da cama para o momento “tenho que relaxar para dormir” foi ele que escolhi.
Para os que não conhecem, a temática inicial até pode parecer comum: um adolescente resolve que quer parar de estudar e diz isso para o pai (que é separado da mãe do garoto). Até ai, é bem normal, concordam? Mas eis que o pai aceita a tal proposta (isso mesmo) mas com uma condição: eles deverão ver três filmes por semana e nada de drogas. O pai sabia que tinha que dar um jeito da cabeça daquele garoto ser ocupada e, no fundo, ele queria que o filho voltasse a estudar.

A partir desta lista de filmes definida pelo pai começam as discussões sobre todos os assuntos, inclusive cinema, entre os dois.

Normalmente os filmes exibidos marcaram a história do cinema de alguma maneira mas não há necessidade de ter visto os filmes (acho que seria melhor mas alguns nem pensar, pelo menos para mim) para entender o propósito de cada “aula”.

O interessante do filme é que mostra, mesmo sem querer – talvez- e sem parecer aqueles manuais de relacionamento entre pai e filho, ou livro de auto ajuda que esta relação de fato não é fácil e que dúvidas todos os pais do planeta possuem. Ao mesmo tempo perceber em que momento o jovem está e o que ele está precisando escutar e fazer pode ajudar muita gente a evitar conflitos e a permitir que aquele sujeito cresça (em todos os sentidos).
É então uma bela dica para pais e professores (porque de maneira geral a condução das discussões e a forma como os filmes são escolhidos é muito interessante para esta classe profissional).

Para terminar uma frase da página 187 que, na minha opinião serve para várias indicações que fazemos ao longo da vida:

“Indicar filmes às pessoas é um negócio arriscado. De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga”.

sábado, 16 de abril de 2011

UBUNTU

Que ai já viu o filme Invictus? Quem não viu tem que ver. É simplesmente demais! Para dar uma canjinha trata da história da chegada de Nelson Mandela à presidência da África do Sul. Quem já viu certamente deve ter pensado como ele tinha aquela percepção de mundo. Como alguém que sofreu o que sofreu nas mãos dos brancos conseguia fazer aquilo (por mais que ele explicasse no decorrer da história)? Particularmente eu entendia a visão dele mas não conseguia entender. Ops, este não é um blog de filmes. Deixo esta missão para minha amiga Marília. Mas trouxe isso para poder falar de um livro que li e que é inspirado em uma filosofia africana que Mandela seguia.

Ubuntu: uma história inspiradora sobre uma tradição africana de trabalho em equipe e colaboração (Editora Saraiva) é uma ficção que se passa em uma grande empresa americana. A direção percebe que existem conflitos e que o clima organizacional não está muito bom. Existem várias iniciativas para motivar os funcionários e uma é um prêmio que vai levar os funcionários destaques da instituição juntamente com seus chefes para a África do Sul.

Um dos vencedores é um sul africano, Simon, que antes mesmo de vencer a competição começa a mostrar para seu superior a importância de confiar e conhecer o ser humano que está a nossa volta. Isso é o Ubuntu. O livro, no meio da história, vem trazendo frases que definem esta filosofia. Uma delas é que o Ubuntu “é uma filosofia que leva em consideração o sucesso do grupo acima do sucesso do indivíduo” (p. 46).

A história que Stephen Lundin e Bob Nelson colocaram no papel não é nada de outro mundo, é bem simples. Mas é na simplicidade que está o segredo. Este é um dos melhores livros que eu já li. Juro que quando meu marido ganhou de alguns colegas eu achei que fosse ser mais um daqueles livros de auto ajuda (nada contra, mas eles parecem se repetir) e não é só isso. Não é como eu posso vencer e sim como nós podemos (ninguém é uma ilha, era o que tinha no meu livro de Educação Moral e Cívica). No fim das contas, e é o que Mandela mostrava em Invictus e explica na frase, “Somos humanos apenas pela humanidade dos outros”.

É ideal para empreendedores, gestores, consultores e estudantes de todas as áreas.